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Campo Grande, Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

28/12/2018 07:43

Mãe que teve filha e neta assassinadas fecha 2018 com desafio de se reconstruir

O crime chocante agora exige da família uma força sobrenatural para enfrentar 2019

Thailla Torres
Mãe que teve filha e neta assassinadas fecha 2018 com desafio de se reconstruir
Foto de Maiana grávida da filha Dandara. (Foto: Arquivo Pessoal)Foto de Maiana grávida da filha Dandara. (Foto: Arquivo Pessoal)

A voz é carregada de lembranças, algumas que Maria de Lourdes Barbosa Rodrigues, de 44 anos, prefere esquecer. Mas a história de determinação da filha sorridente e disposta a lutar contra desigualdade é narrada com orgulho pela mãe. Maiana Barbosa era sonhadora e hoje, um mês e três dias após sua morte, ela só vive na memória de Maria que encerra 2018 com o desafio de se reconstruir

A estudante e a filha, de apenas um mês de vida, foram brutalmente assassinadas no dia 25 de novembro, em uma casa no Jardim São Pedro, em Dourados, a 233 quilômetros de Campo Grande. A última vez que foi vista pela mãe foi dois dias antes do crime, com direito a um beijo e o sorriso de Maiana chamando Maria de "veia". "Era assim que ela me chamava, se ela não me visse, me ligava do trabalhando perguntando se estava tudo bem e mandava um beijo por telefone", conta.

Dentro de casa, para a mãe e a irmã, Maiana tornou-se símbolo de resistência à violência contra a mulher, após ter sido assassinada pelo namorado que confessou o crime e foi encontrado morto há uma semana. Mas a dor forte por ter perdido a filha ainda impede Maria de seguir em paz e esquecer a notícia que chegou pelo rádio. "Ninguém me contou, eu escutei no rádio que uma menina jovem e um bebê haviam sido encontrados mortos. Na hora eu pensei na Maiana, senti que era ela".

Mãe que teve filha e neta assassinadas fecha 2018 com desafio de se reconstruir

Aluna do primeiro ano do curso de História da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), Maiana praticava capoeira e tinha atuação em projetos de defesa das minorias e contra o racismo. Sempre determinada, lutava contra o preconceito que enfrentou desde a infância. "Toda nossa família é negra e Maiana não tolerava o racismo, lutava contra, tinha discurso", lembra a mãe.

Os planos que o assassinato levou eram falados quase todos os dias por Maiana. "Ela dizia que queria trabalhar para arrumar minha casa, que é muito simples.  A gente tinha um plano de rebocar", lembra.

Ainda hoje, passado e presente confundem a cabeça da mãe que espera pela chegada da filha. "Olha, é muito difícil. Todos os dias, às 17 horas, eu penso que ela está chegando, era o horário que ela chegava do trabalho. De repente eu lembro que ela não vem e a dor aumenta".

O bate-papo, três dias antes do crime, não sai da cabeça. "Ela queria comer doce, comprou sorvete e trouxe para gente tomar. No outro dia comprou picolé na rua, conversamos, rimos como sempre e depois ela foi embora. Foi a última vez que vi minha filha". 

Com problemas de saúde, Maria conta que tem sobrevivido à base de medicamentos. "Estou com uma inflamação no fígado e depois que Maiana se foi, a depressão veio com tudo, ninguém pensa que vai perder uma filha".

Pela dor de perder a filha por um crime tão brutal, Maria tem buscado usar Maiana como exemplo para alertar outras mulheres e conseguir forças para seguir adiante. "A gente só quer retomar a nossa vida, mas sem que outras mulheres morram dessa forma, é muito triste".



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