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Comportamento

Em 24 horas, as lições de uma estante solidária emocionam Simone

Dona de farmácia criou estante solidária para ajudar pessoas na pandemia, mesmo depois de ouvir críticas

Por Thailla Torres | 21/05/2020 06:55
Simone Dagher Arce Queiroz disse que a ideia é “motivar a empatia” da comunidade durante a pandemia do novo coronovírus. (Foto: Paulo Francis)
Simone Dagher Arce Queiroz disse que a ideia é “motivar a empatia” da comunidade durante a pandemia do novo coronovírus. (Foto: Paulo Francis)

Duas empresárias, no bairro Silvia Regina, em Campo Grande, resolveram criar uma prateleira solidária para fornecer alimentos para quem não tem dinheiro para comprar. Simone Dagher Arce Queiroz disse que a ideia é “motivar a empatia” da comunidade durante a pandemia do novo coronavírus.

Até esta quarta-feira (20), Capital tinha 194 casos confirmados da doença. Segundo a Secretaria de Estado de Sáude (SES), Mato Grosso do Sul tem 693 casos da covid-19.

Simone, que é sócia de uma farmácia na rua Capibaribe, conta que teve a ideia depois que ela e a sócia Luíza Lauer Cordonet viram uma farmacêutica fazendo a mesma estante em Guia Lopes da Laguna, interior do Estado. Para ela, o objetivo foi ajudar famílias da região que estão sem ter o que comer.

“Não fechamos nenhum dia da pandemia, somos considerados um serviço essencial. Mas, muitas pessoas tiveram seus salários reduzidos, outras ficaram desempregadas e, de fato, elas não têm dinheiro para comprar uma verdura, um arroz, um feijão, por exemplo” explica Simone.

Para montar a prateleira ela não precisou de muito, Simone e Luíza instalaram um modelo que já tinham na farmácia e colaram alguns cartazes explicando o movimento. Juntas compraram alguns mantimentos e criaram pequenas cestas com alimentos para que mais pessoas fossem beneficiadas. Algumas frutas e legumes foram doados de um sacolão próximo à farmácia, até com data de quando foi embalado.

Alimentos estão disponíveis para quem precisa e estante pronta para receber doações. (Foto: Paulo Francis)
Alimentos estão disponíveis para quem precisa e estante pronta para receber doações. (Foto: Paulo Francis)

Lições - Depois, as duas só esperaram o primeiro morador para pegar o alimento. Simone notou que muita gente está sem dinheiro para comprar um item básico, como o arroz.

Para que ninguém ficasse sem alimento por um dia, Simone deixou um recado sincero para que cada um pegasse o necessário, justamente com intuito de fazer o cidadão pensar no outro. É claro que isso não deu certo 100%, ela diz que viu morador conhecido que trabalha e não estava precisando pegar uma, duas, três vezes o alimento na prateleira. “Com essa pessoa, educadamente, eu conversei e expliquei o objetivo da ação”.

Essa foi uma das lições para Simone que antes de pensar em fazer a prateleira no estabelecimento comercial ouviu muita crítica. “A primeira coisa que a gente escuta é que o brasileiro tem o que merece já que é corrupto, que rouba ou faz mal. Mas eu não penso assim. E as pessoas que fazem o bem? Imagina se todas as pessoas pararam hoje de fazer o bem? Aí sim a gente veria o caos. Então não dá pra desistir”.

Por outro lado, o sentimento de partilha é principal lição que Simone levou para casa em 24 horas. “A maioria das pessoas pegou o necessário e foi feliz para casa. Isso nos deixou muito feliz. Mas, teve uma senhora em especial que me surpreendeu, me fez ficar emocionada”, diz.

Ela conta que a senhorinha chegou à farmácia dizendo que não tinha alguns alimentos em casa, pediu alguns itens e levou embora. Minutos depois a mulher a reapareceu com uma sacola de mantimentos. “Ela ofereceu os alimentos que ela tinha em excesso em casa e não usaria naquele dia, nem naquela semana, e queria dividir com a estante. Isso encheu nosso coração de esperança. O sentimento de partilha tocou o coração dessa senhora”.

Com isso, nem a triste tradição de escândalos envolvendo políticos, comunidades e cidadão comuns que realizam operações fraudulentas no cotidiano afetam a vontade das duas empresárias de contribuírem com o que podem, uma forma, também, de não se acostumarem com o egoísmo, falta de respeito, a ausência de direitos sociais e nem se tornarem indiferentes ao sofrimento do outro.

“Nós trabalhamos o dia inteiro, temos a nossa rotina em casa e outros compromissos, essa foi a maneira que a gente encontrou de ajudar com o que temos”, finalizamos.

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