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Comportamento

Após vencer abandono, Perigo é o único que leva vida boa em presídio

O vira-lata, que foi achado magro e com carrapatos, hoje ganha carinho de policiais penais de MS

Por Letícia Ávila | 16/03/2021 06:52
Mascote, cachorro apelido de "Perigo" veste o colete da polícia penal de Mato Grosso do Sul (Foto: Arquivo Pessoal)
Mascote, cachorro apelido de "Perigo" veste o colete da polícia penal de Mato Grosso do Sul (Foto: Arquivo Pessoal)

Quem vê Perigo, o vira-lata de sete meses, bem alimentado, brincalhão e policial “extra-oficial” da Polícia Penal, não imagina seus tempos na rua. O policial penal Gustavo Abner diz que o cãozinho foi resgatado das ruas, e agora, ganha presente e mimos de todos os policiais da Penitência Estadual Masculina de Regime Fechado Gameleira. Não é impossível imaginar que ele é o único feliz de viver por lá.

Com a cara de bom moço, Perigo ganhou o nome justamente por ser muito brincalhão. “O nome veio como uma ironia, porque ele não é bravo, pelo contrário, é muito sem vergonha e bagunceiro”, brinca.

Perigo virou companheiro de Gustavo dentro da penitenciária. “Sempre gostei de animais, minha mãe tem vários cães e gatos e eu tenho o Brownie, um lhasa apso que é como um filho pra mim. Ele não pode nem saber direito do Perigo porque já vai ficar com ciúmes”.

Perigo virou o mascote e companheiro "da bagunça" para o policial penal Gustavo Abner (Foto: Arquivo Pessoal)
Perigo virou o mascote e companheiro "da bagunça" para o policial penal Gustavo Abner (Foto: Arquivo Pessoal)
Cachorro participa junto dos policiais nos plantões e aproveita qualquer pauta para uma boa soneca (Foto: Arquivo Pessoal)
Cachorro participa junto dos policiais nos plantões e aproveita qualquer pauta para uma boa soneca (Foto: Arquivo Pessoal)

Nos vídeos e fotos postados nas redes sociais, dá pra ver que o companheirismo faz parte e ajuda até a deixar o trabalho mais leve. Do jeito que todo vira-lata tem de ser parceiro e um bom amigo, Perigo joga bola com os policiais, apronta uma bagunça ou dorme em serviço – quer dizer, faz a patrulha em sonho.

Perigo foi encontrado pela mãe do policial Gustavo em dezembro, em frente a um espetinho. “Ele apareceu todo cheio de carrapato, magrinho e bem novinho. Como minha mãe sempre foi muito fã de bicho, não teve outra: pegou ele e trouxe pra casa”. A família de Gustavo tratou de Perigo, que aparentava ter cinco meses, mas infelizmente não podia ficar com ele. “Já temos muito animais aqui em casa, então fiz uma campanha de adoção pra ele”.

A sorte de Perigo veio quando Gustavo teve a ideia de levá-lo para o serviço, a Penitenciária Gameleira. “Tínhamos um boxer lá anteriormente. Ele apareceu em frente a cadeia e ficamos com ele, mas um dia foi furtado. Até tentaram localizar o carro que o levou, mas não teve jeito”. Um mês depois de ter achado Perigo, em janeiro, Gustavo resolveu levar ele para a penitenciária. “O pessoal gostou da ideia e logo todo mundo já tinha se apegado a ele”.

Veja no vídeo abaixo:

Com o cuidado que todo vira-lata gostaria de ter, Perigo recebeu o amor de todos os policiais, que cada um, do seu jeito, ajudou para fornecer carinho, comida e conforto. “O colete mesmo foi uma colega que mandou fabricar e trouxe pra ele. Outra colega, trouxe um potinho de ração. Eu mesmo consegui um colchãozinho pra ele esses dias”.

Se atenção é o que todo cachorro gosta de ter, Perigo está muito bem servido. “Todo mundo adora ele porque ele é bem sociável, fácil de fazer amizade. Brincam com ele de bola depois do expediente, ele é muito bem cuidado por todos”.

Registro do primeiro dia de Perigo na Gameleira, ainda sem o uniforme que atualmente veste (Foto: Arquivo Pessoal)
Registro do primeiro dia de Perigo na Gameleira, ainda sem o uniforme que atualmente veste (Foto: Arquivo Pessoal)
Perigo acompanha os plantões de Gustavo e da equipe de outros policiais penais (Foto: Arquivo Pessoal)
Perigo acompanha os plantões de Gustavo e da equipe de outros policiais penais (Foto: Arquivo Pessoal)

O colete de Policial Penal, com o nome de Perigo cravado nas costas, é até uma identificação do cuidado que o cachorro está tendo por todos. “Ele fica dentro da unidade, mas às vezes foge pelo portão, anda do lado de fora e volta. Ficamos espertos porque também tem o risco dele ser roubado, então quando ele sai, já avisam: ‘o Perigo saiu, fica atento aí’”, finaliza.

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