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Comportamento

Garoto de programa busca por "mulher cansada" até em loja infantil

Aos 40 anos, a estratégia dele para achar clientes é rodar a cidade colando adesivos minúsculos

Por Thailla Torres | 09/05/2022 09:37
Propaganda é feita em postes e portas de lojas na Rua 14 de Julho. (Foto: Thailla Torres)
Propaganda é feita em postes e portas de lojas na Rua 14 de Julho. (Foto: Thailla Torres)

Era pra ser uma típica manhã de segunda-feira na Rua 14 de Julho, observando comerciantes abrindo as portas dos seus negócios, funcionários chegando e o vai e vem de carros. Mas algo minúsculo nos postes e até na fachada de algumas lojas chamou nossa atenção.

Em uma espécie de propaganda quase às escondidas, adesivos trazem o telefone de Enzo, que se denomina “massagista de luxo”. Os papéis carimbados estão colados em todos os postes da rua comercial, mas, bem na quadra onde há muitas lojas de bebês, a propaganda é maior. Sugestivo ou coincidência?

Na tentativa de anotar o número, percebemos que alguns adesivos têm os últimos dígitos apagados ou riscados, como se alguém não quisesse que esse contato relaxante fosse feito.

Pessoas na rua tentam arrancar os adesivos ou apagam os números, mas Enzo cola o 'anúncio' toda semana. (Foto: Thailla Torres)
Pessoas na rua tentam arrancar os adesivos ou apagam os números, mas Enzo cola o 'anúncio' toda semana. (Foto: Thailla Torres)

Finalmente encontramos o número completo e ligamos. Uma voz séria atende e confirma ser o Enzo. Questionado sobre o que é a massagem de luxo ofertada, ele vai direto ao ponto. “É a massagem com finalização, um oral, por exemplo.”

Fomos ao encontro de Enzo, deixando claro que era uma entrevista, e ele topou animado. “Sou bem avaliado no Google”, disse reforçando a propaganda.

Seu local de atendimento fica dentro de um quarto no Bairro Amambaí. Uma portinha na calçada e mais vinte degraus dão acesso à primeira porta do local cheio de avisos. Após ligação para confirmação de chegada, Enzo recebe o Lado B de camiseta polo, calça jeans, tênis e um perfume muito doce.

Percorremos em silêncio um corredor de pouco mais de 5 metros e chegamos até o quarto. Um ambiente simples, mas com cama arrumada, aparelho de som, acessórios eróticos pregados em um mural, pacotes de toalhas limpas e um mural cheio de mensagens sobre os benefícios da massagem. Em poucos segundos, Enzo esclarece. “Bom, como você deve ter percebido, sou acompanhante também”. Sim, percebemos!

Quarto onde Enzo realiza seus atendimentos como "massagista de luxo". (Foto: Thailla Torres)
Quarto onde Enzo realiza seus atendimentos como "massagista de luxo". (Foto: Thailla Torres)

Falando baixo e com muitos detalhes, Enzo revela que tem 40 anos, mas costuma colocar nas propagandas da internet que tem 37. Num mundo que não perdoa quem envelhece, ele afirma que revelar que é um quarentão pode afastar a freguesia.

Quando questiono de novo o porquê dos adesivos minúsculos, especialmente na Rua 14 de Julho, Enzo ri. “É uma estratégia minha há quase um ano e tem dado certo. Recebo muitas ligações de mães, mulheres solteiras, casadas ou cansadas.”

Com um movimento ruim na pandemia, ele passou a colar os adesivos e viu o número de ligações dobrar. “Recebo uma média de 15 ligações por dia, às vezes, 20. Quando o movimento é ruim, cai para 8.”

A colagem de adesivos também virou uma rotina semanal. “As pessoas tiram e eu vou lá e colo de novo. Além da Rua 14 de Julho, eu colo em caixas eletrônicos e banheiros de shoppings.”

Das 15 ou 20 ligações, pelo menos 5 viram atendimentos, a maioria envolvendo transa. A massagem relaxante, com ou sem finalização, custa R$ 150,00, já o programa completo envolvendo relação sexual sai a R$ 200,00. “Mas tem muita cliente que pechincha, pede desconto.”

Ele traça um perfil dos clientes. “Maioria é mulher, atendo médica, advogada, profissional liberal. Não posso falar o nome, mas já atendi até vereadora do interior. Mas também atendo muitos casais.”

Quanto aos homens, Enzo diz que prioriza somente as massagens. “Sou hétero”, justifica. Mas admite que no programa com casais, muitas mulheres gostam de ver o companheiro recebendo ou fazendo sexo oral em Enzo. “Existe muito fetiche e aí vai rolando.”

Enzo mostra os acessórios queridinhos de homens e mulheres durante o atendimento. (Foto: Thailla Torres)
Enzo mostra os acessórios queridinhos de homens e mulheres durante o atendimento. (Foto: Thailla Torres)

Enzo diz que está no ramo há 7 anos. O trabalho começou quando ele saiu pela primeira vez com uma garota de programa. “Ela falou da minha ferramenta, que é grande. Me disse que eu estava perdendo dinheiro. Mas a gente vê e não acha, até que um dia publiquei meu anúncio para fazer um teste e deu certo.”

Para reforçar a propaganda, Enzo mostra sem receios a imagem do seu pênis, a tal ferramenta, em fotos e vídeos no celular. Em algumas imagens, ele até mede com uma lata de energético para mostrar a semelhança da circunferência, e jura que tem 20 cm de comprimento.

Desde que começou a se prostituir, ganhou inúmeros clientes. Com isso, fez até parceria com uma amiga, que também cola adesivo pela cidade. “Quando algum casal quer fazer troca de casais, eu a chamo. A gente também faz vídeos para vender”, afirma.

Enzo diz que mora em Campo Grande há 5 anos, é nordestino e pai de uma filha. A família não sabe do ofício, por isso, ele se mantém discreto. “Meus clientes gostam disso também, sou um homem tranquilo e discreto.”

Apesar do trabalho que gera risco de vida todos os dias, uma vez que atende inúmeras pessoas desconhecidas, ele afirma que não quer parar. “Hoje, eu faço porque gosto mesmo, gosto muito de sexo.”

E para dar conta do recado pelo menos 5 vezes ao dia, ele diz que tem preparação. “Me alimento bem, durmo bem, cuido de mim e da minha saúde. Acho que dá pra ir até uns 45.”

Já para evitar perrengues, ele diz que prefere atender em seu local ou motéis e hotéis. "Atendo em muitos hotéis da cidade também, em alguns motéis, eu até bato ponto" brinca. "Mas se vejo que é gente mal intencionada, eu nem saio, também não fico de conversa com cliente depois, mesmo que ela mande mensagem", finaliza.

Geralmennte, o atendimento é feito com a luz vermelha. (Foto: Thailla Torres)
Geralmennte, o atendimento é feito com a luz vermelha. (Foto: Thailla Torres)

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