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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

23/01/2017 07:10

Fernando não voltou da viagem que apagou os sonhos de um guitarrista talentoso

Thailla Torres
Fernando era conhecido pelo talento como barbeiro e músico em Campo Grande. (Foto: Reprodução Facebook).Fernando era conhecido pelo talento como barbeiro e músico em Campo Grande. (Foto: Reprodução Facebook).

Fernando Oliveira de Freitas, de 35 anos, estava em um dos lugares que mais adorava: a praia. Mas os quatro dias, que pareciam ser de alegria, foram interrompidos pela angústia do desaparecimento dele no mar do Paraná. Quando a pior notícia finalmente chegou, já tinham partido os sonhos do amigo querido e profissional admirado pelo talento na música e na barbearia.

Na sexta-feira, um show no bar Holandes Voador foi a homenagem ao guitarrista que durante 8 anos tocou na banda Secondfase.

O vocalista Renato Alencar, de 32 anos, fala da admiração pelo amigo. "Não é porque ele se foi, mas para quem está na cena underground de Campo Grande e dentro do estilo hardcore, Fernando era um dos caras mais talentosos. Ele fazia e acontecia na música, tirava um som como ninguém em questão de minutos.

O sujeito conhecido pelo bom humor deixou nos amigos a vontade de continuar tocando. "Apesar da tristeza, a gente vai tocar por ele, tenho certeza que onde ele estiver, era na música que ele gostaria sempre de estar", diz Renato.

 Fernando deixou a namorada, três filhos, e muitas dúvidas sobre as circunstâncias da sua morte.

A voz da irmã Juliana de Freitas, 37 anos, é interrompida pelo choro ao recordar as últimas palavras do irmão enviadas pelo celular, e que descreviam a emoção de estar na praia. "Esse lugar é surreal", reproduz. Ela conta que no último contato feito, no dia 8 de janeiro, Fernando disse que pegaria um táxi para ir até rodoviária. Antes, que teria deixado a mala e os objetos pessoais em uma conveniência de um cara muito ''legal'', para passear na praia e se despedir.  

"O último contato foi por volta das 19h35. Quando foi 23h mandei mensagem pelo Whatsapp, ele não visualizou, mas a mensagem foi entregue, até então ele estava com internet. Ele afirmou que viria embora para trabalhar. Mas na segunda-feira, sem contato, minha mãe ligou para saber dele. O guarda do condomínio disse que havia visto o meu irmão na cidade, então ficamos tranquilas. Mas provavelmente ele se confundiu".

 

Fernando ao lado dos amigos e integrantes da banda Secondfase, em que foi guitarrista durante 8 anos. (Foto: Reprodução Facebook)Fernando ao lado dos amigos e integrantes da banda Secondfase, em que foi guitarrista durante 8 anos. (Foto: Reprodução Facebook)

No trabalho, ele também não havia aparecido e a preocupação aumentou. "Imaginamos que ele estivesse com alguém. Meu irmão era uma pessoa incrível, conquistava as pessoas, tentamos não pensar no pior. Mas quando ele não apareceu, fomos até a delegacia registrar boletim sobre o desaparecimento".

O corpo de Fernando foi encontrado na praia no dia 9 de janeiro, mas a família só teve notícias no dia 17. Pela internet, um dos parentes leu a notícia que um corpo havia sido encontrado no balneário de Matinhos, no litoral do Paraná.

Agora a família vive a angústia de conseguir trazer Fernando para ser velado em Campo Grande. "A gente já correu atrás de tudo, mas quando foi para liberar o corpo, o atestado de óbito estava com o nome dele errado. O procedimento será feito nessa segunda-feira", conta.

Juliana e a família procuram respostas para a partida tão repentina. "É uma dor que a gente nunca havia sentido. Minha mãe não usa mais o celular e não quer contato com ninguém. Arrancaram um pedaço da gente, não sabemos exatamente o que aconteceu", descreve. 

Juliana imagina que tenha sido um acidente, já que não foi encontradas marcas de violência, mas ela carrega a dúvida diante da falta dos pertences do irmão. "Não encontramos a mala, documentos e nem celular. Ninguém sabe onde estão", lamenta.

Fernando ganhava dinheiro como barbeiro na cidade há 1 ano e meio. Mas era admirado pelo dom da música. Tocava guitarra e contra-baixo como ninguém. Tudo continua intacto na casa onde morava com a mãe. 

"A gente se divertia muito com ele. Viajamos de ônibus e fomos rindo o caminho todo. Ainda leio minhas conversas com ele no celular, era só alegria. Meu irmão era como um filho para mim. Morou comigo e a nossa família era tudo para ele", conta.

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