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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

25/01/2020 07:19

Clientes de Lúcio vão de bisa a médico que “socorre carro” de madrugada

No ramo da beleza, há 35 anos, o cabeleireiro transformou clientes em uma grande família

Danielle Valentim
Ao fundo, o médico Luiz Antônio que já o socorreu às 2h da madrugada. (Foto: Danielle Valentim)Ao fundo, o médico Luiz Antônio que já o socorreu às 2h da madrugada. (Foto: Danielle Valentim)

Essa poderia ser só mais uma história de cabeleireiro que mantém clientes desde o início da carreira, mas Lúcio Gavilan foi além. Nos últimos 35 anos, a aventura atrás da cadeira de salão arrasta bisavós e sua gerações, convence médico a sair de casa às 2h da madrugada para ajudá-lo com o carro e até o coloca como ouvinte de psicólogas.

Mais que atendimentos, Lúcio formou uma grande família, que sai da cadeira do salão e senta no bar, para conversar e confraternizar.

Nessas três décadas, Lúcio resistiu numa área de cheia de altos e baixos e nunca fechou as portas. Talvez esse seja o motivo de ter acompanhado o desenvolvimento de muitas famílias. Tudo começou aos 15 anos, quando teve a oportunidade de trabalhar em um salão e aprender o básico de um salão. Logo depois se especializou em São Paulo e retornou como profissional.

De todos esses anos, mais de 20 atuou ao lado de um sócio no Jardim dos Estados, mas agora reduziu o ritmo para atendimentos mais personalizados e somente por agenda, em um espaço colaborativo. “O salão funcionou muitos anos na Rua Brasil, se chamava Carlos e Lúcio. Carlos me incentivou muito. E eu não me via no Centro, mas hoje eu amo trabalhar aqui”, pontua.

Maria não abre mão dos atendimentos de Lúcio. (Foto: Danielle Valentim)Maria não abre mão dos atendimentos de Lúcio. (Foto: Danielle Valentim)
De escova pronta e sorriso no rosto. (Foto: Danielle Valentim)De escova pronta e sorriso no rosto. (Foto: Danielle Valentim)

Em toda essa caminhada, Lúcio somou grupos de clientes que envolvem quatro gerações. Maria Ney, de 85 anos, é uma delas, que toda sexta-feira tem horário reservado no salão, ao lado da filha, netas e bisnetas. Um imprevisto não deixou todas se reunirem para uma foto, mas bisa e avó falaram com o Lado B.

“Nossa, eu mesma já perdi as contas de quanto tempo sou atendida por Lucio. Além de cabeleireiro, ele se tornou um amigo do coração. Eu sempre venho, mas na recuperação de um AVC e um derrame, ele me atendia em casa. Eu fui muito na Rua Brasil, Antônio Maria Coelho e agora aqui”, conta.

Vânia e um dos netos. A psicóloga diz que Lúcio ganhou sua confiança pelo profissionalismo. (Foto: Danielle Valentim)Vânia e um dos netos. A psicóloga diz que Lúcio ganhou sua confiança pelo profissionalismo. (Foto: Danielle Valentim)
Médico Luiz Antônio, é considerado um pai, por Lúcio. (Foto: Danielle Valentim) Médico Luiz Antônio, é considerado um pai, por Lúcio. (Foto: Danielle Valentim)
Vânia Ney, filha Andreia e as netas Giovana e Isabela. (Foto: Arquivo Pessoal)Vânia Ney, filha Andreia e as netas Giovana e Isabela. (Foto: Arquivo Pessoal)

Filha de Maria, a psicóloga Vânia Ney conta que quando voltou do Paraná, em 1991, foi apresentada a Lúcio por uma colega de consultório do esposo. Desde então, ele nunca mais saiu da família e realizou todos os primeiros cortes de seus netos.

“Eu acredito que qualquer relação com profissional tem de haver confiança, a ponto de você se sentir segura de contar as coisas que acontecem com você, sejam elas boas ou ruins. E sempre que venho saio com outro astral. Eu tenho muito vivo na memória, ele arrumando meu cabelo para a formatura do 3º ano do meu primeiro filho, que hoje tem 40 anos. Nesse tempo fomos andando atrás dele e saiu uma relação de amizade. Hoje nós saímos todos juntos para conversar e tomar uma cerveja”, explica.

A filha de Vânia mora em Camapuã e as netas, de 4 e 9 anos, já amam se arrumar no “tio Lúcio”. Além das confidências, a psicóloga conta que confia no trabalho do cabeleireiro. “Em todo esse tempo já pintei meu cabelo com as cores da paleta inteira. Uma vez estava com o cabelo escuro e ele propôs uma mudança e quando ele me virou no espelho eu estava totalmente loira. Então, eu acho que você só entrega quando confia e sabe que ele fará algo que você se agrada”, ressalta.

O médico Luiz Antônio Moreira da Costa está entre os clientes que são parte da família. E quando se fala em parceria, “Tonhão” como é chamado por Lúcio, já saiu da cama na madrugada para socorrer o carro do cabeleireiro.

“Realmente, a relação profissional e clientes. Se tornou uma relação de amizade, que já dura 29 anos. Conhecemos a família dele, mãe, irmãos, esposa, sobrinhos. Basta ter um motivo que estamos juntos. Toda semana nós saímos, vamos a um barzinho para tomar uma cervejinha. Ele diz que eu sou o “pai” dele, porque já teve dia que eu estava dormindo em casa e ele me ligar: Tonhão, me acode aqui que meu pifou”. Isso às 2h da manhã e lá vai eu ajudar mexer e fazer funcionar o carro e olha que eu nem sou mecânico”, relembra.

Lúcio e seus clientes. (Foto: Danielle Valentim)Lúcio e seus clientes. (Foto: Danielle Valentim)
Chá da tarde preparado pela esposa do cabeleireiro. (Foto: Danielle Valentim)Chá da tarde preparado pela esposa do cabeleireiro. (Foto: Danielle Valentim)

Casado há 15 anos, Lúcio não deixa de falar do apoio que recebe da esposa Nívia. Culinarista é ela quem prepara algumas receitas servidas no salão. “Nesses 35 anos passei por altos e baixos, crises financeiras mesmo e meu alicerce sempre foi minha família e minha esposa. Tenho uma filha e meu netinho, então gosto de curti-los, não tenho mais aquele ritmo de salão e minha carta de clientes é selecionada”, conta.

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