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Comportamento

Bombeiros levam música e dose de esperança a corredores de hospital

Projeto da Capelania do HUMAP-MS leva para dentro do hospital de harpa a polca paraguaia

Por Letícia Ávila | 26/03/2021 06:30
Profissionais da Capelania Hospitalar e Corpo de Bombeiros (Foto: Arquivo Pessoal)
Profissionais da Capelania Hospitalar e Corpo de Bombeiros (Foto: Arquivo Pessoal)

Quantas e quantas vezes a música foi expressão de acolhimento e conforto às dores e traumas das pessoas trazidas pela covid-19? Para os profissionais de saúde que estão nessa luta há mais de um ano, o cansaço, estresse e a solidão são ainda maiores, para quem todos os dias precisa trabalhar contra a doença que acomete milhares de mortes em Campo Grande e no mundo. Pensando nisso, a música é uma esperança dentro do HUMAP-UFMS (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em um projeto da Capelania Hospitalar que usa a arte pra trazer acalento aos profissionais e pacientes do hospital.

O projeto é coordenado por Edilson Reis, capelão do HU, e tem como objetivo trazer mais humanização para o árduo trabalho do hospital. “Já tínhamos essa iniciativa antes da pandemia, levando corais, quartetos e apresentações religiosas”. Com a covid-19 e as restrições, além do alto grau de envolvimento dos profissionais, a música se transformou em oportunidade para quebrar a intensidade do trabalho no UTI (unidade de terapia intensiva) covid do Hospital Universitário.

"Tema da Vitória", música do grupo Roupa Nova, ganha um sentido ainda maior de esperança diante das lutas diárias do enfrentamento da covid-19. Com o violão do soldado Ortiz e o saxofone do sargento Viana, a música tema para conquistas ajuda a aliviar os tormentos dentro do hospital e dar forças para um novo dia de tratamento.

Confira o vídeo abaixo:

“Cada dia é uma vitória para uns, mas uma derrota para outros. Isso afeta e abala emocionalmente o profissional”. Por isso, o projeto de música busca levar harmonia, alento e acolhimento aos profissionais e também aos pacientes.

Por trás das máscaras, das roupagens específicas e de todo o aparato de proteção, os profissionais de saúde atuam nas mais diversas áreas. São enfermeiros, médicos, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, farmacêuticos, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, profissionais da limpeza e outros, que diariamente se juntam nessa luta. “São profissionais que trabalham muitas horas, ficam com trajes pesados, passam por um processo muito cansativo e estressante”, ressalta Edilson.

Se a música emociona e traz conforto ao coração, dentro de um hospital com tantas vidas em jogo, não seria diferente. “Semana que vem, teremos uma pessoa cantando polca paraguaia, traremos também profissional que toca harpa, outro que toca violino... é um momento deles pararem, fecharem os olhos, darem uma respirada para terem força para continuar”.

Profissionais se reunem para levar música aos profissionais de saúde (Foto: Arquivo Pessoal)
Profissionais se reunem para levar música aos profissionais de saúde (Foto: Arquivo Pessoal)

Major capelão da reserva do CBMMS (Corpo de Bombeiros Militar de MS), Edilson atuou por 31 anos dentro da corporação. Hoje, tem no reconhecimento dos profissionais, dos pacientes e da comunidade a maior gratificação do seu trabalho. “Eles ficam emotivos, pedem outras músicas e participam com a gente”.

O projeto também traz rodas de conversas para os profissionais em todos os períodos, tanto matutino, quanto vespertino, quanto noturno. “Para dar um folego para os profissionais que lidam com a vida e a morte”.

“Cada pessoa internada no UTI covid é uma pessoa que alguém ama, uma pessoa com sonhos, e que depende do tratamento para ter uma melhora e um retorno para sua casa. Muitos não conseguem uma recuperação. Cada óbito de um paciente, é uma parte da nossa equipe que vai junto”, reflete Edilson.

São diversos profissionais que participam do projeto, inclusive bombeiros militares cedidos pelo CBMMS para integrar a equipe. O sargento Viana aprendeu a tocar saxofone com nove anos. Hoje, com 42 e mais de 30 anos de prática, trabalha há mais de 10 anos levando a música para dentro dos hospitais.

“Para nós, é uma experiência única e muito empolgante, pois a música é uma arte que exprime sentimentos por meio dos sons. São pessoas que também têm entes queridos, que os aguardam voltar para seus lares sem a manifestação do vírus”.

Como profissional do Corpo de Bombeiros, ele vê na música uma forma de motivação para os outros profissionais de saúde. “Quero levar a música para todas as pessoas que estão prontas para servir e nunca desistir de uma vida. Até porque é também o lema da corporação: vidas alheias e riquezas salvar”.

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