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Campo Grande, Domingo, 20 de Outubro de 2019

14/09/2019 08:04

Grupo faz vaquinha para ajudar Célia, que mesmo no cansaço vende balas à noite

Célia narra sobre o cansaço e como é tentar sobreviver, mesmo com tantas dificuldades na vida

Alana Portela
Iracelia Machado Braga de Lima segurando as balas que vende no semáforo (Foto: Alana Portela)Iracelia Machado Braga de Lima segurando as balas que vende no semáforo (Foto: Alana Portela)

Iracelia Machado Braga de Lima comoveu um grupo de amigos que agora tenta ajudá-la. Aos 45 anos, ela diz que sobrevive vendendo balas e chicletes à noite, nos semáforos de Campo Grande. Apesar do cansaço e os riscos de encarar tudo sozinha, ela diz que não tem outra saída.

“Saio às 16h30 de ônibus para vender e retorno às 22h, andando. Entro na rua mais movimentada. Chego em casa, esquento a janta e durmo”, conta. Ela fica em dois pontos, no semáforo da Avenida Manoel da Costa Lima com a Avenida Ernesto Geisel, ou em frente ao parque de exposições Laucídio Coelho. A rotina é corrida, carros vão e vem, mas é necessário permanecer ali, em pé, firme para atender os clientes. “A bala vendo por R$ 1,00 e o chiclete a R$ 2,00”.

Quando volta pra casa, o dinheiro que conseguiu com as vendas é somado. Tudo é cuidadosamente contado e cada dia o valor é destinado para um alimento diferente. “Segunda compro o arroz, na terça o café, quarta o açúcar, quinta o feijão e sexta o óleo. Assim vou revezando. Compro as minhas balas no mercado de atacado, pois são mais baratas. Mas, já chegou ter dias de eu não conseguir vender nada e outros que vendi tudo. Sempre me viro com o que tem”.

Ela teve a energia da casa cortada em agosto (Foto: Alana Portela)Ela teve a energia da casa cortada em agosto (Foto: Alana Portela)
O tomate foi descartado, mas Iracelia conseguiu pegar para sua salada. (Foto: Alana Portela)O tomate foi descartado, mas Iracelia conseguiu pegar para sua salada. (Foto: Alana Portela)
As verrugas tomaram conta da perna de Celia (Foto: Alana Portela)As verrugas tomaram conta da perna de Celia (Foto: Alana Portela)

Devido ao calorão que vem fazendo em Campo Grande, R$ 4,00 que ganha trabalhando é destinado para comprar gelo. “Compro e coloco no isopor que ganhei de uma irmã. Ali guardo os produtos, leite, feijão, suco para não estragar”, relatou Celia.

Sua renda é baixa e ela diz que mal dá para ter todos os alimentos básicos. No armário dos mantimentos, tem apenas um pote de arroz pela metade, um restinho de café e óleo. Na pia, um tomate vermelho e alface que conseguiu recuperar do lixo. “Tem um supermercado aqui perto. Eles recebem frutas e hortaliças, mas selecionam os melhores e jogam o resto. Todos os dias vou lá para ver se tem algo que dá para reaproveitar. Quando está estragado, trago pra casa e corto a parte ruim e jogo, enquanto a outro a gente come”, contou.

Celia também precisa cuidar da filha Jéssica Braga de Ribeiro. “Ela é depressiva. Tenho que cuidar dela durante o dia, vou ao médico também porque sou diabética, faço tratamento", conta. "Acordo às 5h da manhã pra começar a limpar a casa e preparar as coisas da minha filha. Sou mãe e tento não deixar faltar nada pra ela", completa. 

Recentemente, suas pernas foram tomadas por verrugas, que também está se espalhando pelos braços, mas Celia afirma que não tem condições de comprar remédio. “Fui no posto e o médico disse que era por conta da diabetes. Fiz biópsia, mas não deu em nada. Ele me recomendou um remédio para congelar as verrugas, mas é caro”.

O arroz que comprou está armazenado no pote (Foto: Alana Portela)O arroz que comprou está armazenado no pote (Foto: Alana Portela)
O alface que ela também conseguiu pegar para a salada de casa (Foto: Alana Portela)O alface que ela também conseguiu pegar para a salada de casa (Foto: Alana Portela)
O armário onde os mantimentos são guardados (Foto: Alana Portela)O armário onde os mantimentos são guardados (Foto: Alana Portela)
Para o almoço ela prepara arroz (Foto: Alana Portela)Para o almoço ela prepara arroz (Foto: Alana Portela)

Ponta cabeça - A vida de Celia virou de ponta cabeça após o falecimento do marido, em 2007. Ele era pescador, mas devido ter contraído tuberculose, não resistiu e morreu. “Ficamos sete anos juntos. Ele ajudava na casa. Por conta da sua morte, passei a receber pensão no valor de um salário mínimo”, disse.

O valor era suficiente para pagar aluguel, mas Celia teve dívidas com o cartão. “Acho que clonaram meu cartão porque estão cobrando várias coisas. Já fui no banco para tentar resolver”. Devido a esse detalhe, não pagou aluguel e agora está prestes a ser despejada da casa onde mora, na Vila Piratininga.

“Tenho dois meses de aluguel atrasado. Estou sem energia desde agosto, devo a água e preciso me mudar até dia 25 deste mês, porque a dona já me pediu a casa”, relatou. “Uso as velas para iluminar a casa, pois minha filha não pode ficar no escuro que começa a surtar. Quando chego e percebo o escuro, até dá vontade de chorar. Vou espalhando as velas”.

As roupas e alguns utensílios domésticos já estão encaixotados, aguardando pelo dia da mudança. Apesar das dificuldades, Celia não desistiu e continua a luta por uma vida mais digna.

Vaquinha - Para ajudar a situação de Celia, um grupo de jovens chamado “Amigos em Ação” estão organizando uma vaquinha online para arrecadar R$ 2 mil e ajudá-la na mudança. A arrecadação começou nesta semana, pois precisam correr contra o tempo para conseguir um novo lar.

Os interessados em ajudar Celia pode entrar em contato pelo número (67) 9655-9635 ou pelo link (clique aqui)

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Dona Celia  ao lado da filha, Jessica Braga de Lima (Foto: Alana Portela)Dona Celia ao lado da filha, Jessica Braga de Lima (Foto: Alana Portela)

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