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Campo Grande, Terça-feira, 18 de Setembro de 2018

10/07/2018 06:20

Após 20 anos longe, neto prova que vale à pena não desistir e abraçar a família

Jeferson percorreu mais mil quilômetros para reencontrar o avô, seu Lindolfo, gaúcho que escolheu Mato Grosso do Sul para viver

Thailla Torres
Lindolfo vive em Terenos e nesta segunda-feira teve a chance de abraçar o neto que deixou de ver há 20 anos. (Foto: Fernando Antunes)Lindolfo vive em Terenos e nesta segunda-feira teve a chance de abraçar o neto que deixou de ver há 20 anos. (Foto: Fernando Antunes)

Foram 20 anos até Jeferson Carlos dos Santos, de 29, realizar o sonho de menino: reencontrar o avô paterno. Durante um encontro marcado nesta segunda-feira (9), a felicidade entre avô e neto foi a prova de que nunca é tarde para dar um segunda chance a quem se ama, especialmente, a família.

"Eu estava em busca dele faz tempo, mas não sabia onde estava", começa o neto Jeferson, após um abraço apertado em Lindolfo dos Santos, de 72 anos, que deixou o sul de Santa Catarina para se aventurar em Mato Grosso do Sul. Há anos ele vive com uma das filhas em Terenos. 

A distância foi marcada por idas e vindas e a decisão de Lindolfo em deixar tudo para trás após tantos problemas familiares, ele conta. "Tinha sido uma fase difícil, havia perdido minha mãe, depois veio o meu pai e eu resolvi largar tudo para caminhar com a minha vida", diz o avô. "Se fiz certo? Não sei, mas tudo tem o seu tempo", acredita.

O sorriso de quem decidiu também dar uma segunda chance à família. (Foto: Fernando Antunes)O sorriso de quem decidiu também dar uma segunda chance à família. (Foto: Fernando Antunes)

Mas a distância parece não ter sido suficiente no coração do neto, que mantém até hoje as lembranças do avô quando tinha 9 anos de idade. "Fica na memória, eu lembrava dele sorrindo e na verdade família a gente nunca esquece".

Foi neste ano que ele decidiu reencontrar o avô após alguns sonhos. "Passei a sonhar muito com ele e toda vez que acordava ficava preocupado". Jeferson então recorreu ao pai que não tinha notícias de Lindolfo desde 1998. Os tios, todos, já tinham perdido o telefone do irmão que partiu sem deixar pistas.

"A única coisa que eu sabia é que ele estava na região de Campo Grande". O neto então conversou com a esposa e decidiu que nas suas férias pegaria o carro para reencontrar Lindolfo.

A jornada começou há dois dias. Jeferson saiu de Joinville (SC) e percorreu mais de 1 mil quilômetros até Campo Grande. "Viemos com muita calma, parando na estrada, mas com aquela expectativa grande. Porque ninguém sabia se ele estava vivo ou morto".

Na sala, uma das fotos do neto que nunca saiu do porta-retrato. (Foto: Fernando Antunes)Na sala, uma das fotos do neto que nunca saiu do porta-retrato. (Foto: Fernando Antunes)

O neto conta que até tentou encontrar uma das filhas do avô nas redes sociais, mas ninguém se lembrava do nome. Lindolfo também diz que seria improvável. "Eu nem tenho esse negócio de internet, meu celular é daqueles pré-históricos", brinca ao mostrar uma modelo flip, rosa e desgastado que ele só usa para atender ligações.

Ao chegar em Campo Grande na noite de domingo, Jeferson e a esposa esperam amanhecer para ir à delegacia. Ele foi encaminhado até 5ª Delegacia para ter contato com a investigadora Maria Campos, conhecida na cidade por aproximar famílias há 30 anos. "Ao dar o nome completo do meu avô, elas localizaram ele aqui em Terenos".

A notícia animou o coração do neto que esperou ansioso até o início da tarde para o reencontro. Seguindo o carro da polícia, foram 30 quilômetros do Centro da Capital até a residência de Lindolfo. Depois do primeiro abraço, a conversa parecia não ter fim e Jeferson estava feliz por isso. "Vale a pena encontrar nossa família. Às vezes a gente pensa em deixar pra lá, mas ele é meu avô, é minha história e eu queria muito reencontrá-lo".

Apesar de ficar distante, Lindolfo chama o neto para entrar e mostra na sala de casa que nunca esqueceu de ninguém. "Essa foto aqui é você, pequeninho", aponta o avô para o porta-retrato antigo que carrega parte das lembranças. "Eu nunca me esqueci de vocês, família a gente guarda aqui no coração", completa sorrindo.

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Jeferson viajou 1.100 km para reencontrar o avô.(Foto: Fernando Antunes)Jeferson viajou 1.100 km para reencontrar o avô.(Foto: Fernando Antunes)


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