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Campo Grande, Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

03/07/2017 06:05

Bar da Albert Sabin resiste há 30 anos, mas virou proibidão para velhos clientes

Thailla Torres
O local é super simples, mas remete a juventude de João no Taveirópolis. (Foto: Marcos Ermínio)O local é super simples, mas remete a juventude de João no Taveirópolis. (Foto: Marcos Ermínio)

O local é simples e remete à juventude de seu João. A nostalgia dos tempo do baleiro, do doce de abóbora vendido no guardanapo e do amendoim em pequenos pacotes, são coisas que ao longo do tempo foram ficando escassas pela falta do vai e vem da freguesia no bar e mercearia Nossa Senhora Aparecida, na Rua Albert Sabin.

Os motivos de tanta distância dos clientes tem sentido no tempo e nos efeitos que o bar trouxe na vida da maioria. Os clientes envelheceram. Alguns já partiram, outros, por conta da idade e problemas com a bebida, acabaram "proibidos" de ir ao estabelecimento. Também tem gente que não aparece mais por decisão própria, para cuidar da saúde.

João Lemos Dionísio, de 74 anos, concorda mas desvia do assunto para não se indispor com os amigos e diz que os fregueses deixam de ir por escolha deles. Conheço a história de outros carnavais, por causa de um tio, que deixou para trás a saúde por conta do álcool.

Baleiro antigo tem mais de 40 anos. (Foto: Marcos Ermínio)Baleiro antigo tem mais de 40 anos. (Foto: Marcos Ermínio)

A culpa não é do ''Nossa Senhora Aparecida'', pelo contrário, seu João é um comerciante simpático e educado, daqueles que desperta atenção pela maneira como preserva as amizades. Os anos de vivência no bairro Taveirópolis são de orgulho pelo clima amigável, um incentivo para ele, que afirma não se lembrar de episódios relacionados à violência.

"Disso eu me orgulho muito. Eu nunca tive uma briga nesse bar. Já teve gritaria e os homens contando piada, futebol e política, mas nunca ouve uma indisposição entre os clientes", garante.

Ele herdou o estabelecimento da irmã e tratou de preservar o espaço no bairro como sempre foi desde o começo, simples e com jeito de boteco.

Há 6 anos viúvo, ele administra o bar sozinho e conhece praticamente todo mundo do bairro. Os mais antigos são de carteirinha, no modo de falar, como cliente fiel faça chuva ou sol.

Quem está ali para provar é José Antônio Santana, de 64 anos. Freguês assíduo desde a inauguração, ele diz que faz parte da classe teimosa, que apesar da idade, não dispensa uma cerveja gelada. "Poder a gente não pode né, mas sabe como é, faz parte", sorri.

Os anos de convivência no bar deixaram saudades na vida de José que recorda detalhes dos tempos do brilho do boteco. "Isso daqui era animado, sempre teve esse jeito, mas todo mundo jogava sinuca, carteado, dominó e palito. Era o que a gente mais gostava", recorda.

Imagem de nossa senhora nunca saiu do estabelecimento como forma devoção. (Foto: Marcos Ermínio)Imagem de nossa senhora nunca saiu do estabelecimento como forma devoção. (Foto: Marcos Ermínio)
Bar sobrevive pela presença dos amigos teimosos. (Foto: Marcos Ermínio)Bar sobrevive pela presença dos amigos teimosos. (Foto: Marcos Ermínio)

Hoje, mesmo que a frequência tenha diminuído, ele vai ao bar visitar o amigo de longa data. "É como se todo mundo fosse compadre e aqui a gente ainda encontra nossa geração", destaca José.

Todo dia, João abre o estabelecimento às 8h da manhã. A devoção deu sentido ao nome. "Minha família é muito devota e minha mãe foi quem deu essa ideia. Foi na verdade uma decisão em família", lembra.

O lugar tem apego afetivo desde que largou a construção civil para investir no estabelecimento. "Trabalhava de empregado e depois juntei umas economias para dar continuidade no bar da minha irmã e desde 1987 tenho essa razão social", explica.

Hoje, João tem o bar como uma extensão do lar e suas atividades diárias. "Isso aqui é uma vida para mim. Sempre tive bons amigos e fregueses, espero ter até o dia que Deus quiser", almeja.

Até hoje, o lugar funciona como sempre, tirando a tradição do fiado, que precisou ser abolida para continuar com o lucro. Mas sem qualquer inovação tecnológica, João conserva os mesmo móveis, o baleiro de 40 anos, a decoração de casa e venda de bebidas que é o principal de qualquer boteco. "Naquele tempo o pessoal vinha muito comprar paçoca, bala e docinhos. Hoje diminuiu, mas eu continuo com esse baleiro aqui, porque duvido que alguém tem um tão especial como esse", se orgulha João.

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