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Comportamento

No ano em que MS "divorciou" de MT, Ivonete entrou na fila e fez o mesmo

Sem sofrimento, ela optou em transformar o tal do "desquite" em divórcio legalizado na mesma época em que o novo estado foi criado

Por Raul Delvizio | 11/10/2020 07:12
Ivonete Martini segura um dos netinhos para o clique (Foto: Arquivo Pessoal)
Ivonete Martini segura um dos netinhos para o clique (Foto: Arquivo Pessoal)

Que Mato Grosso do Sul se "divorciou" do antigo Mato Grosso, em 11 de outubro de 1977, isso todo mundo sabe. O curioso, porém, é que no finalzinho daquele ano a lei federal número 6.515 de 26 de dezembro – a chamada Lei do Divórcio – tinha acabada de ser assinada. "Casamento" desfeito entre os dois estados, Ivonete aproveitou a deixa: na cara e na coragem, resolveu terminar o seu próprio matrimônio no papel passado. Desta vez, nada de igreja e marcha nupcial.

"Foi curto e grosso. Chamaram meu nome na audiência pública e também o do meu ex-marido, que não se encontrava presente. Entrei na sessão, conversei um pouco com o juiz, assinei e pronto. Saí com a certidão de divorciada em mãos", relembra a servidora pública Ivonete Vieira Martini.

A servidora pública aderiu lá no final dos anos 70 a prática do divórcio (Foto: Arquivo Pessoal)
A servidora pública aderiu lá no final dos anos 70 a prática do divórcio (Foto: Arquivo Pessoal)

Feliz e aliviada, foi a primeira vez que voltava a assinar seu nome de solteira. E, assim como ela, muitas mulheres também aderiram à solução legal. Conforme observou no dia do fórum, a maioria presente era de fato feminina.

"Os homens não moviam um dedo. Quando finalmente abriu essa possibilidade, nós mulheres fomos as primeiras a correr atrás".

Ivonete casou-se muito jovem, aos 16 anos, ficando assim por mais seis. Segundo ela, o matrimônio terminou por motivações de ordem financeira, além da "falta de perspectiva" de uma vida conjunta.

"Tinha que se ter primeiro muita coragem. Uma mulher desquitada era mal vista, porque não continuava nem casada nem permanecia solteira" (Foto: Arquivo Pessoal)
"Tinha que se ter primeiro muita coragem. Uma mulher desquitada era mal vista, porque não continuava nem casada nem permanecia solteira" (Foto: Arquivo Pessoal)

Nada referente ao divórcio era comum, muito menos bem visto às mulheres pela sociedade. O que hoje entende-se por "separação", um dia foi considerado "desquite por mútuo consentimento".

"Tinha que se ter primeiro muita coragem. Uma mulher desquitada era mal vista, porque não continuava nem casada nem permanecia solteira. Ou seja, ficava em cima de muro. E fora que tinha também a questão dos filhos, isso se o casal tivesse. Eu, por exemplo, já tinha 2", comenta.

Os juízes e técnicos jurídicos estavam dispostos a resolver rapidamente as situações litigiosas, principalmente aquelas que estavam pendendo há muito tempo. Em Mato Grosso do Sul, a fila processual era intensa por conta que a execução da Lei do Divórcio foi posta em prática 2 anos depois, junto ao ano em que o novo estado começou a valer de fato, em 1979. Tanto é que o de Ivonete demorar a ser validado, apenas em 1984.

Com uma amiga, Ivonete sorri em clique. "Hoje sou muito mais feliz" (Foto: Arquivo Pessoal)
Com uma amiga, Ivonete sorri em clique. "Hoje sou muito mais feliz" (Foto: Arquivo Pessoal)

"Eu fui lá resolver porque eu simplesmente não queria estar mais presa àquela situação", afirma. "Hoje sou muito mais feliz".

Somente anos mais tarde, em 2009, foi quando Ivonete voltou a aderir a prática do casório. Morando em Dourados pertinho de uma das filhas e do casal de netos, pretende continuar assim do jeito que está junto ao novo "maridão" Hudson – até que a morte vos separe.

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Ivonete posa em selfie junto ao seu atual marido, Hudson (Foto: Arquivo Pessoal)
Ivonete posa em selfie junto ao seu atual marido, Hudson (Foto: Arquivo Pessoal)
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