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Comportamento

Exaustão fez Ilza abraçar sanfona e salvar a vida de músicos idosos

Intuito é colocar em cena artistas e anônimos que já não vivem boemia de bares e clubes

Por Natália Olliver | 10/07/2024 06:19
Ilza Feitosa Nogueira abraça instrumento que a salvou da depressão (Foto: Juliano Almeida)
Ilza Feitosa Nogueira abraça instrumento que a salvou da depressão (Foto: Juliano Almeida)

A exaustão no trabalho fez com que Ilza Feitosa Nogueira, hoje com 72 anos, deixasse para trás a rotina cansativa no setor da saúde e se apegasse à sanfona para conseguir viver. Após um período de depressão, a ideia de um grupo para tocar o instrumento que ela já dominava salvou os dias da idosa, que hoje gerencia um projeto social voltado à músicos da terceira idade no bairro Estrela do Sul, em Campo Grande. A ideia é incluir aqueles que já não vivem a boemia dos bares e salões de festas da Capital.

Nascida em berço de músicos, Ilza iniciou a carreira musical aos treze anos, no sítio da família, o pai era violeiro e o tio sanfoneiro. As filhas também seguiram no ramo musical.

"Acho que nasci dentro de uma sanfona. Não tem palavras pra descrever o que ela representa. Amo de paixão. Ela é a minha companhia depois de Deus e meus filhos".

A instituição cultural “Origens e Raízes” aconteceu após o quiropraxista incentivar Ilza a ocupar o tempo com a música que ela tanto gostava. “Em 2010 tive problema de saúde e depressão, fui hospitalidade de tanto trabalhar, fui internada por 20 dias, cansaço físico e mental. Tive que me aposentar e não queria parar para não ficar ociosa. Eu fiquei três anos dentro de casa, resolvi procurar algo pra pegar o gancho pela vida. Ele me orientou a juntar pessoas e fazer um sarau, isso me impactou”.

Sanfoneira Ilza Feitosa Nogueira mantem esperenaça devido ao projeto (Foto: Juliano Almeida)
Sanfoneira Ilza Feitosa Nogueira mantem esperenaça devido ao projeto (Foto: Juliano Almeida)

Os primeiros encontros foram em um grupo de orações do bairro, em 2012. Ao todo, eram cinco músicos. Na ocasião, eles tocaram o que Ilza explica ser uma sinfonia de três vozes. Com o passar do tempo, a aposentada passou a se aprofundar no assunto e o que começou como um sarau se transformou em Instituição.

“É um projeto cultural e social que existe há 11 anos. A sanfona me deu esse projeto. Trabalho com a inclusão, dando palco e o espaço necessário para o músico idoso e talento anônimo.A beleza da ideia é muito linda. Eu Inseri a sanfona e violão para resgatar vidas através da música”.

Ela comenta que também pensou nas esposas dos músicos e inseriu um curso de artesanato direcionado. O intuito é que durante as apresentações as mulheres consigam comercializar os itens.

Sanfoneiros Ilza Feitosa Nogueira e Adão Cristiano Ortt (Foto: Juliano Almeida)
Sanfoneiros Ilza Feitosa Nogueira e Adão Cristiano Ortt (Foto: Juliano Almeida)

“A esposa do músico não conta com o dinheiro vindo dele, principalmente o músico idoso. Ele não é remunerado pra isso. A maioria quer ver tocar mas sempre sem remuneração. A sociedade não enxerga o músico idoso, não sei porquê. Eu trabalho com a inclusão, quero devolver à sociedade essa pessoa que já contribuiu muito com a história da música sul-mato-grossense. São músicos que não têm acesso aos editais e nem aos clubes”.

Encontros e custos

Para participar Ilza comenta que é necessário apenas ter interesse nas músicas, no sertanejo regional raiz e Chamamé. As aulas são gratuitas e ministradas com a presença voluntária do amigo Adão Cristiano Ortt, ex- sanfoneiro da Dama do Rasqueado, Delinha. Os encontros acontecem na Associação de Moradores do bairro Estrela do Sul e na casa da aposentada no mesmo bairro.

Ela conta que todos os instrumentos - 11 sanfonas e 20 violões - , foram angariados através do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). Apesar de um trabalho voluntário, ela explica que os custos do projeto são de R$ 1.200 mil reais por mês. O dinheiro é destinado ao aluguel de som, transporte de mesas e cadeiras, pagamento da Associação de moradores.

“Como não tenho verba pública para fazer essas aulas, ofereço na minha casa com meus recursos. Eu ganhei os violões em 2016, e as sanfonas em 2020. Esses instrumentos são caros e não são acessíveis às camadas populares.

Ao todo, 80 pessoas participam do projeto. São 15 alunos de violão e até 7 alunos de sanfona, fora o pessoal dos encontros. "Eu devo tudo ao Adão, que dá as aulas. Peço apenas R$10,00 por aula de quem faz o curso de sanfona pra custear a gasolina dele".

Ilza nasceu em berço de músicos e sempre teve amor pela sanfona (Foto: Juliano Almeida)
Ilza nasceu em berço de músicos e sempre teve amor pela sanfona (Foto: Juliano Almeida)

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