União garante à Bracell energia na "porta da fábrica" em 2029
Governo do Estado pediu ao ONS oferta de energia e novos leilões para ampliar capacidade de transmissão em MS

Autoridades do ONS (Operador do Sistema Nacional) asseguraram ao Governo do Estado e a dirigentes da Bracell que a empresa poderá contar com energia “na porta da fábrica” em 2029 para dar iniciar o processo de produção de celulose na unidade que construirá em Bataguassu. Além dessa garantia, em reunião ocorrida no final da semana no Rio de Janeiro (RJ), foi assegurada a realização de um estudo técnico pela EPE ( Empresa de Pesquisa Energética) para mapear os gargalos no setor. Não há falta de energia para a expansão econômica em Mato Grosso do Sul, mas é preciso ampliar a rede de transmissão, para levar o insumo e também receber o excedente que grandes fábricas produzem em seu processo industrial.
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O Operador do Sistema Nacional (ONS) garantiu à Bracell que a empresa terá energia disponível em 2029 para iniciar a produção de celulose em sua nova fábrica em Bataguassu, Mato Grosso do Sul. A construção do empreendimento, que demandará um investimento de R$ 16 bilhões, deve levar cerca de três anos e já possui licença prévia. Além da garantia de energia, foi anunciado um estudo técnico pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para identificar as necessidades de expansão da rede de transmissão na região. A Bracell precisará de 66 megawatts inicialmente, podendo gerar até 400 megawatts posteriormente, com a intenção de injetar 200 megawatts na rede. A falta de infraestrutura para transmissão de energia já havia sido destacada anteriormente, e novas tratativas estão sendo realizadas para resolver essa questão.
Segundo Jaime Verruck, titular da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), no caso da Bracell era necessária a garantia da oferta de energia para ativar a fábrica, que já conta com licença prévia, liberada no início de dezembro, e cuja construção deve durar cerca de 3 anos. O empreendimento, próximo ao Rio Paraná, representa um investimento de R$ 16 bilhões. A empresa também demanda rede de transmissão para vender ao sistema o excedente que produzirá quando a unidade estiver em operação, como ocorre em outras fábricas de celulose e usinas de álcool.
Pelos planos do ONS, o Estado encontra-se em cota zero nos leilões para ampliação de rede de transmissão, com precisão de oferta na região onde funcionaria a unidade da Bracell somente em 2032. Quando não há rede para receber, as indústrias perdem o excedente do que é gerado com a incineração de matéria-prima não utilizada na fábrica.

Para o início de operação, a Bracell precisará de 66 megawatts, conforme Verruck, e depois, deverá gerar cerca de 400, com possibilidade de colocar cerca de 200 megawatts na rede de transmissão para consumo no país. Segundo Verruck, logo deve sair a outorga para a empresa ser atendida com o recebimento de energia e a parte da venda do excedente ainda envolverá mais tratativas. “Vamos ainda tentar resolver isso”.
A falta de oferta de linhas já tinha sido relatada em uma nota técnica no ano passado e também já foi tratada diretamente pelo governador Eduardo Riedel ao ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira. Com o anúncio de que a EPE fará um estudo técnico para mapear as necessidades de expansão no setor, fica uma expectativa de novos leilões da rede de transmissão em um espaço mais breve.
Quando revelou a pendência desse pedido, o secretário explicou que outras empresas fizeram investimentos para colocar o excedente nas linhas de transmissão disponíveis, como a Suzano, por exemplo, que criou rede até a subestação Mimoso, em Ribas do Rio Pardo, e a Arauco, que está construindo sua unidade em Inocência, fará um linhão até Ilha Solteira (SP), na divisa com o estado, mas também será preciso haver melhor condição de recebimento de oferta de energia. A Bracell teria que fazer uma linha de 155 km até Ivinhema, mas para isso, a capacidade de transmissão precisa ser ampliada para receber a energia e colocar no sistema gerido pelo ONS.
Nas informações divulgadas para o processo de licenciamento, a empresa informou que pretende utilizar 12 milhões de m³ de eucalipto por ano, com duas situações de fabricação, uma com celulose para papel, com capacidade total de 2.920.000 toneladas ao ano, em anos em que não haja parada geral de manutenção ou de 2.800.000 toneladas ao ano, nos anos com parada geral. A segunda composição será a produção de celulose para papel e também de celulose solúvel, com uma das linhas de fibras produzindo 1.460.000 toneladas ao ano de celulose kraft e a outra linha de fibras com 1.147.143 toneladas ao ano de celulose solúvel, totalizando 2.607.143 toneladas ao ano de celulose, em anos sem parada geral. Nos anos com parada geral, a produção de celulose solúvel será de 1.100.000 toneladas ao ano e mais 1.400.000 toneladas ao ano de celulose kraft, totalizando 2.500.000 toneladas.

