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Comportamento

Câncer levou Janete antes do seu sonho, mas ela fez história em bairro

Tia Janete, merendeira famosa do José Abrão, não realizou seu maior sonho, mas mudou a vida de muitos

Por Thailla Torres | 08/06/2021 07:15
Janete, em 2017, durante entrevista para o Lado B. (Foto: Arquivo Campo Grande News/Marina Pacheco)
Janete, em 2017, durante entrevista para o Lado B. (Foto: Arquivo Campo Grande News/Marina Pacheco)

Em maio de 2017, Janete Constantino recebeu o Lado B em sua casa com esse sorriso simpático exibido na imagem acima. Ela, merendeira conhecida no bairro, contou sua história e revelou o sonho de construir dois quartos na casa simples onde sempre viveu no bairro José Abrão. Tia Janete, como era chamada, não teve tempo de realizar o sonho. Vítima de câncer, ela partiu no último domingo, mas fez história e transformou a vida de muita gente.

“Tia” da creche e merendeira na escola estadual Sebastião Santana Oliveira, Janete também ficou conhecida por criar a meninada no quintal de casa. Ela levava os pequenos para casa no final do dia, até os pais poderem buscar. O carinho, fez com que muito marmanjo batesse à sua porta para matar a saudade e saborear um prato de comida que ficou na memória.

Janete ao lado dos 4 filhos. (Foto: Arquivo Pessoal)
Janete ao lado dos 4 filhos. (Foto: Arquivo Pessoal)

Ela vivia em uma casa esquina, com as mesmas características desde quando o conjunto habitacional foi entregue, há mais de 30 anos. Seu maior sonho era construir mais dois quartos para abrigar confortavelmente a família. No entanto, o projeto não saiu do papel. “Infelizmente, o sonho não se realizou. Apesar de ter ganho alguns materiais, como areia e tijolos, e um projeto arquitetônico, nada saiu do papel”, conta o filho Josemir Constantino.

No entanto, para os filhos, Tia Janete ou Janetão, deixou história mais valiosa que qualquer quarto de alvenaria. “Minha mãe sempre foi turrona, oito ou oitenta. Se gostasse de você, ia fazer de tudo pra te agradar. Caso não gostasse, ia falar na sua cara que não foi com sua cara, mas mesmo assim te trataria bem. Janetão era única! Então o que fica é a empatia e o bom humor que sempre foram características dela”, descreve o filho.

Janete era uma mulher conhecida pela garra e bom humor. (Foto: Arquivo Pessoal)
Janete era uma mulher conhecida pela garra e bom humor. (Foto: Arquivo Pessoal)

Alegria era protagonista nos dias de Janete, por isso, nem pandemia e diagnóstico de câncer foram capazes de apagar o brilho no sorriso da merendeira.

“Descobrimos no dia 10 julho do ano passado o câncer. Os exames acusaram que o tumor estava no peritônio, já em metástase. Imediatamente começamos o tratamento com a quimioterapia, que após 6 sessões (uma a cada 21 dias) o tumor rescindiu tanto, que na consulta com o médico ele nos mostrou a tomografia que era de uma pessoa normal. Contundo o tumor voltou e, em abril desse ano, ela voltou para sessões de quimioterapia. Mas para a idade dela, as sessões judiaram muito dela”.

Sempre sorridente, para o filho Janete se despediu deixando uma lição de compromisso com a vida e o bom humor. “A mãe sempre foi fera de personalidade cativante, com uma afinidade absurda de fazer amigos por onde ia e até onde não ia. Nos orgulhamos de tudo, até das broncas”.

Janete deixou 4 filhos e 3 netos.

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