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Campo Grande, Quarta-feira, 26 de Junho de 2019

04/06/2019 08:18

Após perder o cabelo, Gislene aceitou as madeixas afro e ensina a fazer tranças

A cabeleireira realizou uma oficina de tranças na Praça do Rádio e o Lado B gravou o passo a passo de dois penteados

Alana Portela
Gislene de blusa branca fazendo a trança Box Braids no cabelo de Ana Fernandes e conta com ajuda de uma participante da oficina (Foto: Marina Pacheco)Gislene de blusa branca fazendo a trança Box Braids no cabelo de Ana Fernandes e conta com ajuda de uma participante da oficina (Foto: Marina Pacheco)

Foram tantos anos tentando alisar os cabelos que os fios acabaram caindo. Gislene Viana precisou enfrentar uma situação drástica para aceitar as madeixas afro e hoje ensina mulheres a fazer tranças. Ela aprendeu a técnica quando tinha 8 anos de idade, na época não entendia muito bem a habilidade, porém, agora usa o talento para incentivar negras a assumirem e valorizarem a beleza. No domingo (2), a cabeleireira deu uma oficina de tranças gratuita na Praça do Rádio e o Lado B gravou o passo a passo das tranças, Box Braids e Nagô (veja vídeo no final).

“Faço um trabalho de incentivo, mas minhas clientes sofrem preconceito a ponto de terem que tirar as tranças e alisarem os cabelos por conta da aceitação. A minha prioridade é fazer essas mulheres felizes. Não somos erros, fomos feitas assim de propósito e por isso temos valor, como todos os outros”, destacou Gislene.

Ela relata que fez química no cabelo quando era criança, mas a experiência não foi boa. “Minha mãe era de uma igreja tradicional e nesse local, não podíamos cortar o cabelo. Quando tinha uns dez anos, eu e minhas irmãs, alisamos os fios porque a nossa mãe mandou. Na época, ficamos felizes porque as mechas balançavam. Duas semanas depois, caiu tudo e quando voltamos a igreja, falaram que íamos queimar no fogo eterno”, lembra.

Gislene relata que aprendeu a fazer tranças na infância (Foto: Marina Pacheco)Gislene relata que aprendeu a fazer tranças na infância (Foto: Marina Pacheco)

A reação das “irmãs” trouxe o trauma e ela nunca mais voltou ao local. “Não quis mais. Tentei entrar no padrão, que era o cabelo liso. Por isso, a aceitação dos fios cacheados é maravilhosa e a gente não precisa se submeter a ninguém. Podemos ser nós mesmos e com valor”, disse.

As tranças então voltaram à rotina dela e das amigas. “As pessoas perguntam como e onde aprendi, mas não lembro porque era criança. Só recordo de chegar da escola e ter gente me esperando para mexer no cabelo”, conta.

Gislene cresceu e resolveu aprimorar suas técnicas e afirma que as tranças ajudam a manter a saúde do cabelo crespo. “Esse tipo de cabelo é difícil de pentear, lavar e deixar bonito. Contudo, com a trança, a pessoa garante a saúde e a beleza porque gostamos de ficar bonita. Esse cabelo dá trabalho, acordar de manhã para lavar, desembaraçar toma tempo, já com a trança dorme e acorda pronta”, explica.

Gislene faz a separação das mechas para fazer a trança Box Braids (Foto: Marina Pacheco)Gislene faz a separação das mechas para fazer a trança Box Braids (Foto: Marina Pacheco)
Linha amarela e presilha enfeitam e trança Box Braids (Foto: Marina Pacheco)Linha amarela e presilha enfeitam e trança Box Braids (Foto: Marina Pacheco)

Curso - Para dar início ao passo a passo, o primeiro item é o gel de cabelo, depois as linhas de crochê coloridas, presilhas, pente para fazer a divisória das mechas, tesoura, cabelo sintético e orgânico. A trança Box Braids é um estilo de penteado no qual o entrançamento é feito com a adição de cabelos sintéticos. Esse trabalho leva cerca de duas horas e pode ficar no cabeça até três meses. 

Tudo começa pelas repartições do cabelo, desde a parte inferior da cabeça. Depois, é preciso passar gel na raiz dos fios, entre as divisões. Como é trança de três pontas, a cabeleireira dividiu as mechas sintéticas de forma proporcional, depois pegou uma delas e separou em três fios. 

O segundo passo, foi separar o fio natural também em três e em seguida juntar os dos tipos de cabelos, começando as tranças. Assim ocorre até terminar todo o processo e para enfeitar o penteado, Gislene acrescenta linhas amarelas em algumas tranças e em outras, coloca presilhas pequenas. 

A modelo Ana Fernandes conta que, além de gostar de tranças, quer valorizar a cultura africana. “Os negros passam preconceitos e a gente quando cresce entende que cada um tem sua beleza, e que devemos respeitar a cultura. Por ser negra prezo isso, chapinha nunca mais e faz tempo que não faço escova no cabelo, uso afro mesmo”, afirma.

Maiara foi modelo da oficina e fez a trança nagô (Foto: Marina Pacheco)Maiara foi modelo da oficina e fez a trança nagô (Foto: Marina Pacheco)

Nagô - Na modelo Maiara Almeida, a cabeleireira fez a trança nagô, que segue a linha embutida e finaliza com cabelo extra. O penteado dura cerca de uma hora para ficar pronto e o aplique serve para alongar as madeixas e realçar a beleza do rosto.

Maiara é estudante de Estética e já experimentou muitas versões de cabelos. “Me sinto mais bonita. Já fiz a trança nagô antes, usei rastafári e tranças embutidas. Alisava meu cabelo quando era criança, mas decidi parar e assumir os cachos”, afirmou.

Para fazer a trança nagô é preciso dividir o cabelo em quatro partes. Em seguida, a cabeleireira passa gel nas repartições para facilitar o trançado. Para ajudar nas divisões, ela borrifa água nas mechas. A técnica do penteado também é realizada com a trança de três pontas.

Gislene pega uma mecha já separada e começa os entrelaces, deixando a trança mais fixa na cabeça. Após fazer todo o processo na cabeça, a cabeleireira pega o cabelo orgânico e costura nas tranças prontas, dando volume ao penteado. A trança nagô pode permanecer no cabelo por um mês.

Quem gosta de cabelo de variar no penteado pode conferir o vídeo mostrando o passo a passo das tranças. 

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Confira o vídeo ensinando as tranças



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