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Comportamento

Pai morreu, mas há 3 anos aniversário dele é comemorado no restaurante preferido

Por Paula Maciulevicius | 02/11/2015 07:12
Jantar de comemoração pelo aniversário de Gilson, na Cantina Romana, no último dia 29.
Jantar de comemoração pelo aniversário de Gilson, na Cantina Romana, no último dia 29.

Há 3 anos a saudade é posta à mesa para celebrar a vida no restaurante preferido do pai. Gilson Torres, tio "Gordinho" ou Gordo, como era conhecido, faria 53 anos no último dia 29. Como de costume, a família e os amigos mais próximos saíram para jantar. Telefonemas e mensagens entre si decidiram que a Cantina Romana, um dos restaurantes preferidos dele, seria o local para juntos comemorarem o aniversário. Da mesma forma que Gilson teria passado, se ainda estivesse aqui.

Gilson passou 10 anos em tratamento de uma doença cardíaca, chegou a usar e até trocar o marca-passo. Foram muitos sustos e internações ao longo de uma década. Internado no Proncor, ele morreu dia 21 de outubro de 2013, na fila, à espera de um transplante. No dia seguinte o hospital de São Paulo ligou, tinha chegado a vez dele, para o procedimento. Mas era tarde. 

Fazendo churrasco, uma das coisas que mais gostava. (Foto: Arquivo Pessoal)
Fazendo churrasco, uma das coisas que mais gostava. (Foto: Arquivo Pessoal)

Desde 2013 a família pôs em prática a comemoração de forma tão natural que ninguém se dá conta. "Esse é o terceiro ano que a gente faz isso. O primeiro foi difícil, mas era como se ele tivesse lá", relata a filha, Carolina Sawada Torres, publicitária de formação e nômade de alma, de 27 anos.

Naquela semana, Gilson tinha sido questionado pela esposa, certa de que ele não faria qualquer comemoração de aniversário. A resposta foi bem ao contrário. "Ele falou 'está louca? É claro que eu vou fazer'. Era isso que ele gostava, de comer, de reunir amigos, a família era tudo para ele", conta Carol.

E o legado que "Gordo" deixou, apelido de infância devido ao peso de Gilson, foi continuado por quem ficou. "Não foi uma ideia sabe, a gente se falou: onde vamos sair hoje? É um meio de celebrar a vida, a gente pensa nele sempre com muito carinho", explica a filha.

Claro que a saudade ficou e materializada numa mesa com comida e rodeada de amigos. Gilson não gostava de ficar sozinho, sempre que a esposa viajava a trabalho, ele saía com as filhas para todas as refeições. Em casa, era de receber amigos e sair também para vê-los, em especial o cunhado, considerado o melhor amigo.

O que ficou? Para Carolina são as comemorações de aniversário no dia 29 de outubro, com tagliarini à bolonhesa e filé à pizzaiolo da Cantina e o que é engraçado na vida. "Ele era assim, mesmo doente, sempre estava fazendo uma piada. Fica a alegria. O valor à vida. Como ele ficou 10 anos doente ele aproveitava bem mais cada momento".

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Gilson com a família, duas filhas e a esposa. (Foto: Arquivo Pessoal)
Gilson com a família, duas filhas e a esposa. (Foto: Arquivo Pessoal)