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Campo Grande, Terça-feira, 18 de Setembro de 2018

11/02/2017 07:05

No aniversário de 9 anos, menina do laço de fita rosa deixou o câncer para trás

Paula Maciulevicius
Maria Clara e o sorriso que nunca saiu do rosto, mesmo diante de todo tratamento de câncer. (Foto: Vanessa Tamires)Maria Clara e o sorriso que nunca saiu do rosto, mesmo diante de todo tratamento de câncer. (Foto: Vanessa Tamires)

O que tem de graciosa, Maria Clara tem de tímida. Até se soltar, são poucas as palavras que saem da boca da menina do laço de fita rosa. A cabeça raspadinha e o cabelo a crescer evidenciam que uma luta acabou e as fotografias do aniversário de 9 anos dão a certeza disso. Ao soprar as velinhas, a família Bortoli comemorou: o câncer ficou para trás.

Em setembro de 2015, depois de uma sequência de fortes dores de cabeça que faziam a menina "apagar" no sono, Maria Clara foi submetida a exames. Às vésperas de sair o resultado, a escola ligou avisando que a aluna tinha passado mal. E quando a mãe foi buscá-la, Maria Clara nem a reconheceu.

A saga começou no dia 10 de setembro e num intervalo de 15 dias, a mãe Caroline viveu a alegria de descobrir a segunda gravidez e o maior medo possível, o risco de perder a filha. 

Foi sorrindo assim que a menina enfrentou a doença e aos 9 anos está curada. (Foto: Marcos Ermínio)Foi sorrindo assim que a menina enfrentou a doença e aos 9 anos está curada. (Foto: Marcos Ermínio)
Caroline, a mãe, descobriu 2ª gravidez e tumor da filha ao mesmo tempo. (Foto: Marcos Ermínio)Caroline, a mãe, descobriu 2ª gravidez e tumor da filha ao mesmo tempo. (Foto: Marcos Ermínio)

"Ela sempre foi uma menina sadia, a vida inteira nunca teve nada. A gente tem histórico de câncer na família. A mãe do meu marido faleceu aos 42 anos, mas até então, nunca tinha se manifestado em nenhuma criança e já são quatro, cinco netos", conta Caroline Bortoli, de 34 anos.

A caminho do hospital, naquela quinta-feira de setembro, Maria Clara convulsionou e nas primeiras horas de atendimento, não tinha nenhuma expressão a não ser a reação de abrir os olhos, gritar e dormir de novo. Encaminhada para o Hospital Universitário, a menina passou por uma tomografia e ali que apareceu um tumor no terceiro ventrículo da cabeça, no lado direito.

"Ele estava impedindo a passagem do líquido do corpo, então por que a dor? Porque a cabeça fazia hidrocefalia", explica a mãe. O tumor estava com 4,5 cm e os médicos calculam que havia crescido em dois meses. "O câncer infanto-juvenil cresce muito rápido, por isso é muito importante o diagnóstico cedo", acrescenta Caroline.

O próximo passo foi a cirurgia, o que não foi nada fácil. "A gente não sabia o que ia enfrentar e ela estava ali, firme e forte e em nenhum momento escondemos nada. É aquela coisa: você se veste, engole o choro e explica. Foi isso que ajudou, porque ela confiava no que a gente falava", narra a mãe.

No aniversário, a comemoração era, mais do que nunca, pela vida de Maria Clara. (Foto: Vanessa Tamires)No aniversário, a comemoração era, mais do que nunca, pela vida de Maria Clara. (Foto: Vanessa Tamires)

O primeiro procedimento foi realizar uma espécie de "atalhozinho", como explica a mãe, para fazer com que o líquido voltasse a circular. "E uma semana depois fizemos a cirurgia. Foi o dia mais longo da minha vida", recorda. Caroline entregou a filha no centro cirúrgico e só a viu nove horas depois, mas com 100% do tumor retirado.

"De lá para cá começou a quimio e a radio, uma por semana e o que mais me doía era de não poder acompanhar", lembra. Grávida de João Rafael, era o papai quem ficava com a menina nas sessões. "Foi uma fase assim que só mesmo a fé para te manter em pé", detalha Caroline.

Quando o cabelinho de Maria Clara começou a cair, a reação da criança foi a mais genuína possível. "Eu me desesperei. Ela olhou no espelho e riu. Achava graça. Naquela época nós fizemos um trato: 'se você chorar, eu choro. Se você não chorar, eu não choro' e deu certo", conta a mãe. 

Foram oito ciclos de quimioterapia e mais a radioterapia que começaram em outubro de 2015 e terminaram um ano depois. "Muitas sessões, muitas transfusões de sangue, soro para cá, soro para lá. Ela foi emagrecendo, mas nunca perdia o sorriso, nunca reclamava de ir para a quimio", descreve a mãe. 

Acabou Maria Clara, acabou, repetia a mãe. (Foto: Vanessa Tamires)"Acabou Maria Clara, acabou", repetia a mãe. (Foto: Vanessa Tamires)

O aniversário de 9 anos foi no último dia 18. "Eu estou feliz, porque estou curada", diz a menina baixinho. A festa foi bem diferente da do ano anterior, quando tiveram poucas amiguinhas em casa. Desta vez, a comemoração foi de "arromba", com mais de 70 convidados.

Com decoração de bailarina, a roupinha e o laço de fita rosa eram para combinar. "Tem uma foto, que eu estou segurando a mão dela e aquela hora eu chorei. Parece que eu dizia: 'acabou Maria Clara, acabou'. É complicado você passar por isso, a gente nunca quer que aconteça com os filhos da gente", desabafa a mãe. 

Desde a cirurgia, o tumor nunca mais apareceu e por ser maligno que Maria Clara passou por todo tratamento de quimio e radio. Agora, são só exames de manutenção. Com a descoberta da doença, a família também presenciou angústia entre outros pacientes.

"Você conhece um que tem no meio do pulmão e não pode operar, outro que tem na perninha e está andando de muleta. Ainda bem que o dela foi só isso. Não ficou sequela nenhuma", compara a mãe. 

No meio de tudo isso, João Rafael nasceu. Hoje com 10 meses, a mãe acredita que foi ele quem a fez lutar junto com a filha. "Foram quatro anos para engravidar e de repente a gravidez veio junto com o tumor. Foi força, fé e coragem", resume Caroline.

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A gente nunca quer que aconteça com os filhos da gente, resume a mãe. (Foto: Vanessa Tamires)"A gente nunca quer que aconteça com os filhos da gente", resume a mãe. (Foto: Vanessa Tamires)


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