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Comportamento

Ligada ao Brasil pela dança, Darina chegou aqui 9 dias antes da guerra

Dançarina e coreógrafa da Ucrânia esteve em Campo Grande neste fim de semana para festival

Por Aletheya Alves | 27/06/2022 07:11
Darina Konstantinova, de 25 anos, está refugiada no Brasil. (Foto: Arquivo pessoal)
Darina Konstantinova, de 25 anos, está refugiada no Brasil. (Foto: Arquivo pessoal)

Quando se encantou pela dança do ventre aos 5 anos através da novela O Clone, a ucraniana Darina Konstantinova, conhecida como Diva Darina, não imaginava que duas décadas depois iria se refugiar no Brasil. Morando em Curitiba desde março, Darina veio a Campo Grande para um festival de dança e contou que sua vida foi transformada desde que a Rússia iniciou a guerra contra a Ucrânia.

Mesmo sem saber falar português, Darina já esteve no Brasil outras três vezes a trabalho e, nesta quarta viagem, veio acreditando que permaneceria por um mês. “Eu imaginei que seria tranquilo e que em pouco tempo voltaria para casa”, comenta.

Sem saber quais serão os rumos do futuro, a ucraniana conseguiu documentos de residência temporária. (Foto: Arquivo pessoal)
Sem saber quais serão os rumos do futuro, a ucraniana conseguiu documentos de residência temporária. (Foto: Arquivo pessoal)

Ainda na Ucrânia, a dançarina foi aconselhada pelo pai, que trabalha em um departamento especial do Governo, a deixar o país por precisar viajar constantemente. “Quem estava prestando atenção na política começou a sair da Ucrânia, era perceptível que algo iria acontecer”, Darina relata.

Sem saber o melhor lugar para viajar, ela conta que as regiões europeias estavam fora de cogitação devido às incertezas, por isso começou a pensar em locais mais distantes. Por gostar da América Latina e já conhecer os países, Darina ficou entre o Chile e o Brasil.

Pensando nas amizades que já tinha em solo brasileiro, ela resolveu vir para cá e pousou inicialmente em São Paulo, no dia 15 de março. E, em seguida, entrou em contato com amigos de Curitiba, no Paraná, e decidiu viajar para o Sul. "Fui para lá e, pouco tempo depois de estar lá, fiquei sabendo que a guerra tinha começado. No primeiro mês eu só chorava, fazia ligações e tentava ajudar de alguma maneira, explica Darina.

Apesar da tristeza, revolta e preocupação, Darina conta que seu tempo no Brasil também tem sido de boas novas. (Foto: Paulo Francis)
Apesar da tristeza, revolta e preocupação, Darina conta que seu tempo no Brasil também tem sido de boas novas. (Foto: Paulo Francis)

Desde então, a dançarina já conseguiu o documento de residência temporária e continua sem saber como irá lidar com o futuro. Sobre sua família, Darina conta que seu pai e sua mãe continuam morando em Khmelnitski, também por isso quer retornar para reencontrá-los.

Apesar da tristeza, revolta e preocupação, Darina conta que seu tempo no Brasil também tem sido de boas novas. Um dos exemplos citados por ela, além das oportunidades de trabalho, é de que até um amor brasileiro já encontrou.

Ela explica que foi convidada a participar de um evento, em Curitiba, de apoio à Ucrânia e, sem imaginar que dali sairia um encontro, se apaixonou. “É até interessante de falar. Ele foi até o evento para ver como poderia ajudar a Ucrânia, mas é brasileiro. Estamos morando juntos e temos três gatos”, diz.

Conexões com Brasil

Antes de viajar por 38 países, Darina começou sua carreira quando tinha apenas 5 anos após se apaixonar por Jade, interpretada por Giovanna Antonelli, na novela O Clone. “A dança do ventre ficou muito famosa na Ucrânia com o Clone. Todas queriam ser a Jade”, relembra.

Desde os 12 anos, Darina é professora e coreógrada de dança do ventre. (Foto: Arquivo pessoal)
Desde os 12 anos, Darina é professora e coreógrada de dança do ventre. (Foto: Arquivo pessoal)

Através de imitações e tentativas sozinha, Darina continuou tentando dançar conforme crescia até que, por não tomar os cuidados necessários para a prática, se feriu na coluna. Sem imaginar que os resultados seriam tão ruins, ela explica que foi ao médico e, no diagnóstico, recebeu a informação de que não poderia mais dançar.

Sem aceitar a orientação, a ucraniana continuou praticando sozinha e, aos 12 anos, começou a dar aulas em uma casa cultural de sua cidade. “Comecei a me apresentar e, depois de um tempo, tomei coragem e pedi para o gestor autorizar que eu desse aulas no local. Era muito corajosa na época, bem mais do que hoje”, diz.

Em Campo Grande, Darina participou do Festival Arabesk de Danças. (Foto: Divulgação)
Em Campo Grande, Darina participou do Festival Arabesk de Danças. (Foto: Divulgação)

Desde então, a dançarina e coreógrafa não parou mais e em pouco tempo abriu sua própria escola de dança. Sobre sua primeira vinda ao Brasil, ela detalha que foi convidada para um festival e, quando chegou ao País, não acreditou na repercussão que tinha.

“Não acreditava em como as pessoas me conheciam, queriam tirar fotos comigo. Depois retornei outras vezes e continuei viajando pelo mundo”, completa Darina.

Já mais acostumada com o carinho do público, ela conta que agora quer conhecer ainda mais sobre o Brasil. “Não consegui conhecer Campo Grande porque estou trabalhando muito, mas quero voltar e conhecer a cidade. Todo mundo fala muito sobre Bonito, quero ir também”.

Festival Arabesk de Danças

Desde sexta-feira (24), Darina participou de apresentações e workshops no Festival Arabesk de Danças, organizado por Fabiana Andrade da Silva, do Grupo Tahul. Feliz por ter conseguido trazer a dançarina internacional para Campo Grande, a responsável pelo evento comenta que a dança do ventre é muito popular em Mato Grosso do Sul.

Acostumada a viajar pelo País para conseguir participar de grandes eventos, Fabiana argumenta que já chegou a realizar outras ações de dança na Capital, mas que este é o primeiro com maior porte. “Fiquei me perguntando, por que não ter um evento deste porte aqui em Campo Grande? Tão Majestoso quanto?”.

Sobre a dinâmica do festival, Fabiana contou que os participantes fizeram uma imersão na dança árabe e, ansiosa pela próxima edição, garante que novas datas serão divulgadas.

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