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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

29/01/2017 07:20

Aniversário é de Leonídio, mas presente é do distrito que abriga centenário

Paula Maciulevicius
Felicidade não cabia em seu Leonídio, de soprar vela de 100 anos. (Foto: Luiz Maique)Felicidade não cabia em seu Leonídio, de soprar vela de 100 anos. (Foto: Luiz Maique)

Baiano que escolheu Mato Grosso do Sul para viver. O morador mais velho - em idade - de Piraputanga completou 100 anos no final de semana que passou com direito a festão. No povoado, não tem quem não fale ou conheça o sorriso de seu Leonídio ou "vô Lió", e nem admire toda a sua vontade de viver.

As fotos revelam um pouquinho da alegria que envolveu o velho morador ao redor do bolo. E é, Flávia, uma das 35 netas, quem se encarrega de contar a história dele, já que pelo avanço dos anos, a audição foi ficando para trás. 

Nascido em Tapiramutá, na Bahia, em 17 de janeiro de 1917, os problemas e as dificuldades da região fizeram com que seu Leonídio entrasse na leva que migrou para o então Estado de Mato Grosso.

Centenário em Piraputanga, sempre com chapéu e olhos atentos. (Foto: Luiz Maique)Centenário em Piraputanga, sempre com chapéu e olhos atentos. (Foto: Luiz Maique)

"Eles vinham e compravam terras aqui, em Piraputanga. Neste lugar, fixaram residência e meu avô ficou sabendo que o lugar era bom em fartura, bom para se viver e veio", conta a professora Flávia da Silva Ferreira, de 30 anos.

Fundado por baianos, as Furnas que levam o nome deles receberam seu Leonídio na segunda turma vinda de longe, em 1960. "Ele chegou dia 3 de outubro de 1960, conta que veio até um pedaço em um pau de arara e de São Paulo para Piraputanga, no trem de passageiro, 15 dias de viagem", narra a neta.

Na região, ele trabalhou a vida toda com produção de farinha de mandioca. A prova está na aparelhagem que até hoje existe na oficina da propriedade. "A renda principal sempre foi a farinha de mandioca, a agricultura", resume a neta.

Desde que descobriu Piraputanga, seu Leonídio nunca mais voltou para a terra natal. "E ele conta as histórias de lá, diz que na Bahia ele tocava sanfona, viola, era músico. Mas entre essas lembranças, pelo menos que eu tenha ouvido, ele nunca teve vontade de voltar para lá", narra Flávia.

Com presente nas mãos. (Foto: Luiz Maique)Com presente nas mãos. (Foto: Luiz Maique)

Viúvo por duas vezes, do primeiro casamento foram cinco filhos, três que morrem ainda bebês. Já da segunda união, foram nove, um também não resistiu. Entre netos, bisnetos e tataranetos, o senhorzinho tem 104 herdeiros.

"Ele é totalmente lúcido, o único problema que tem é que escuta muito pouco, mas de memória, é perfeito. Inclusive gosta de festa e se emociona", afirma a neta.

Às vésperas da data, ele fazia até contagem regressiva. "A gente perguntava quantos dias falta vô? E ele dizia sem nem pensar", completa Flávia.

E foi a vontade de viver que o fez chegar ao centenário. "Ele é assim, não se entrega e o que mais me ensinou foi ter perseverança. Ele teve câncer de próstata e passou por isso. Tem muita vontade de viver. O aniversário é dele, mas o presente é todo nosso, de ter ele conosco", resume.

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E prontinho para as fotos. (Foto: Luiz Maique)E prontinho para as fotos. (Foto: Luiz Maique)


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