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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

10/01/2018 08:43

Josefa diz que viu o amor da sua vida em sonho e está casada com ele há 74 anos

O casal ainda é romântico, ele dá um cheiro na esposa toda manhã e ela o chama de bebezão.

Thailla Torres
Ela sorri quando lembra do sonho antes de ver o marido pela primeira vez. (Foto: Thailla Torres)Ela sorri quando lembra do sonho antes de ver o marido pela primeira vez. (Foto: Thailla Torres)

Josefa tem no sorriso uma alegria de viver ao lado do marido há muito tempo e Macilon um romantismo que não deixa ele tomar o café da manhã sem antes dar um cheiro no cangote da companheira de uma vida. Juntos, eles completaram 74 anos de união, de um amor que surgiu em sonhos e resistiu às dificuldades enfrentadas no Nordeste, quando ainda moravam por lá.

Hoje, eles vivem em Campo Grande. Josefa Pedroso Ferreira, tem 92 anos. Macilon Vicente Ferreira, 94. Ela nasceu no Ceará e ele na Paraíba. Mas ambos se conheceram quando ela deixou a cidade onde morava para ajudar a família que vivia no estado paraibano. Macilon era amigo de um tio dela. E quando Josefa o viu pela primeira vez, descobriu nele o amor que sente até hoje.

Antes de qualquer demonstração de carinho, Macilon apareceu para Josefa em sonho. "Eu juro que sonhei com ele. Vi Macilon por um fresta de madeira, magro, branquelo e com esses olhos vermelhos até hoje. Eu sonhei com ele e fiquei com aquilo na cabeça", conta a esposa, que apesar da idade, tem uma memória surpreendente, que aparece em detalhes como datas e lugares por onde a família já passou.

Um dos primeiros retratos  que família tirou do casal, nas bodas de ouro em 1963. (Foto: Acervo Pessoal)Um dos primeiros retratos que família tirou do casal, nas bodas de ouro em 1963. (Foto: Acervo Pessoal)

Josefa conta que tinha 18 anos quando se casou com Macilon, mas ele ganhou aprovação da família logo de cara, pelo jeito calmo, filho de um homem trabalhador. "Minha tia dizia: casa com esse homem que ele vai ser bom pra você. E eu sabia que ele era o homem do meu sonho", lembra.

Naquele tempo, o casal enfrentou uma dificuldade como nunca vista no Nordeste. A seca judiava do povo, prejudicava até a chance de ter um alimento à mesa. "A gente plantava, mas não colhia, a seca não deixava", conta. "Tinha água, mas era pouca. E pra lavar roupa eu caminhava três quilômetros até um lugar com água pra isso".

Macilon sempre o mais quieto e Josefa a mulher falante. Ela não aprendeu a ler ou escrever, mas desde o primeiro filho sonhava em dar uma boa educação a todos. "No meu tempo, mulher não podia estudar. Só os meninos eram mandados para a escola. A gente tinha que ajudar em casa e não podia aprender para não escrever cartinha pra namorado".

Mesmo assim, ela e o marido lutaram para que todos da família aprendessem. Juntos tiveram 13 filhos, 42 netos, 60 bisnetos e já contabilizam 11 trinetos.

Maior felicidade foi ver os filhos trabalhando, um deles, quando decidiu ter uma vida melhor em São Paulo, mandou uma lembrança pra Josefa, que ela nunca esqueceu. "Com o primeiro dinheiro que ele ganhou, comprou um pedaço de tecido em São Paulo e mandou pra mim para fazer um roupa bonita. Eu chorei", conta. 

Do casamento até hoje, os dois mantiveram uma ligação única. (Foto: Thailla Torres)Do casamento até hoje, os dois mantiveram uma ligação única. (Foto: Thailla Torres)

Os dois chegaram aqui há 40 anos, quando um dos filhos decidiu morar em Coxim, a 268 quilômetros de Campo Grande e trouxe os pais para viver uma vida mais tranquila em Mato Grosso do Sul. "Aqui a gente teve um chácara, plantamos e com o tempo a gente foi conquistando nosso telhadinho", diz mostrando a casa em que hoje mora no Tiradentes.

Todos os dias, ela e o marido mantém uma ligação única. Por conta da idade, Macilon fala pouco e vem dando sinais de esquecimento. Mas Josefa fala o que sente a todo momento. "Esse meu velho é tudo pra mim, ele é meu bebezão", diz sorrindo. Macilon completa o carinho. "Ela pra mim é o meu cheiro todo dia de manhã", diz.

Nas paredes de casa estão poucas fotografias, a maioria é dos filhos. Juntos, tiraram as primeiras fotos com 50 anos de casamento que teve festinha preparada pelos filhos e a benção de um padre. "A gente tinha que comemorar, nem imaginava que chegaria a esse tanto".

Mas agora, com 74 anos de casamento, ela já está ansiosa pelas Bodas de Brilhante, quando completar 75 em novembro. "Será que eu chego até lá?", questiona.

As filhas que acompanham a entrevista não têm dúvidas. "Eles são muito unidos. Do jeitinho que ela fala, é exatamente como eles são. Pra gente, é um orgulho e um exemplo com tanto amor se desfazendo por aí", diz a filha Roselene Ferreira. 

Durante a entrevista, Josefa ainda quis justificar o porquê repetir várias vezes a mesma história, a mesma lembrança, sem se dar conta que amor depende de cada um, mas precisa ser lembrado.  "Eu falo assim, bastante, mas é que eu amo ele, é tudo pra mim. Se vivi até hoje é porque ele está aqui comigo, não sei o que vai ser quando ele partir", declara.

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