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Campo Grande, Domingo, 19 de Maio de 2019

09/12/2018 07:46

Mãe já havia desistido, mas Luisa insistiu e 13 meses depois anda de bicicleta

Tombos machucaram, mas pai respeitou a vontade da menina com Síndrome de Down e a incentivou a ir além

Guilherme Henri
Luisa e o pai Adriano em ciclovia de Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami)Luisa e o pai Adriano em ciclovia de Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami)

Quantas vezes, ao menor sinal de obstáculo, a gente acaba desistindo? Pois é, a palavra desistir não existe no vocabulário de Luísa. Com Síndrome de Down, ela se levantou de muitos tombos em 13 meses dizendo “não foi nada, né mamãe”. Era tanta vontade que, contra todas as limitações da coordenação motora, ela finalmente aprendeu a andar de bicicleta.

A menina desafiou as dúvidas da mãe Solange Lemos, se agarrou à confiança do pai Adriano Adames de Souza e com ajuda do professor Fagner, que acima de tudo acreditou nela, Luísa pedalou.

Antes da história começar, quem recepciona a equipe é a menina. Já de capacete, ela estende a mão e faz amizade com um 'oi', combinado com um sorriso doce de derreter gelo.

Luisa tem só 8 anos e uma determinação... (Foto: Henrique Kawaminami)Luisa tem só 8 anos e uma determinação... (Foto: Henrique Kawaminami)

Solange conta que a filha sempre quis andar de bicicleta. Mas para mãe seria, no mínimo, complicado, por conta da Síndrome que compromete a coordenação motora.

Um dia, o marido saiu para comprar uma bicicleta de presente à neta e sabendo do desejo da filha, ao invés de limitá-la, ele tratou de arrumar um professor.

“Naquele dia ele [Adriano] voltou de mãos vazias. Mas me disse que o vendedor de bicicletas afirmou que a Luísa podia sim andar de bicicleta e que, inclusive, ele mesmo a ensinaria. Tudo que consegui dizer foi ‘você ficou maluco’”, detalha a mãe.

Mas, como Solange mesmo costuma dizer, quando se trata de Luísa, “ela é o freio e Adriano o acelerador”. Por isso, não demorou dias para a bicicletinha rosa mais “invocada” da loja estar na casa da família.

“Pensei comigo. Bom, pelo menos não é um investimento perdido, porque a bicicleta pode ficar para a irmã mais nova”, disse, a até então incrédula.

Luisa, com capacete rosa preparada para andar de bike (Foto: Henrique Kawaminami)Luisa, com capacete rosa preparada para andar de bike (Foto: Henrique Kawaminami)

Luisa então começou a fazer aulas todos os domingos. Os professores? O vendedor de bicicletas e o próprio pai, que corria atrás da menina sem freios. A cada tombo, o aprendizado maior era para os instrutores, que reviam as técnicas. Já a menina... se levantava tão rápido que não dava nem tempo de sentir dor ou mesmo pensar em desistir.

“É claro que ela ia andar de bicicleta. Tinha certeza disso e quando caia eu dizia para Solange, isso é normal, não se preocupe. Luisa pode fazer qualquer coisa”, lembra o pai Adriano.

Porém, o último tombo quase colocou todos os meses de aulas a perder. Luisa chegou a ser socorrida para uma unidade de saúde, mas foi o “não foi nada, né mamãe?” reforçado pela frase “a palavra desistir não existe, né mamãe?”, que recobrou a firmeza dos pais.

Luisa e Adriano logo atrás saindo de casa em direção a ciclovia (Foto: Henrique Kawaminami)Luisa e Adriano logo atrás saindo de casa em direção a ciclovia (Foto: Henrique Kawaminami)

“Ela esperava impaciente o pai e quando ele atrasava Luísa ainda ligava e dizia ‘você não esqueceu do nosso compromisso, né papai?’”, descreve Solange sobre as aulas.

Na semana retrasada, a menina pedalou pela primeira vez sem cair e pelo acaso da vida, foi sob os olhos da mãe, que no começo não acreditava.

“Ela simplesmente chegou e me disse, ‘agora eu vou mamãe, agora eu vou sem cair’. Colocou o capacetinho dela, pegou a bicicleta e foi até o portão sem cair. Quando chegou lá, ela disse ‘viu mamãe, eu disse’. É claro que eu já estava chorando”, descreve Solange.

Solange, Luisa e Adriano na varanda de casa (Foto: Henrique Kawaminami)Solange, Luisa e Adriano na varanda de casa (Foto: Henrique Kawaminami)

Agora, ninguém mais segura Luisa e sua bicicletinha rosa, que na companhia do pai sai do Taveirópolis e vai até o Aeroporto pela ciclovia. Para isso, Adriano teve que comprar uma bicicleta, pois já não dava conta de alcançá-la a pé, como fazia nas aulas.

“Foi muito engraçado. Adriano invocado, numa tarde dessas, saiu de casa dizendo que ia arrumar uma bicicleta para ele, pois não aguentava mais correr atrás de Luisa. E de fato, voltou com uma bicicleta”, disse a mãe.

O bom disso, segundo Adriano, é que além da superação, de quebra a filha ainda o forçou a praticar uma atividade física e ele já prevê que logo toda a família vai estar andando de bicicleta. “Primeiro é Luisa, e só depois vem a Síndrome de Down”, finaliza o paizão.

Já Solange, diz que todos os dias Luisa traz um aprendizado para vida da família, inclusive, a menina já diz que agora quer aprender a andar de patins. "Se eu tivesse a metade da garra e a coragem dela, com certeza eu estaria muito além de onde estou hoje", considera. 

Sem dar muita importância à reportagem, Luisa trata de pegar sua bicicletinha para mostrar que aprendeu muito bem a pedalar, inclusive na rua. Mas, antes sem exitar, dispara "o melhor professor do mundo é o Adriano meu pai, e a minha mãe Solange".

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Luisa e Adriano durante passeio de bike em ciclovia (Foto: Henrique Kawaminami)Luisa e Adriano durante passeio de bike em ciclovia (Foto: Henrique Kawaminami)


P A R A B É N S !
 
Lisandro Calir Biacchi Adames em 10/12/2018 22:38:20
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