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Comportamento

Neguinha de Camisão é pescadora “profissa” com até página no Face

Mulher aquidauanense levanta o peso de peixes "no muque" e sem vara de pescar

Por Raul Delvizio | 25/09/2020 06:30
Neguinha expõe os pacus à venda no seu quintal (Foto: Reprodução/Facebook)
Neguinha expõe os pacus à venda no seu quintal (Foto: Reprodução/Facebook)

Eronildes Constant dos Santos não nasceu nas águas do Aquidauana, mas Neguinha de Camisão sim. Filha de pescadores, a mãe de três filhos só foi redescobrir o talento nato de família quando mais precisou. Recém-divorciada aos trinta, pescou no rio o seu sustento. Hoje com 46 anos, ri de orelha a orelha durante telefonema com o Lado B.

Neguinha navega no remanso do Rio Aquidauna (Foto: Reprodução/Facebook)
Neguinha navega no remanso do Rio Aquidauna (Foto: Reprodução/Facebook)

"Primeiro veio a necessidade, depois reviveu a paixão. Já tinha isso no nosso sangue, mas só quando eu me separei, que optei ficar por aqui mesmo, voltou o amor pela pesca", admite.

Mesmo com os filhos crescidos, já casados e com suas próprias família constituídas, Neguinha não se arrepende um minuto sequer de ter ficado sozinha à beira do rio.

"Este é o lugar que eu me sinto mais feliz na vida. Eu realmente amo o que eu faço".

Inclusive, ela é boa de linha – sem vara, só "no muque" mesmo – e já pescou jaú com mais de 50 quilos. Tradição antiga ou sorte de geração?

Haja muque para aguentar os 50 quilos desse jaú que Neguinha pescou (Foto: Reprodução/Facebook)
Haja muque para aguentar os 50 quilos desse jaú que Neguinha pescou (Foto: Reprodução/Facebook)

"Vou no brutão mesmo. Quem é pescador sabe que não tem muito o que escolher, o que vier já tá bom. Mas naquele dia dei sorte. Agora é só na jurupoca, pelo menos é a época".

Nova pescaria, outra sorte na peixada (Foto: Reprodução/Facebook)
Nova pescaria, outra sorte na peixada (Foto: Reprodução/Facebook)

Conquistas e aventuras que foram parar na internet. Na sua página do Facebook, a pescadora não é só conhecida como Neguinha de Camisão, mas cada vez mais a "profissa" rústica de MS.

"Meu irmão Bila quem criou tudo. Ele vai postando e falando pra mim como é que tá indo o negócio. Sou meio abestalhada nessa coisa de internet, sou totalmente desligada".

A gente te entende, Neguinha – sua "coisa" é mesmo com o rio.

"Quando eu saio para acampar junto ao Bila, dura de 10 a 15 dias. Não tem energia, água encanada, internet, nada disso. Não me faz menor falta. Acordo com o passarinho cantando na beiro do rio, sem saber que dia da semana é. Nem relógio levo".

Camisão é um distrito do município sul-mato-grossense de Aquidauna (Foto: Reprodução/Facebook)
Camisão é um distrito do município sul-mato-grossense de Aquidauna (Foto: Reprodução/Facebook)

Novas águas – Já que a pandemia passou longe do distrito de Camisão, e com o retorno gradual do turismo em MS, Neguinha já está deixando no jeito um espaço reservado ao lado de sua casa onde atenderá enquanto restaurante caseiro.

"Este é o lugar que eu me sinto mais feliz da vida. Eu amo o que eu faço" (Foto: Reprodução/Facebook)
"Este é o lugar que eu me sinto mais feliz da vida. Eu amo o que eu faço" (Foto: Reprodução/Facebook)

"Vou fazer algo bem simples, sem inventar moda. Pesco e corro pra cozinha. Vai ter peixe frito, ensopado, assado, grelhado, tudo que é tipo. Acompanhamento será mandioca, arroz branco e pirão. Mas adianto que o carro-chefe é o escondidinho de jurupoca. Quem já provou não reclama", brinca Camisão com uma baita gargalhada.

Finalizamos a conversa por telefone com o convite de Neguinha para que em breve possamos nos conhecer e experimentar suas variedades regionais. Se depender do Lado B, a viagem já tem data.

Tem uma pauta bacana para sugerir? Mande pelas redes sociais via Facebook e Instagram, e-mail: ladob@news.com.br ou no Direto das Ruas através do WhatsApp do Campo Grande News (67) 99669-9563.


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