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Comportamento

Na feira, casal é feliz com rapadura e história de amor que começou longe

Lauro e Angerica se conheceram no Japão, viveram 15 anos, mas voltaram ao Brasil para terem "paz"

Por Lucas Mamédio | 05/04/2021 07:44
Angerica e Lauro com os produtos em uma feira da Capital (Foto: Arquivo Pessoal)
Angerica e Lauro com os produtos em uma feira da Capital (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma história de amor que começou bem longe daqui, do outro lado do mundo, no Japão, mas que, ao que tudo indica, vai continuar e terminar em Campo Grande.

Lauro Tawata, de 64 anos e Angerica Hitemi Ohashi, 55 anos, se conheceram na região de Nagoia há 15 anos. Ele era empresário e ela trabalhava em fábrica.

No Brasil há 10 anos e mais especificamente em Campo Grande há sete, o casal já acumula uma história de pequenas tentativas arrojadas de empreendedorismo e da união da cultura nipônica, brasileira e porque não, africana.

Com uma Kombi, os dois dão simpatia de graça e vendem produtos oriundos da comunidade quilombola Furnas do Dionísio, mas não só. Além das rapaduras e melaço de Furnas, eles vendem bala de banana, óleo de pequi e produtos de outras regiões, tudo resultado de mais uma reviravolta na vida deles.

Escultura de madeira em cima de latão de ferro que Lauro produziu (Foto: Arquivo Pessoal)
Escultura de madeira em cima de latão de ferro que Lauro produziu (Foto: Arquivo Pessoal)

Lauro é uma figura. Ainda com sotaque carregado pelos 25 anos de Japão, é uma espécie de professor pardal. Natural de São Paulo, escolheu Campo Grande para viver a fim de fugir da loucura que é a capital paulista. Isso porque Angerica de é de MS, com quase toda família sendo de Fátima do Sul, no sul do estado.

“Eu sempre vinha visitar a família dela e passava por Campo Grande. Quando voltamos para o Brasil, ficamos três anos em São Paulo, mas decidimos vir para cá para viver com mais tranquilidade, e é mais perto da família dela”.

Tranquilidade é o que ele sempre buscou. Conta que, assim como muitos, foi para o Japão em busca de prosperidade financeira, e ao longo dos anos percebeu que o preço por esse objetivo era alto demais.

“Lá você até consegue ganhar dinheiro, mas tem que trabalhar quase 24 horas por dia. Depois que meus filhos cresceram e estavam criados, não vi mais sentido em me matar, então conversei com Angerica e decidi que era hora de desacelerar e voltar para o Brasil”.

Na volta ao Brasil, Lauro fez de tudo. Muito habilidoso com ferramentas, investiu em puffs que ele mesmo fabricava. Todos os produtos utilizados eram reciclados. Também reutiliza latões de ferro. “Eu gosto de transformar coisas, de pegar produtos descartados e mostrar que eles podem ganhar novo significado”.

E assim foram esses 10 anos inventando coisas, como objetos de madeiras, uma outra paixão, inclusive a embalagem das rapaduras são de madeira. Angerica também é muito inventiva, gosta de transformar jeans velho em coisas novas.

Embalagens de madeira produzidas por Lauro (Foto: Arquivo Pessoal)
Embalagens de madeira produzidas por Lauro (Foto: Arquivo Pessoal)

Com a pandemia, resolveu fazer máscaras de jeans, produto que foi vendido durante uns dois meses, mas que foi engolido pela concorrência.

Durante visita a uma amiga em Furnas, ela ofereceu 50 rapaduras que estavam paradas para que ele tentasse vender. “Em um final de semana vendeu tudo para os vizinhos”.

Boné com jeans reciclado feito por Angerica (Foto: Arquivo Pessoal)
Boné com jeans reciclado feito por Angerica (Foto: Arquivo Pessoal)

Ali vira uma oportunidade de negócio e sem pestanejar encheram a Kombi de produtos de furnas e foram para as feiras livres. “A nossa simpatia e proximidade com cliente com certeza é nosso trunfo diz Angerica.

Além das feiras o casal é frequentemente convidado para ir a condomínios, vender para os moradores. Seguindo todas as normas de segurança”, reforça Angerica.

Sobre o futuro, os dois não pensam em sair de Campo Grande. “Nos encontramos aqui, é um lugar muito tranquilo e que nos proporciona muita felicidade. A gente não leva nada dessa vida, então é preciso viver em paz”, conclui Lauro.

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