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Saúde e Bem-Estar

Uso de canetas emagrecedoras é associado a 13 casos de cegueira

Notificações envolvem medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida

Por Gustavo Bonotto | 28/09/2026 21:58
Uso de canetas emagrecedoras é associado a 13 casos de cegueira
Saco com dezenas de canetas emagrecedoras apreendidas pela polícia em Mato Grosso do Sul. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Treze notificações de Noiana (neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica) são investigadas entre pessoas que usaram medicamentos indicados para diabetes e obesidade. A doença pode provocar perda súbita e permanente da visão, mas os registros não significam que as canetas tenham causado os casos.

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A Anvisa investiga 13 notificações de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, a Noiana, entre usuários de medicamentos para diabetes e obesidade: cinco com Ozempic, três com Wegovy, dois com Wegovy FlexTouch, dois com Rybelsus e um com Mounjaro. A doença pode causar perda súbita e permanente da visão, mas os registros não comprovam relação de causa. Em junho de 2025, a agência já alertara sobre o risco raro com a semaglutida. A Novo Nordisk e a Eli Lilly afirmam monitorar a segurança dos produtos.

Dos relatos analisados, 5 envolvem o Ozempic, 3 o Wegovy, 2 o Wegovy FlexTouch, 2 o Rybelsus e 1 o Mounjaro. Os quatro primeiros têm semaglutida como princípio ativo e são fabricados pela Novo Nordisk. O Mounjaro, da Eli Lilly, contém tirzepatida.

A avaliação considera confirmação do diagnóstico, momento em que os sintomas apareceram, condições clínicas do paciente, uso de outros medicamentos e possíveis causas alternativas. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ressalta que uma notificação de evento adverso, isoladamente, não estabelece relação direta entre o remédio e a doença.

O risco já havia levado a agência a emitir alerta, em junho de 2025, sobre a Noiana como evento adverso muito raro associado à semaglutida. Na ocasião, também foi determinada a inclusão da possibilidade nas bulas dos medicamentos que contêm o princípio ativo.

A orientação é procurar atendimento médico imediatamente em caso de perda súbita ou piora rápida da visão. A doença ocorre quando há redução do fluxo sanguíneo para a parte anterior do nervo óptico e pode provocar perda de parte do campo visual sem causar dor.

Entre os fatores de risco estão idade acima de 50 anos, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, doenças cardiovasculares, tabagismo e apneia obstrutiva do sono. Estudo publicado na revista científica Diabetes Care apontou incidência de 18 casos a cada 100 mil pessoas-ano entre usuários de medicamentos da classe GLP-1, ante 7,2 por 100 mil entre usuários de DPP-4, outra classe usada contra diabetes.

O outro lado - À Folha de S.Paulo, a Novo Nordisk afirmou que a segurança dos pacientes é prioridade e que monitora continuamente os relatos de eventos adversos relacionados aos medicamentos que fabrica. A empresa disse que a semaglutida possui perfil de segurança respaldado por estudos clínicos e pela experiência de uso global e sustentou que, na totalidade das evidências disponíveis, não há confirmação de relação causal entre os agonistas de GLP-1 e a Noiana.

A farmacêutica também citou uma análise agrupada de ensaios clínicos que reuniu mais de 83 mil pacientes-ano de observação nos grupos tratados com semaglutida. Segundo a Novo Nordisk, foram identificados poucos casos de Noiana confirmados por oftalmologistas e não houve aumento da incidência entre os participantes que receberam o medicamento. No conjunto de estudos com agonistas de GLP-1 mencionado pela empresa, foram registrados 3 casos confirmados entre pessoas que receberam semaglutida ou liraglutida, contra 5 no grupo placebo.

A companhia acrescentou que as taxas ficaram abaixo de 0,01 caso por 100 pacientes-ano nos dois grupos e afirmou considerar favorável a relação entre benefícios e riscos da semaglutida.

A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, informou ao veículo paulista que monitora, avalia e comunica às autoridades regulatórias as informações de segurança relacionadas aos seus medicamentos. A empresa orientou que pacientes que apresentem efeitos colaterais durante o tratamento conversem com um médico ou outro profissional de saúde.