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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

19/06/2017 06:05

Com fama de fujão, Apolo é o cachorro que promove amizade entre os vizinhos

Na base da fofura, ele chegou para promover a união entre moradores do Giocondo Orsi

Thailla Torres
Apolo tem fama de fujão, mas é alegria dos moradores que conheceram por conta dele.Apolo tem fama de fujão, mas é alegria dos moradores que conheceram por conta dele.

Quando tocamos a campainha para confirmar a fama do vira-lata Apolo, no bairro Giocondo Orsi, a dona nem esperou a reportagem se identificar. Denise Barros Zandrino, de 57 anos, correu ao portão acreditando que o cachorro havia fugido pela milésima vez. "Sinceramente? Achei que era mais um vizinho trazendo o Apolo pra mim", sorriu aliviada.

A mania de fugir acabou transformando a vida da professora, após 26 anos morando na mesma rua. Em tempos que o muro alto quase não permite um diálogo entre vizinhos, Apolo chegou para promover a união entre eles.

O cãozinho é bem conhecido pela fama de simpático, conquistou muitos moradores na base da fofura. Mas pelos donos é também conhecido como o fujão da família. E não há jeito. Todo mundo da casa já tentou educar, mas quando Apolo encontra o portão aberto, ele só volta depois de muito passear pelo bairro.

Denise passou a conhecer os vizinhos por conta do cachorro fujão.Denise passou a conhecer os vizinhos por conta do cachorro fujão.

"Moro aqui todo esse tempo e nunca tinha conhecido tanto morador desde que o Apolo chegou nessa casa. Toda semana são vários vizinhos que param aqui em casa para devolver ele, que já andou no carro de muita gente", conta Denise.

Entre os casos, a professora já fez boas amizades. "Agora conheço muita gente, algumas já viraram amigas, perguntam como a gente está e rola aquele diálogo que antigamente era natural entre a vizinhança".

Mas ao mesmo tempo, a situação deixa Denise apreensiva. "Toda vez que vamos sair com o carro, preciso prender ele na coleira. Eu não gosto, porque acho que cachorro nasceu pra correr mesmo. Mas eu me preocupo com os carros e também tenho receio de um dia ninguém devolver".

Em uma das fugas de Apolo, a dona chorou por três meses sem notícias do cão. "Um dia ele fugiu e quando eu percebi ele já estava longe, mas eu sabia que ele iria voltar, só que justo naquele dia ele não voltou". 

Depois de vários cartazes pelo bairro e em comércios, finalmente, a família teve notícias de Apolo. "Um casal encontrou ele na rua e levou embora, acreditando que ele estava perdido. Como não sabiam de quem era, ficou difícil a localização. Mas quando eles foram na padaria e encontraram o cartaz, vieram nos devolver".

Apolo só espera uma brecha no portão. Apolo só espera uma brecha no portão.

A paixão por Apolo foi tanta que as pessoas voltaram na casa de Denise só para visitá-lo. "Eles vinham aqui só para fazer carinho e conversar com ele", conta. 

Apolo foi adotado há três anos, depois que a filha de Denise encontrou uma cadela parindo na rua. "Ela reuniu todas as amigas e cada uma ficou com um cachorro. E aqui em casa foi paixão a primeira vista por ele". 

Recentemente, ainda mais agitado, Apolo sente falta da filha de Denise. "Ela foi morar fora e ele anda todo sentimental pela casa. A gente brinca, joga a bolinha no telhado que ele adora, mas o bichinho sente saudade também".

A energia é tanta, que Denise não aguenta levá-lo na coleira. "Ele me arrasta e eu sinto muitas dores no braço. É quase impossível", afirma.

Dona Solange comemora a nova amizade.Dona Solange comemora a nova amizade.

Do outro lado da rua, dona Solange Gomes Bezerra, de 61 anos, até apelidou o cãozinho. "Ele é o assistente social da rua", brinca.

Acostumada a limpar a calçada diariamente, Apolo é o sinal para Solange se recolher em casa. "É incrível o tanto que ele é bonzinho com a gente. Toda vez que ele está passeando aqui na rua, ele late quando vê alguém estranho e eu já sei que tenho que entrar na casa". 

Moradora de anos do Giocondo Orsi, Solange comemora a amizade com Denise por conta do cão. "Antes da Denise conhecer a minha casa, o Apolo já conhecia. E depois disso acabamos ficando amigas", conta.

Morando a uma quadra de Denise, o vizinho Osman Rego Lino, de 92 anos, aproveita a caminhada matinal para fazer um carinho em Apolo. "Eu passo sempre ali e fico brincando um pouquinho. Ele traz a bolinha pra mim no portão. Quando ele some, eu fico triste, porque todo mundo conhece ele".

Até na padaria da esquina ele é reconhecido e ganhou a admiração dos clientes. "Acho que ele é único cachorro que ninguém reclama de ficar no caminho. Todo mundo cuida dele", afirma a proprietária Nádia Cristina.

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De roupinha é todo charmoso. (Foto: Marcos Ermínio)De roupinha é todo charmoso. (Foto: Marcos Ermínio)
Denise não se cansa de pegar o cãozinho no colo e levar para casa. (Foto: Marcos Ermínio)Denise não se cansa de pegar o cãozinho no colo e levar para casa. (Foto: Marcos Ermínio)


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