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Comportamento

Projeto oferece ajuda a quem perdeu pessoas queridas para covid

Tear do Luto é iniciativa gratuita de psicólogas em Campo Grande.

Por Letícia Ávila | 31/03/2021 07:10
Diante de tantas questões, o acolhimento psicológico se torna essencial “para diminuir o sentimento de solidão e desamparo”. (Foto: Kísie Ainoã)
Diante de tantas questões, o acolhimento psicológico se torna essencial “para diminuir o sentimento de solidão e desamparo”. (Foto: Kísie Ainoã)

Diante da perda de tantos entes queridos, amigos e conhecidos, a necessidade de acolhimento diante da falta de esperança provocada pela Covid-19 é um alento em meio à pandemia. Por isso, o projeto Tear de Luto oferece ajuda psicoterapêutica para quem perdeu alguém da doença, de forma gratuita e on-line.

Em meio a vulnerabilidade trazida e fixada pela doença durante esse um ano de pandemia, vem também a frustração e solidão de lidar com o luto, ainda mais quando ele vem por uma doença que ainda conhecemos tão pouco.

Com vagas já preenchidas, o Tear do Luto é desenvolvido pelo Coletivo Nós, desenvolvido por seis psicólogas. No formato de 10 encontros, as reuniões serão semanais on-line e começarão na segunda quinzena de abril, com três grupos com no máximo 10 participantes.

“A pandemia transformou a realidade e diante da morte, resolvemos não recuar, mas oferecer um espaço de escuta que seja um fiar de alento e esperança para acolhimento da dor, memórias e histórias”, ressalta a psicóloga Lígia Burton, integrante do Coletivo.

Se o luto sempre foi uma questão difícil de ser dialogada em qualquer espaço social, com a pandemia, a morte tomou proporções ainda maiores, destaca a psicóloga. “Precisamos criar e fortalecer espaços para trabalhar o luto. Durante a pandemia, o luto é singular”.

Não poder velar o corpo de um ente querido, participar muitas vezes do velório e de todos os processos que envolvem o luto são realidades difíceis de ser encaradas diante de uma morte de Covid-19. “A ausência desses rituais tão importantes e o isolamento social tornam o enlutamento ainda mais desafiador e difícil”.

Até mesmo a banalização da morte, acompanhada de discursos negacionistas diante das mortes causadas pela Covid, também causa sofrimento. “Essa negação prejudica o curso natural do luto”.

Diante de tantas questões, o acolhimento psicológico se torna essencial “para diminuir o sentimento de solidão e desamparo”, explica Lígia. “Apostamos na construção de espaços de cuidado, acolhimento e testemunho dos sofrimentos decorrentes da perda de pessoas amadas”, destaca.

Ela explica que o Coletivo Nós surgiu pela visão de outras cinco mulheres além dela: Rebeca Moreira, Karoline Oliveira, Júlia Palmiere, Ana Loureiro e Cristiane do Amaral. Psicólogas, contam que enxergam a Psicologia como ferramenta de acolhimento para a promoção de saúde em meio às dificuldades e demandas do mundo. O próprio nome “Nós” vem da ideia de “que estamos desatando nós, elaborando ideias e pensamentos para agir sobre o mundo”, afirma Lígia.

As vagas para o Tear do Luto já se esgotaram, mas Lígia acredita na importância de outras iniciativas de suporte em Campo Grande e em todo o país. “Além disso, nos colocamos à disposição para outros encaminhamentos e oferecemos atendimento psicológico”.

Quem quiser conhecer mais o projeto e o Coletivo Nós, basta acessar o Instagram.

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