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Comportamento

Massagista cego é melhor? Com a palavra o profissional que perdeu a visão

Elverson Cardozo | 23/05/2013 07:00
Jorge trouxe a técnica do Japão e está em Campo Grande há 2 anos. (Foto: Anny Malagolini)
Jorge trouxe a técnica do Japão e está em Campo Grande há 2 anos. (Foto: Anny Malagolini)

Dizem por aí - não se sabe quem “inventou” ou onde “nasceu” essa história - que os massagistas cegos são os melhores. Para Jorge Nakashita, de 45 anos, isso é balela. Na opinião dele, o que faz um profissional, de qualquer área, se destacar no mercado é o amor e a dedicação pelo que faz. “Toda vez que o cliente vem você tem que atender da melhor maneira possível, dar 100% de você’, disse. Nakashita é cego e massagista.

Ele perdeu a visão aos 38 anos, em decorrência de uma retinose pigmentar, doença hereditária que causa a degeneração da retina. No caso dele, a enfermidade se desenvolveu depois dos 20 e, por uma série de fatores, entre elas a falta de uma rotina saudável, piorou com o passar dos anos. Nem uma cirurgia feita em Cuba conseguiu reverter a situação.

Aceitar que os olhos haviam perdido sua função principal não foi tarefa fácil, mas ele arranjou forças para continuar lutando. “Eu só perdi a visão. Tenho dois braços, duas pernas, minha família e força”, disse.

Na época em que ficou cego, Jorge estava morando no Japão e já estava trabalhando como massagista em um SPA. Resolveu fazer o curso depois que a fábrica de móveis para escritório onde trabalhava fechou as portas. Antes, por um ano e meio, foi funcionário de uma montadora da Nissan.

Foram oito anos se dedicando a aliviar tensões de clientes, homens e mulheres que procuravam o estabelecimento. Pela habilidade que demonstrava, recebeu o título, durante quatro anos, de “melhor massagista dos pés”.

Nakashita também fazia massagem em outras partes do corpo, mas foi pelas extremidades dos membros inferiores e pela “Ashi-Tsubo”, uma técnica chinesa, conhecida no Brasil como reflexologia, que ele ganhou a freguesia. “O pessoal falava que minha massagem era diferente”, resumiu.

Quem trabalha com a Ashi-Tsubo alivia as tensões pelas terminações nervosas, os pontos, que existem nos pés. Cada um corresponde a determinada parte do corpo. Na teoria, quando “ativados”, o estímulo chega ao órgão correspondente e, em tese, colabora para o tratamento da área afetada.

Disposto a aliviar tensões, massagista afirma que o atendimento dispensado ao cliente deve ser o diferencial de qualquer profissional. (Foto: Anny Malagolini)
Disposto a aliviar tensões, massagista afirma que o atendimento dispensado ao cliente deve ser o diferencial de qualquer profissional. (Foto: Anny Malagolini)

“Esses pontinhos... tem o do estômago, do intestino grosso... a gente bombeia o sangue de baixo para cima. Melhorando a circulação tudo funciona melhor”, argumentou.

Jorge acredita que ficou conhecido no Japão porque fazia o trabalho “com vontade, energia e dedicação para tirar o cansaço das pessoas”. “Eu aperto mesmo os pontos. Não é aquelas massagens com óleo. Eu pego nos ponto. Tiro a tensão”, garante.

Nakashita está em Campo Grande há 2 anos. Voltou à Capital, cidade onde nasceu, por causa do terremoto que atingiu o Japão em 2011. Aqui, continua a fazer massagens, mas ainda está formando a nova clientela.

Para divulgar a “especialidade”, a massagem dos pés que garantiu reconhecimento no SPA do Japão, está fazendo demonstrações em quem compra o pacote da massagem corporal.

O serviço, que custa R$ 70,00 e tem duração de uma hora, está sendo comercializado pelo preço promocional de R$ 40,00. Se o cliente quiser ter apenas os pés massageados, o valor é de R$ 40,00, com duração de 30 minutos. O telefone de contato é o (67) 9109-7555

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