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Campo Grande, Sábado, 18 de Janeiro de 2020

09/12/2019 07:38

Apesar de mil palpites sobre o corpo, gêmeos são parceiros no fisiculturismo

Rodrigo e Alexandre contam os desafios e preconceitos vividos ao se dedicarem ao esporte

Thailla Torres
Alexandre e Rodrigo Lacerda, de 31 anos, são gêmeos que sempre estiveram juntos no esporte. (Foto: Paulo Francis)Alexandre e Rodrigo Lacerda, de 31 anos, são gêmeos que sempre estiveram juntos no esporte. (Foto: Paulo Francis)

Os dois são atletas desde criança e sempre gostaram de competir. Do Kumon aos campeonatos de handebol, Alexandre e Rodrigo Lacerda, de 31 anos, são gêmeos que sempre estiveram juntos. Hoje, numa atividade que ainda não fascina tanto quanto outros esportes, eles formam uma dupla “pesada” do fisiculturismo. Levam em parceria uma vida regrada, mas saudável, eles dizem, e exercitam como nunca a paciência, só para lidar com quem insiste em julgar o corpo alheio.

Os dois começaram a malhar aos 15 anos, para manter o físico e o desempenho nos esportes. Em 2014, o fisiculturismo chamou a atenção dos irmãos que decidiram pegar firme na academia para competir e exibir corpos esculturais e definidos que, ao contrário do que muitos pensam, não surgem da noite para o dia.

Irmãos são parceiros e torcedores um do outro durante competição. (Foto: Arquivo Pessoal)Irmãos são parceiros e torcedores um do outro durante competição. (Foto: Arquivo Pessoal)

Ser julgado por quem não conhece a vida de um fisiculturista e ganhar apelidos são situações comuns na vida dos irmãos que para alcançar determinado padrão estético exigido nas competições levam tudo muito a sério. E olha que eles não sobrevivem do fisiculturismo, o esporte é apenas um hobby, já que Rodrigo é engenheiro civil e Alexandre advogado.

A rotina de treinos e alimentação não é nada simples, principalmente aos olhos de quem foge da academia. Além das difíceis horas de musculação, é preciso correr de alguns alimentos. Nada de se empanturrar com uma caixinha de chocolate ou pote de sorvete. E aquela cervejinha do fim de semana de churrasco também não tem muito sentido. “É preciso treinar, parar de beber, se alimentar de maneira saudável. Hoje, isso tudo é como parte do nosso trabalho, da nossa rotina, não é doloroso”, explica Rodrigo.

Para os dois a rotina que já completou 15 anos é tirada de letra, no entanto, admitem que o mais difícil é lidar com o convívio social. E este, talvez, seja um dos problemas mais complicados para um fisiculturista lidar diariamente. “Principalmente aqui em Campo Grande, para estar numa roda você tem que estar bebendo. E, às vezes, você não está afim. Uma cerveja, por exemplo, me basta. Eu não preciso encher a cara, mas há uma cobrança”, lembra Alexandre.

Rodrigo também diz que não sabe mais se aguenta comer qualquer coisa. “As pessoas perguntam muito se eu não sinto falta de comer qualquer coisa, acontece que eu não sei ficar comendo porcaria, acho que nem sei se nosso estômago aguentaria”, diz.

Alexandre é advogado. Alexandre é advogado.
Rodrigo é engenheiro. Rodrigo é engenheiro.

No bolso a diferença também é alta. Cada um gasta em média R$ 3,5 mil por mês em épocas de competições para garantir o físico e a saúde. “É treinador, nutricionista, médico, suplementos, e por aí vai”.

Um dos pontos negativos do esporte é o preconceito e a generalização quanto aos hábitos de alguns praticantes, como o uso de anabolizantes, que aumentam a performance dos competidores.

Nesse aspecto, quem não usa é considerado um peixe fora d’água e, em algumas competições, fica em desvantagem. Ainda assim, os irmãos têm orgulho de passarem horas na academia e garantir aquele shape com esforço. “Eu sou contra o uso de esteroides, principalmente de uso recreativo, em que as pessoas usam apenas para ir para praia e ganhar aquele corpo em pouco tempo. Acho que é preciso ter consciência do que se busca dentro do fisiculturismo”, reforça Alexandre.

Alexandre durante competição. (Foto: Arquivo Pessoal)Alexandre durante competição. (Foto: Arquivo Pessoal)

Lidar com as piadas e o preconceito também é outra parte chata. A vantagem, segundo eles, é não usar o esporte para se exibir. “Eu faço porque gosto, me faz bem, é um esporte que me trouxe qualidade de vida também”, explica, Rodrigo. Tanto ele quanto o irmão dizem que para evitar comentários não usam camisetas regatas. “Eu evito”, diz Alexandre. “Porque toda vez que a gente entra em um lugar com uma camiseta que fica mais justa ou se está próximo de uma competição, as pessoas olham curiosas, algumas até perguntam”.

De pessoas próximas também é comum ouvir que o corpo “está feio” ou “está na hora de parar de crescer”, em razão disso, é preciso paciência. “Hoje a gente leva o assunto numa boa, é claro que as vezes ninguém precisa ficar falando do corpo do outro, mas quando alguém fala a gente ouve e deixa pra lá. O importante é cada um fazer o que gosta”, diz Rodrigo.

Os dois não competem juntos, mas estão sempre um ao lado do outro em todas as competições. “Hoje temos vidas e rotinas distintas, mas estamos sempre trocando mensagens, acompanhando as conquistas, os desafios, acho que isso ajuda um ao outro a seguir com os sonhos dentro do esporte”.

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