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Comportamento

Dia dos avós é celebrado pela casa inteira através de fotografias

Para avós que estão mais de 140 dias isolados, fotos amenizam a distância imposta pela pandemia e celebram o dia deles

Por Thailla Torres | 26/07/2020 07:25
Eva ao lado de uma das netas durante ensaio fotográfico. (Foto: Bia Terra Fotografia)
Eva ao lado de uma das netas durante ensaio fotográfico. (Foto: Bia Terra Fotografia)

A professora Eva Mazini, de 63 anos, sempre foi uma mulher apaixonada por fotografias. Mas foi a saudade dos netos durante a quarentena que a colocou na frente de um monte de porta-retratos para decorar a casa e amenizar a saudade, mais do que em qualquer outro momento da vida.

Neste domingo, 26 de julho, quando é celebrado o Dia dos Avós, as imagens registradas que colocam a professora ao lado de todos os netos numa conjunção de sorrisos, abraços, histórias e mãozinhas sensíveis são a melhor maneira que ela encontrou de amenizar a distância imposta pela pandemia e celebrar seu dia com um amor que não tem medida.

“Eles estão presentes no meu dia a dia através de mensagens nas redes sociais, chamadas de voz e de vídeo, e até de cartas à moda antiga. Estão presentes nas fotos espalhadas na casa inteira, nos livros que cada um tem na nossa biblioteca, nos desenhos e lembrancinhas que fazem pra mim, nos pratinhos, talheres e copos individuais, nas roupas que mantem aqui, enfim, estão sempre em todos os lugares”, descreve a professora.

Claro que nada disso substitui o abraço apertado, os beijos molhados, o dormir de conchinha, as sessões de filmes na TV acompanhados de pipoca, o acampamento na sala, o brincar de esconde-esconde, o cantar a plenos pulmões as músicas preferidas, mas reforça a esperança e “a certeza de que atravessaremos juntos essa fase e sairemos dela mais fortes, mais unidos e mais apaixonados”, acrescenta Eva.

Registro da família ameniza saudade da professora durante isolamento. (Foto: Bia Terra Fotografia)
Registro da família ameniza saudade da professora durante isolamento. (Foto: Bia Terra Fotografia)

Para ela ser avó é um presente. “Uma bênção que chega assim de repente e nos dá a chance de renascer, de voltar a brincar, sentar no chão, andar descalço, correr, fazer extravagâncias como tomar sorvete antes das refeições! Credo, que delícia!”

Como mãe admite que era bem mais severa. Tinha que conciliar a educação e os cuidados com os filhos (quatro meninos) com o trabalho fora e dentro de casa. Tinha a preocupação de educar e disciplinar. “Claro que foi maravilhoso, mas ser avó, pelo menos no meu caso, é ficar só com a parte boa.”

E em tempos de pandemia, Eva acredita que ser avó, significa que mesmo em isolamento social, não está só. “Temos uma história construída e motivos para querer sair dessa pandemia vivos e saudáveis, com muita coisa boa para viver! Além da tempestade, alguém espera por nós. Dias melhores virão.”

Por isso, antes do isolamento, ela decidiu fazer o ensaio que hoje colore cada cantinho da casa. “Gosto muito de fotografia e quis eternizar essa fase da nossa vida. E porque sou uma avó “coruja” e eles são os netos mais lindos do mundo. Quero fazer muitos outros ensaios. Essas fotos estão sendo muito úteis nesse tempo de isolamento. Vejo e torno a ver todos os dias. Um dia muito feliz.”

Humberto e Maria estão há 141 dias isolados e celebram Dia dos Avós com muita saudade. (Foto: Bia Terra Fotografia)
Humberto e Maria estão há 141 dias isolados e celebram Dia dos Avós com muita saudade. (Foto: Bia Terra Fotografia)

Contando os dias – Hoje completa 141 dias que o avô pra lá de simpático Humberto Ferreira de Melo, 65 anos, e sua esposa Maria Angela Barbosa Melo, 79, não dividem o sorriso com a família e nem sentem o calor dos netos junto ao corpo a cada abraço de domingo. Totalmente isolados desde o dia 13 de março, também, por causa da pandemia, eles têm como abraço as fotografias pela casa.

“A gente sente muita saudade deles, mas é o melhor para nós e o melhor para eles. A situação está muito séria e muitos não levam isso em consideração. Para nós, não há outra alternativa. O que aquece nossos corações é saber que eles estão sempre presentes de alguma maneira”, descreve Maria.

Para eles são 9 netos, 9 histórias e uma saudade que já ultrapassou os limites. “Um neto é um renascimento na vida de dois avós. Nós tivemos cinco filhos absolutamente maravilhosos, mas a vida passou muito rápido, eles cresceram, amadureceram, e os netos chegaram como uma nova realização, com mais tempo para acompanhar e aproveitar de perto cada detalhe novo na vida.”

Atualmente ninguém entra na residência do casal, são os netos que fazem as compras. E a saudade é diminuída com sorrisos, acenos na porta e, claro, fotografias. “Eles já tiveram uma crise de saudade, estão sempre publicando fotografias, especialmente a Beatriz, nossa neta fotógrafa que dá muito valor a esses registros.”

Mas Humberto e Maria garantem que estão segurando as pontas graças ao amor, justamente para que os netos que continuem a ver a vida mais colorida ao lado dos avós, com o aroma da comida de vó aos fins de semana, a risada espontânea e o abraço que tanto aquece, de quem trata como bebê, mesmo que os netos já tenham amadurecido tempo demais.

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Foto da união da família antes do isolamento social. (Foto: Arquivo Pessoal)
Foto da união da família antes do isolamento social. (Foto: Arquivo Pessoal)