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Comportamento

Para tradição não morrer, famílias se reúnem e pintam rua para a Copa

Farra começou cedo: pais desenharam e escreveram no chão enquanto a pintura ficou por conta dos filhos

Por Natália Olliver | 04/06/2026 12:11
Para tradição não morrer, famílias se reúnem e pintam rua para a Copa
Para tradição não morrer, famílias se reúnem para pintar rua para a Copa (Foto: Osmar Veiga)

Para não deixar morrer a herança de pintar a rua durante a Copa do Mundo, famílias se reuniram no bairro Rita Vieira para ensinar os filhos e até os netos a manter a tradição viva, com significado de união e partilha. A farra começou cedo: os pais desenharam e escreveram no chão, enquanto a pintura ficou por conta dos filhos.

Não faltou animação. Trajados com a camiseta do Brasil, os pequenos aproveitaram para dividir a atividade com amigos, primos e irmãos. A ideia veio da professora de educação física e dona da casa onde o mural ficará, Dayanne Borges, de 36 anos, mãe de Lucca Borges, de 6 anos.

“Essa ideia surgiu de uma lembrança que a gente queria trazer para essas crianças, de como era a época de Copa na nossa infância. Então está sendo algo muito legal ver elas envolvidas, super animadas nesse processo. Aquela parte ali da bola vai ser feita com as mãozinhas das crianças em volta, coloridas de verde e amarelo. E vamos fazer uma amarelinha também ali para eles brincarem.”

Para tradição não morrer, famílias se reúnem e pintam rua para a Copa
Pais desenharam e crianças ficaram com a diversão de pintar (Foto: Alfredo Jaime)

Ela relembra que, quando criança, isso era algo mágico e divertido. A vizinhança se juntava para fazer e dividir as tarefas.

“Cada um fazia algo que tinha uma habilidade, e é o que está acontecendo aqui: quem tem habilidade para desenhar, desenha; quem tem habilidade para pintar, já está ali pintando; e assim a gente vai juntando. Vai ficar uma memória inimaginável. Algo assim que eles vão levar para toda a vida, assim como nós.”

O filho disse que a sensação é de diversão. A expectativa para ver a Copa está alta. A aposta do pequeno é que o Brasil leve a melhor contra o Marrocos, jogo de estreia no dia 13 de junho, estreia da seleção na competição. “Vai ganhar”, diz Lucca.

Quem fez questão de marcar presença foi a vózona Cilene Maria Elisban Silva, de 71 anos. Essa é a primeira vez que ela participa de uma pintura ao lado da neta, Antonela, de 5 anos. Porém, a história dela com a pintura de rua para a Copa é antiga.

Para tradição não morrer, famílias se reúnem e pintam rua para a Copa
Dayanne Borges, que desenvolveu a ideia, e o filho Lucca, de 6 anos (Foto: Osmar Veiga)

“Sempre fiz e participei. Isso é muito importante porque são valores que estão sendo perdidos, torcer pela Copa e pelo Brasil. Minha família se reunia e meus pais sempre estavam presentes, participando de eventos e encontros. Desde criança participava da pintura e continuei com meus filhos e hoje com a minha neta. Isso é muito importante para elas porque queremos um futuro melhor para elas e pintar isso faz parte. Ensinamos para eles que vale a pena caminhar acreditando que tudo pode ser melhor.”

Para ela, o patriotismo precisa estar presente na vida das crianças de maneira saudável. “É muito, muito gratificante participar e hoje nós estamos fazendo uma conscientização dessas crianças pequenas com a família que já está mostrando o que representa o Brasil, representando para eles a importância que tem estar participando desse momento.”

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 Cilene Maria Elisban Silva levou a neta, Antonela de 5 anos para pintar rua (Foto: Osmar Veiga)

O casal Bruno Alves Nogueira, de 43 anos, e Denise Ferreira de Araújo resolveu inovar e, além de estimular a filha Luísa, de 6 anos, a participar, também usou camisetas com uma personalização única. Na blusa dele, “Pai da Luísa”; na dela, “Mãe da Luísa”.

É o servidor estadual que desenhou para que as crianças pudessem pintar. O dom vem desde a infância, quando salvava os colegas de escola nas aulas de artes. “Colocamos ela como centro e somos só o pai e a mãe. Desde cedo a gente gostou de desenhar e trouxe esse hábito para Luísa, passando de pai para filha. A gente vê que ela tem talento já.”

Para tradição não morrer, famílias se reúnem e pintam rua para a Copa
Para tradição não morrer, famílias se reúnem e pintam rua para a Copa
Bruno Alves Nogueira, Denise Ferreira e a filha Luísa (Foto: Osmar Veiga)

Para Bruno, estar junto da filha nesse momento cria memórias que não vão se apagar no dia seguinte. “Vai passar os anos e eles vão lembrar desses momentos de Copa do Mundo. Porque só a tela hoje em dia não cria tantas memórias igual esse.”

A protagonista da homenagem dos pais, Luísa de Araújo Nogueira, conta que a parte de pintar a bandeira foi a melhor. “Um dia eu desenhei o ganso do Patinho Feio, ficou bem realista. Me sinto alegre de fazer isso. Gostei de pintar a bandeira”.

Depois da atividade toda, Dayanne ainda preparou uma mesa personalizada, cheia de frutas e doces, para a criançada. Ali na mesa, os brigadeiros e beijinhos viraram jogadores de futebol. Além das guloseimas, ela caprichou na decoração com bandeiras do Brasil, bolo decorado com as cores da seleção e balões.

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Dayanne ainda preparou uma mesa personalizada para a criançada  (Foto: Osmar Veiga)


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