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Campo Grande, Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018

08/03/2017 08:07

Aos 10 anos meninas já mandam recados do tipo: sou uma feminista em progresso

Thailla Torres
Aos 10 anos, Ana Beatriz é categórica sobre empoderamento feminino e assume ser feminista. (Foto: André Bittar)Aos 10 anos, Ana Beatriz é categórica sobre empoderamento feminino e assume ser "feminista". (Foto: André Bittar)

Sem papas na língua, criança é sincera e fala o que pensa. No Dia Internacional da Mulher, olhar para elas é entender que vem aí uma geração feminina ainda mais poderosa pela frente. Qualquer conversinha despretensiosa faz o queixo de adulto cair diante de meninas que nem saíram do Ensino Fundamental e já falam de feminismo, independência e tem nos planos ganhar dinheiro sendo youtuber.

"Me considero feminista em progresso", afirma Anna Beatriz Abreu, uma figuraça de 10 anos. Pode parecer edição, mas todas as palavras e vírgulas são da menina, soltas em um dia comum de criança, ao lado do pai no pet shop da família. Teve de passar a tarde ali, porque ainda é muito pequena para ficar sozinha em casa.

Com referências na irmã mais velha, Anna passou a entender sobre a luta contra valores machistas. Hoje, apesar do tamanho, ela tem discurso para questionar no cotidiano o comportamento diferente entre meninos e meninas.

São com exemplos do dia a dia que ela tenta ensinar até a família. "Fiquei pensando o porquê do meu pai nunca lavar a louça ou limpar a casa. Também nunca entendi porque nas festinhas são as meninas que tem de levar a comida que fazem e eles levam o mais fácil, como o refrigerante. Tem também as camisetas dos meninos que sempre tem desenhos legais e das meninas só tem florzinhas brochantes", questiona.

Maria quer ser uma mulher que não seja julgada pelas aparências. (Foto: Alcides Neto)Maria quer ser uma mulher que não seja julgada pelas aparências. (Foto: Alcides Neto)

Ao observar e interagir com outras crianças, Anna Beatriz entendeu que o movimento inclui debates além de questões específicas das mulheres como, por exemplo, o assédio. "Já vi algumas coisas na escola que me deixaram muito irritada. Os meninos fazendo gestos e brincadeiras com outros meninos, mas que é muito sério, porque isso é assédio", afirma.

Anna defende o equilíbrio, em um mundo nem tanto rosa, nem tanto azul. "É uma questão de respeito e cultura. Por isso, sempre gosto de falar sobre o assunto. Aprendi a conversar e ler bastante revistas. Não me considero uma feminista extremista, mas só acho que a mulher não tem obrigação de usar qualquer tipo de roupa, elas tem de usar porque gostam. Eu não sou obrigada a usar rosa e posso muito bem vestir um tênis preto, mulher não precisa desses requisitos", completa.

Inspirada em artistas como Frida Kahlo, Anna quer ser uma mulher livre quando crescer. "Eu falo minha opinião, quem não quiser ser minha amiga, tudo bem. Sei que tem gente que acha minha opinião totalmente errada, mas tenho pessoas que estão do meu lado por quem eu sou", finaliza.

Ana Clara Gomes, tem só 5 inscritos no Youtube, mas almeja ter um canal de sucesso. (Foto: Thailla Torres)Ana Clara Gomes, tem só 5 inscritos no Youtube, mas almeja ter um canal de sucesso. (Foto: Thailla Torres)

Menina de hoje em dia parece que já sai da maternidade querendo caminhar sozinha. "Quero ser uma mulher normal que trabalha", afirma Ana Clara Gomes, de 8 anos, enquanto desenha na porta do salão de beleza da mãe.

Apesar de tímida, Ana faz parte da legião infantil apaixonada pelos Youtubers. No futuro, a tecnologia faz parte da vida que deseja ter. "Quero ser design de moda e uma youtuber de sucesso", responde. 

Com toda humildade sobre o próprio canal, ela não lamenta o número pequeno de inscritos e diz que vai continuar lutando por mais seguidores. "Eu não posto muito porque estou sem meu tablet. Na verdade tenho só 5 inscritos e 16 visualizações, mas não me importo muito porque o importante é divertir as pessoas. Eu posso não ter um video com muito volume, mas gosto de gravar e acho que as pessoas ficam felizes. Meu sonho é ter milhões de seguidores", comenta.

Não quero depender de homem, afirma Letícia. (Foto: Alcides Neto)"Não quero depender de homem", afirma Letícia. (Foto: Alcides Neto)
Maria Luiza, deseja que as mulheres sejam respeitadas onde quer se seja. (Foto: Alcides Neto)Maria Luiza, deseja que as mulheres sejam respeitadas onde quer se seja. (Foto: Alcides Neto)

No sonho de serem bem sucedidas, independência financeira faz parte das características de uma mulher do futuro. Aos 14 anos, Letícia Gabriele pensa na liberdade. "Quero ser independente e não essa coisa de depender de homem", afirma. "Quero sair de casa da minha mãe e morar sozinha com o meu sustento. Felicidade pra mim? É trabalhar com o que gosta, fazer meu próprio dinheiro e sem nunca depender das pessoas", completa Letícia que já estuda para ser médica.

O respeito entra em pauta diariamente. Maria Luiza Dias, de 12 anos, só quer ser respeitada, independente do gênero. "Na escola todo mundo acha que a gente é metida nem conhecer e isso só porque somos meninas", afirma.

Maria Eduarda Moraes, de 12 anos,  concorda que o mais importante é nunca ser julgada. "Na escola a gente passa muito por essa coisa de aparência. Pelas coisas que a gente usa ou se eu chego com o pai na escola. Mas ninguém sabe o que a gente é por dentro", diz.

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Feminazis peludas em poucos anos. Ridículas
 
Drago em 08/03/2017 16:58:35
Que alegria saber que essas meninas já são engajadas tão cedo na nossa luta por igualdade de direitos, por dignidade. Parabéns, meninas. Saibam que vocês são exemplo para muita gente.
 
Débora Bordin em 08/03/2017 09:00:49
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