Sandrinha partiu, mas realizou sonho e salvou 3 vidas desconhecidas
Edisandra Cirilo, queria continuar ajudando pessoas, mesmo depois do fim e doou os órgãos para 3 pessoas
O sonho de Edisandra Cirilo de Assis, ou Sandrinha, como todos a conheciam, era continuar ajudando pessoas, mesmo depois do fim. E conseguiu. Aos 44 anos, após ter a morte encefálica confirmada, a mulher que tantas vezes falou sobre o desejo de doar órgãos transformou a própria partida em esperança para desconhecidos. O fígado foi destinado a um morador de Campo Grande e os rins seguiram para o Rio Grande do Sul. Três vidas que agora seguem com uma nova chance.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A decisão não foi difícil para a família porque já estava anunciada em vida. Em rodas de conversa, entre amigos e parentes, ela repetia que queria doar. A filha, Kellis Vânia, de 27 anos conta que o maior legado da mãe é a ajuda ao próximo.
"A primeira lição que ela me deixou e que antes de eu tentar me ajudar, eu tenho que ajudar o próximo, pois ninguém é feliz sozinho. Ela sempre teve vontade de ajudar todos ao seu redor. Era uma vontade dela fazer a doação. Minha mãe foi uma guerreira, trabalhadora, honesta e gentil. Sempre que podia acolhia o próximo. Uma avó maravilhosa e carinhosa com suas duas netas. Uma esposa exemplar, um casamento maravilhoso com o nosso pai, que ia completar 29 anos de casamento".
Sandrinha estava no hospital como acompanhante da irmã internada na UTI quando passou mal. Teve um tromboembolismo pulmonar, seguido de parada cardiorrespiratória, o que levou à morte encefálica. No dia 27 de fevereiro completaria 45 anos.
Fora dos corredores hospitalares, a filha lembra dela como uma pessoa de riso fácil. Gostava da casa cheia, das netas correndo pela sala, das amizades cultivadas ao longo da vida. Adorava sentar em frente de casa com os vizinhos, tomar tereré e conversar sem pressa. Sempre disposta a ajudar, mesmo quando o dia não estava leve.
"Minha infância e do meu irmão foi no sítio da nossa avó, porém, foi muito feliz. Mesmo no simples nossa mãe e nosso pai nunca deixaram faltar nada. Principalmente o mais importante, o amor, o carinho, o colo. Tudo que eu aprendi com ela vou levar pra vida toda. Ela me ensinou que família é a obra mais linda de Deus, e que sempre devemos ser gratos. Me ensinou que devemos sempre ajudar o próximo, pois dessa vida nada se leva, mas que sempre deixa as lições da vida e as boas ações".
A doação só foi possível porque o desejo dela era conhecido. No Brasil, a autorização depende da família. Falar sobre o assunto em vida é o que permite que, em meio ao luto, a decisão seja tomada com segurança e respeito à vontade de quem partiu.
A captação dos órgãos aconteceu no dia 4 de fevereiro, no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados. O doação marcou a primeira cirurgia do tipo realizada na unidade após 2 anos sem. O procedimento durou cerca de 3 horas e mobilizou uma extensa rede de profissionais, entre equipes médicas, enfermeiros e logística de transporte dos órgãos.
Enquanto a saudade ocupa o espaço que antes era dela na varanda, em três outras casas a rotina ganhou fôlego. O coração da família segue apertado, mas há um consolo silencioso: o sonho dela não morreu. Virou vida em alguém.




