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Comportamento

Dois meses após a partida, saudade de Tiago ganha campo, bola e chope

Amigos se reuniram em torneio para celebrar o “Bom Sujeito” e manter vivo o jeito de viver que ele ensinou

Por Clayton Neves e Inez Nazira | 07/09/2026 08:03
Dois meses após a partida, saudade de Tiago ganha campo, bola e chope
Motim, time de futebol amador, entrou em campo para homenagear o Bom Sujeito. (Foto: Inez Nazira)

Dois meses se passaram desde a morte de Tiago Pitthan, o advogado que emocionou o Brasil ao decidir fazer um “velório em vida” durante a luta contra o câncer. No entanto, a saudade continua aparecendo no meio da rotina. Está nas fotos que surgem no celular, nas histórias que ainda são contadas entre amigos e na falta que faz o sujeito que estava sempre pronto para qualquer coisa.

 Neste domingo, a saudade ganhou um campo de futebol. Amigos de Tiago se reuniram em um torneio organizado pelo Motim Futebol para homenagear o advogado, que ficou conhecido como “Bom Sujeito”.

A ideia foi lembrar quem ele foi, mas também fazer a homenagem do jeito que ele provavelmente gostaria, com futebol, música, chope e muita gente querida por perto.

Dois meses após a partida, saudade de Tiago ganha campo, bola e chope
Mesmo com o frio de domingo, amigos compareceram em peso para a partida. (Foto: Inez Nazira)

“Ontem completou dois meses da partida do Tiago, e ele continua inspirando muita gente”, conta a jornalista Débora Bordin, 49 anos, uma das amigas dele.

Para ela, o encontro mostra que a história do advogado não terminou com a morte e continua sendo lembrada por quem conviveu com ele. “Ele faz muita falta. Se a gente parar para pensar, dá vontade de chorar, a voz embarga um pouco. Mas a vida é isso. Ele teve uma passagem muito linda por aqui”, afirma.

Tiago gostava de viver, de festa, dos amigos e de aproveitar os momentos que tinha. Nos últimos anos, especialmente durante a luta contra o câncer, passou a repetir ainda mais a ideia de que “a vida é hoje”, algo que acabou ficando como legado entre os amigos.

“Ele falava que a vida é hoje, que a gente tem que viver enquanto está aqui, fazer as pessoas felizes e sorrir com elas. E ele sempre fez isso”, lembra Débora.

Dois meses após a partida, saudade de Tiago ganha campo, bola e chope
Antes de partir, Tiago se reunia com os amigos para partidas de futebol, esporte pelo qual era apaixonado. (Foto: Inez Nazira)

O torneio também era uma vontade antiga. O grupo de amigos já realizava encontros de futebol e chegou a pensar em fazer uma competição enquanto Tiago ainda estava vivo. Não deu tempo.

Depois da morte, a ideia voltou. “Às vezes, depois de uma morte, a gente acaba deixando as coisas para depois. O pessoal até tinha pensado em fazer o torneio enquanto ele estava vivo, mas ainda não tinha conseguido”, conta Ítalo Milhomem, 40 anos.

Foi então que os amigos decidiram fazer o campeonato em homenagem a ele.“Esse torneio é para homenagear o que ele pensava, o que ele defendia e o que compartilhava com os ideais do clube”, explica Ítalo.

O futebol fazia parte da história de Tiago com aquela turma. Ele jogava com os amigos aos domingos, acompanhava os jogos fora de casa e ainda incentivava a criação de um time de veteranos.

Dois meses após a partida, saudade de Tiago ganha campo, bola e chope
Thiago fez um velório em vida durante a luta contra o câncer e partiu há dois meses. (Foto: Juliano Almeida)

“Ele era muito parceiro. Estava pronto para todas, qualquer coisa que você chamasse ele”, conta Leonardo Araújo, 42 anos.

Por isso, colocar a homenagem dentro de um campo fazia sentido. “Vamos jogar futebol, vamos tomar um choppinho, e tudo que ele gostava, ouvir uma boa música com os amigos”, resume Leonardo.

A homenagem também reuniu pessoas que conheceram Tiago em diferentes momentos. Agarano Alves, 67 anos, por exemplo, foi professor de Física dele na escola. Na época, os dois já dividiam a paixão pelo futebol. Eles jogaram pelo time da escola e, anos mais tarde, voltaram a se encontrar no esporte.

 “Ele sempre foi um aluno aplicado, participativo das coisas, e não deixou isso de lado. O legado que ele deixa é o da bondade, do companheirismo. Ele sempre foi uma pessoa muito especial”, diz Agarano.

Para Ítalo, talvez seja impossível falar em ausência completa, pois Tiago continua aparecendo nas pequenas coisas. “O luto é difícil. A gente viveu muito junto, então sempre aparecem imagens, fotos e recordações no celular. De alguma forma, ele continua presente na nossa vida”, finaliza.

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