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Comportamento

No Salão do "Pé Sujo", cabeleireiro atende de chinelo e sem frescuras

Por Mariana Lopes | 21/09/2017 06:30
Na fachada, um pé encardido
Na fachada, um pé encardido

"Aqui o corte é rápido, na água, navalha e álcool, sem frescura". A narrativa vem de Leandro Roberto de Oliveira, cabeleireiro e proprietário do Salão do Pé Sujo. Ele fala enquanto passa a máquina na cabeça de um cliente. No bairro Coronel Antonino, o estabelecimento abriu as portas há 14 anos. Mas a placa na fachada, com um pé encardido para ilustrar, foi colocada há seis meses.

O nome do salão tem dois motivos. Um por por ser o apelido de Leandro, e outro para romper barreiras com a clientela. "Aqui é o salão do 'eiro', do pedreiro, serralheiro, marceneiro, carpinteiro, é salão de peão", brinca. 

De maneira bem despojada, o uniforme de Leandro é chinelo, camiseta e bermuda. "Sou largado porque meus clientes gostam assim e aqui a pessoa tem que ficar a vontade", diz Leandro.

De chinelo e sem frescura
De chinelo e sem frescura

Mesmo no sistema rústico de atendimento, Marcos Rosário dos Santos, 34 anos, é cliente fiel do Pé Sujo há 12 anos. O cartão fidelidade veio do pai dele, que também só corta o cabelo com Leandro. "Ele corta bem, não fica enrolando e a gente ainda ganha uma cervejinha', conta o trabalhador.

Mas além dos pontos profissionais, Leandro ganha o cliente pela simpatia e alto astral. Embora ele próprio se intitule debochado e sem papas na língua, o bom humor foi o que conduziu o bate papo com o Lado B.

E foi caindo na gargalhada que Leandro contou quando deixou uma vendedora de cosméticos de cabelos em pé quando ela chegou ao salão para oferecer os produtos. "Ela me perguntou se eu tinha interesse em olhar e eu disse que aqui lavava os cabelos dos meus clientes com detergente", lembra.

Por coincidência, ou não, no balcão próximo ao lavatório há um pote de detergente. Ao ser questionado se ele realmente usava o produto de limpeza pra lavar os cabelos, com outra gargalhada ele respondeu: "pelo menos tira a oleosidade, né?!"

Seja qual for o segredo, no Salão do Pé Sujo o entra e sai de cliente é grande. Leandro afirma que, por dia, ele chega a atender entre 35 e 40 cortes. O valor é R$ 20, e só no dinheiro.