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Comportamento

Médico transforma ônibus de 1969 em motorhome dinossauro

Célio apelidou o veículo de “Dininho” e comprou versão ainda maior de 1977

Por Natália Olliver | 19/05/2026 06:10
Médico transforma ônibus de 1969 em motorhome dinossauro
Ônibus de 1969 é relíquia da estrada batizado por Célio de "dininho" (Foto: Juliano Almeida)

Célio Helegda, de 52 anos, desfila por aí com verdadeiros dinossauros das estradas. Se para muita gente os ônibus antigos são apenas sucata esquecida em algum pátio, para o cirurgião vascular eles representam história e excelentes motorhomes. Há 3 anos, ele comprou a primeira relíquia, um Ciferal 1969 apelidado de Dininho. A pintura chama atenção por onde passa. Para fazer jus ao nome e à fama, ele estampa, de fora a fora, um “vale encantado” repleto deles.

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Cirurgião vascular de 52 anos transforma ônibus antigos em motorhomes e coleciona relíquias automotivas. Célio Helegda possui dois clássicos: um Ciferal 1969, apelidado de Dininho, e um modelo de 1977 chamado Dinossauro, ex-frota da Viação Impala. Os veículos foram adaptados para viagens, preservando características originais. O Dinossauro aguarda certificação de placa preta por sua originalidade histórica.

Além dessa versão, Célio tem outro clássico, o modelo 1977, conhecido como o verdadeiro Dinossauro da antiga Viação Cometa. No Lado B, ele relembra como nasceu a paixão pelas máquinas antigas. Os carros estavam no 5º Encontro de Motorhomeiros e Campistas de Mato Grosso do Sul e fizeram sucesso por lá.

Médico transforma ônibus de 1969 em motorhome dinossauro
Médico transforma ônibus de 1969 em motorhome dinossauro
Para fazer jús ao nome veículo é pintado com dinossauros (Foto: Natália Olliver Juliano Almeida)

Célio é apaixonado por veículos antigos desde antes da faculdade e mantém até hoje o primeiro carro que ganhou da mãe: um Ford 1951, guardado, funcionando e tratado quase como membro da família. O gosto pelas relíquias cresceu com o tempo. Vieram outros carros, viagens para encontros automotivos e, depois, um interesse ainda mais específico: os motorhomes feitos a partir de ônibus clássicos.

Foi assim que nasceram “Dininho” e “Dinossauro”, dois modelos transformados em casas sobre rodas, mas preservando a essência original. O mais antigo da dupla é o “Dininho”, conhecido como Flecha de Prata. Compacto para os padrões da época, ele era usado no transporte intermunicipal e traz a motorização original Mercedes-Benz 352A. A carroceria em duralumínio ajudou o modelo a ganhar fama de resistente e leve.

Célio conhece detalhes técnicos e históricos dos veículos e fala deles como quem fala de velhos amigos.

Médico transforma ônibus de 1969 em motorhome dinossauro
Médico transforma ônibus de 1969 em motorhome dinossauro
Interior do ônibus "flecha de prata" ou "dininho" para Célio (Foto: Natália Olliver)

No Dininho, por dentro, o clima é praticamente uma viagem no tempo. O estofado xadrez lembra sofá de casa de vó; há mesa com sofá em volta, rede para descanso e espaço para até 6 pessoas dormirem. A geladeira é original das décadas de 1950 e início de 1960.

“Eu comecei a construir um ônibus que eu comprei de um conhecido, mas era baixo e pequeno. Então, um senhor negociou esse e pegou o meu em troca. Esse é um Ciferal 1969, tem motor usado de caminhões boiadeiros, ele é mais robusto. Veio completo com placa solar e aquecedor a gás”.

Apesar da pintura do Dininho, é o “Dinossauro” que chama ainda mais atenção. O ônibus, de 1977, foi encontrado depois de anos sendo observado em anúncios. “Eu acompanhava esse ônibus há muito tempo, mas o valor era alto. Depois de dois anos, o preço baixou e consegui parcelar”, lembra.

Médico transforma ônibus de 1969 em motorhome dinossauro
Médico transforma ônibus de 1969 em motorhome dinossauro
Dinossauro é de 1977, inspirado no irmão mais velho e modelo de 1969 (Foto: Natália Olliver)

Ele conta que o modelo trabalhou nas rotas entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro pela antiga Viação Impala, ligada à Cometa. Equipado com motor Scania 112, o veículo fazia parte de uma geração que dominou as estradas brasileiras nos anos 1970 e início dos anos 1980.

Na prática, o apelido “Dinossauro” não é exagero. Esses ônibus eram considerados os mais rápidos, confortáveis e confiáveis do transporte rodoviário brasileiro na época, antes da chegada dos famosos Flecha Azul.

“Era um ônibus muito avançado para aquele período. Foi usado durante muito tempo. Já tinha outro modelo inspirado nos ônibus americanos. Eles eram ônibus maiores, de até 12 metros, máximo previsto pela lei. Depois, a lei mudou e, em 1979, passaram a permitir os de 14 metros”.

Médico transforma ônibus de 1969 em motorhome dinossauro
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Veículo acomoda até 10 pessoas e tem até beliche (Foto: Natália Olliver)

Hoje, o veículo está em processo para receber a chamada “placa preta”, certificação destinada a automóveis com alto grau de originalidade histórica. “É por manter completa originalidade, apenas tendo sido transformado. Na verdade, creio que será o único motorhome placa preta no próximo evento”.

Segundo Célio, praticamente toda a estrutura foi preservada, incluindo rodas raiadas usadas nos antigos caminhões “jacaré”. “Mecanicamente, ele está completamente original”, afirma.

O interior foi adaptado para viagens longas sem perder o charme vintage. O ônibus acomoda até 10 passageiros e possui móveis de madeira, dois beliches, banheiro social e um quarto suíte. Na cozinha, há outra raridade difícil de encontrar: uma geladeira antiga original.

“Busquei em Ponta Porã. A dele, que veio com ele, que era a gás, não consegui salvar, mas está arrumando, acho que vai resolver. Tanto esse quanto o outro não enferrujam, são de alumínio, não oxidam. É um ônibus que resiste ao tempo, por isso Dinossauro. Eu comprei o Dininho em 2023 e esse em 2025”.

Na coleção do médico, há carros sobre os quais ele prefere não falar por segurança. “Tenho relíquias como Ford 1949. O Ford 51 é o meu predileto, o carro em que estudei, fiz faculdade”.

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