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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

01/04/2018 08:24

Campanha é chance de ajudar Joana, artista que precisa voltar a enxergar a vida

Joana tem sua obra em azulejos do Bairro Amarelo, na Alemanha, estampada após a derrubada do Muro de Berlim.

Thailla Torres
Essa é dona Joana, artista do povo indígena Kadiwéu, que está em busca de recuperar a visão. (Foto: Thiago Oliveira)Essa é dona Joana, artista do povo indígena Kadiwéu, que está em busca de recuperar a visão. (Foto: Thiago Oliveira)

Dona de uma garra impressionante e talento inegável, Joana de Almeida, precisa recuperar a visão. Ela tem catarata em estágio avançado e luta por uma cirurgia, sem previsão de ser feita no SUS (Sistema Único de Saúde). Por isso, o apoio tem vindo de amigos e pessoas que reconhecem a importância de Joana voltar a enxergar a vida como antes.

Artista kadiwéu, ela vive na aldeia Alves de Barros, em Porto Murtinho, a 431 quilômetros de Campo Grande. Perdeu a visão há poucos meses, em ambos os olhos e deixou de lado a arte que já levou o nome de Mato Grosso do Sul para o mundo.

Joana na aldeia Alves Barros. (Foto: Messias Basques)Joana na aldeia Alves Barros. (Foto: Messias Basques)

Joana passou a vida produzindo cerâmicas e desenhos. Como a história de muitas mulheres indígenas, o tempo passou e a arte dela nunca recebeu o valor comercial merecido, embora tenha viajado por vários países. 

Joana é uma das artistas indígenas que tiveram sua obra usada em azulejos do Bairro Amarelo, na Alemanha, após a derrubada do Muro de Berlim.

A transformação do bairro foi uma reivindicação dos próprios moradores que queriam a alegria da América Latina como nova identidade para a moradia. Mas em troca, Joana só ganhou uma passagem para ver longe daqui, uma de suas obras estampadas na parede.

Conversar com Joana na aldeia não é tarefa fácil, porque não há sinal de celular por lá. Quem deu voz a tudo que sabe da senhorinha é a doutoranda em ensino de Português para os Kadiwéu, Lilian Ayres, uma das pessoas que vem apoiando a campanha e conheceu a artista quando fez pesquisa com o povo Kadiwéu, em 2008. À época, um dos filhos de Joana ofereceu abrigo a Lilian que teve o prazer de conhecer a artista.

"Até que um dia, em janeiro de 2011, eu estava na casa dela fazendo minha pesquisa e ela me batizou. Assim me tornei a filha dela, que sempre me chama pelo nome indígena".

Recentemente Lilian visitou Joana na aldeia e presenciou as dificuldades da artista. "Foi muito triste visitá-la na aldeia, ver ela sentadinha na cadeira, quietinha e sem enxergar nada".

Hoje ela cuida dos netos e ainda divide o talento que tem com seu povo. "Sempre fez questão de passar tudo que o sabe para as filhas e as netas, com todas as argilas coloridas, para vender e ganhar um dinheiro".

Lilian diz que tentou não chorar, mas a emoção veio à tona diante do carinho de Joana. "Ela chorando, pegando no meu rosto, me lembrou muito a minha avó. Então comecei falar coisas alegres para ela, embora a situação seja lamentável, dizendo que estava com muita saudade e que tudo vai ficar bem", descreve.

Para salvar a visão de Joana, uma campanha é realizada pela internet até o dia 19 de abril, dia em que celebra o Dia do Índio no Brasil. Quem quiser ajudar a artista a enxergar novamente pode fazer uma doação pelo site, basta clicar aqui



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