A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

16/07/2018 08:23

Dez anos depois, ocupação da reitoria da UFMS é comemorada com reencontro

Acadêmicos que na época ficaram 18 dias ocupando a reitoria da universidade se reencontraram na noite do último sábado.

Willian Leite
A festa dos dez anos de ocupação da reitoria da UFMS não superou expectativas. (Foto: Willian  Leite)A festa dos dez anos de ocupação da reitoria da UFMS não superou expectativas. (Foto: Willian Leite)

Foi com festa tímida que os ex-acadêmicos que participaram de uma das principais ocupações na reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em 2008, relembraram o momento considerado histórico para os alunos da instituição. Na noite do último sábado (14), cerca de 25 pessoas estiveram na sede do Sindjor (Sindicato dos Jornalistas Profissionais de MS) e conversaram sobre o ato que ficou marcado na memória de quem participou.

Há 10 anos, os acadêmicos se uniram e montaram uma espécie de acampamento no prédio da reitoria pela paridade na eleição para a reitor da instituição. "Queríamos ter voz e isso não acontecia, então nos juntamos e ficamos 18 dias esperando uma posição do reitor que época era o professor Manoel Catarino Paes Peró", explica Lincon Garcia Silva, de 30 anos, ex- aluno e membro do movimento que ocupou o prédio.

O evento criado no Facebook teve muitas confirmações nas redes sociais, mas poucos apareceram no festa. Quem chegava, na sequência ia embora,. Mas os que ficaram aproveitaram para avaliar os avanços e retrocessos desde a ocupação.

"O maior fruto que ficou daquela manifestação foi a união dos cursos, ninguém queria se juntar para revindicar e hoje quando conversamos com os acadêmicos que estudam na Federal eles afirmam que até o movimentos das atléticas está mais forte e isso foi depois que fizemos o manifesto na reitoria", explica o sociólogo Robson Souza, de 33 anos, que veio de Corumbá, onde mora atualmente, para reencontrar os colegas.

Lincon e Robsom ex-acadêmicos e que participaram da ocupação. (Foto: Willian Leite)Lincon e Robsom ex-acadêmicos e que participaram da ocupação. (Foto: Willian Leite)

Na festa de comemoração dos dez anos, todos eram bem vindos, até quem ingressou muito depois das manifestações. "Eu entrei em 2013 e o pessoal do curso já não tinha voz, os alunos sempre se demonstravam condescendentes com as situações que passávamos. Na eleição para diretor de curso nós elegemos um nome e depois descobrimos que outro professor que nem havia tido muitos votos foi efetivado, o que demonstra que o aluno contnua sem voz", avalia o acadêmico do curso de Engenharia Elétrica, Mateus Estevan, de 22 anos.

Os alunos em 2008 também lutavam para que o Restaurante Universitário fosse reativado, porque naquele tempo estava fechado. "Uma de nossas exigências era que o RU fosse reaberto e que a comida fosse vendida a um preço que os alunos tivessem condições de pagar. Conseguimos, mas com os anos ficamos sabendo que tudo voltou como era, a qualidade caiu e hoje os acadêmicos reclamam muito".

Avaliações a parte, a nostalgia tomou conta da reunião e os antigos alunos relembraram tudo que passaram na época em que acamparam na reitoria. "Me Lembro que daquela ocupação saiu o único debate público entre os candidatos a reitoria da instituição", diz Robson.

Outro fato que marcou foi a criação de algumas bandas durante o ato. "Todos os dias fazíamos sarau, e Dom Braz, Curimba e Louva Dub nasceram daquela manifestação", diz Lincon.

Na festa, as comissões que precisaram ser criadas para organizar o movimento também foram lembradas, de alimentação, mobilização, segurança e jurídica. "Na época fomos obrigados a criar esses grupos para que não fossemos marginalizados, porque o movimento tomou uma proporção que não podia sair do controle e principalmente a comissão de alimentação e segurança foram fundamentais para que ficássemos todos aqueles dias ali", diz um dos ex-acadêmicos.

O objetivo era confraternizar, mas não teve como não lembrar da luta que tiveram na época e que segundo eles se perdeu com o passar do tempo"Não tem como não olhar para a UFMS, nós fizemos história lá e agora vemos que não há representatividade e isso nos deixa muito triste", lamenta Robson que cursava sociologia.

 

Curta o Lado B no Facebook e Instagram.

 

Na varanda do Sindjor, ex-alunos que participaram da festa dos dez anos da ocupação da reitoria da UFMS. (Foto: Willian Leite)Na varanda do Sindjor, ex-alunos que participaram da festa dos dez anos da ocupação da reitoria da UFMS. (Foto: Willian Leite)


imagem transparente

Classificados


Copyright © 2018 - Campo Grande News - Todos os direitos reservados.