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Comportamento

Há 15 anos, Wilson deixou corneta para ser feliz com abacaxi na calçada

Depois de viajar por todo MS e parte de SP, ele encontrou seu lugar ao lado da Praça Itanhangá e não quis sair

Por Aletheya Alves | 22/01/2022 07:53
Wilson Bianchi, de 51 anos, ao lado de seus abacaxis. (Foto: Marcos Maluf)
Wilson Bianchi, de 51 anos, ao lado de seus abacaxis. (Foto: Marcos Maluf)

“O carro do abacaxi está passando em frente da sua casa, abacaxi docinho direto de Minas Gerais!”. Com caixa de som e corneta tocando alguma música em conjunto, Wilson Bianchi, de 51 anos, passou uma década viajando pelos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo vendendo abacaxi, mas nos últimos 15 anos, abandonou as andanças para encontrar um lugar só.

Depois de tanto tempo parado em um só ponto, Wilson já se tornou parte da Praça Itanhangá. Por isso, passar pela Rua Chaadi Scaff e não ver o homem descascando abacaxi chega a ser estranho.

Longe de estar ali a vida toda, o vendedor explica que rodou por muitas ruas antes de escolher ficar sossegado em um canto. “Eu já fiz muito isso, comecei vendendo abacaxi e viajando. Sou de Ribeirão Preto e vim para cá vendendo fruta mesmo. Primeiro foi só de passagem, trabalhava e voltava para lá”.

Mesmo quando resolveu vir morar na Capital, Wilson continuou levando o caminhão para os bairros, até que se cansou.

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Dava muito trabalho ter assistente para ir em bairro, além de que ficar viajando cansa demais. É gostoso rodar, mas você vai ficando cansado de dormir na estrada e de precisar dos outros", conta.

Em 2007, sabendo que queria um lugar para ficar, ele descobriu que um dos pontos livres na cidade estava “queimado”, mas resolveu insistir de qualquer jeito. “Outros vendedores venderam abacaxi ruim aqui antes de mim, o povo já tinha estragado essa área. Até que queimou e não vendia mais”.

Foram cerca de dois anos para conquistar a clientela do bairro e, para isso, o jeito foi usar a tática antiga dos bairros: cortar abacaxi e dar para todo mundo experimentar. “A gente parava a caminhonete aqui e o cara parava do outro lado da rua, perguntava o preço na vinda e na volta, a gente levava lá. Aquela correria”, Wilson explica.

De pouco em pouco, o vendedor mostrou que “a fruta era boa”, conta. “A gente descascava, mostrava. O ruim da pandemia é que precisamos parar até com isso, mas ajudava a comprovar”.

Com 25 anos de abacaxi, Wilson afirma que nem pensa em abandonar o ponto ou as frutas. Insistindo no que conquistou, ele explica que consegue se imaginar aposentado, mas nunca longe das vendas.

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