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Campo Grande, Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

08/12/2018 07:26

Quando a mãe fez 85 anos, filha tomou difícil decisão de procurar lar de idosos

Ao contrário do que dizem, muitas vezes esses lugares não são resultado de abandono da família.

Kimberly Teodoro
Andressa conta que a separação da mãe foi dolorosa, mas necessária para o bem estar de Helena (Foto: Kimberly Teodoro)Andressa conta que a separação da mãe foi dolorosa, mas necessária para o bem estar de Helena (Foto: Kimberly Teodoro)

Depois de 85 anos de uma vida cheia de histórias, Helena* buscou a tranquilidade para envelhecer com segurança no Sirpha Lar do Idoso. Com o acolhimento, os dias ganharam novas cores de liberdade para quem foi uma mulher independente e não se acostumou com a solidão que veio com a viuvez.

A decisão tomada em conjunto com a filha Andressa*, de 46 anos, foi dolorosa, mas está longe do estereótipo do abandono que a maioria das famílias que passa por essa escolha carrega. Com um filho de 12 anos e a rotina de quem trabalha fora, dar a atenção e os cuidados médicos de que a mãe necessitava ficaram difíceis, principalmente, depois do diagnóstico de diabetes tipo 1, aquele em que a pessoa precisa de doses diárias de insulina. O conforto de Helena foi o fator definitivo.

Hoje as duas conseguem passar mais tempo de qualidade juntas (Foto: Kimberly Teodoro)Hoje as duas conseguem passar mais tempo de qualidade juntas (Foto: Kimberly Teodoro)

“Quem gosta de ficar sozinho? Eu não”, questiona Helena, que diz não ter um único dia que não seja animado no lar. Morando há 2 anos no Sirpha ela se sente em casa e tem sempre companhia, muito comunicativa ela conhece todo mundo, funcionários e acolhidos. “Aqui temos horário para comer, tomar os remédios, e atividades como fisioterapia, música, temos a visita de religiosos uma vez por semana, e ninguém te obriga a nada”, afirma, retomado o ponto dos horários de refeições e medicamento mais de uma vez.

De acordo com Andressa, a insistência nos horários é porque a mãe sempre foi muito nervosa e preocupada com tudo. Além de ter passado boa parte da vida tomando responsabilidades para si, o estado de espírito se agravou com a diabetes, que também sofre influência emocional, mas que desde o acolhimento do lar, são preocupações que não fazem mais parte da rotina de Helena.

“Ela reclamava muito de dores e doenças que ela não tinha, era psicológico. Há 2 anos, todas essas coisas desapareceram. Hoje, ela tem a certeza de alguém do lado para ajudar sempre que precisar”, relata a filha, que escolheu o Sirpha depois de visitar outros 4 lares para idosos. Para ela, além das instalações e do atendimento médico, o cuidado que os profissionais têm com os acolhidos foi essencial na escolha.

Para Andressa junto com o acolhimento no lar de idosos, veio a certeza de que a mãe tem mais qualidade de vida (Foto: Kimberly Teodoro)Para Andressa junto com o acolhimento no lar de idosos, veio a certeza de que a mãe tem mais qualidade de vida (Foto: Kimberly Teodoro)

“Nos sentimos à vontade aqui, tanto eu fico tranquila sabendo que ela está sendo bem cuidada, como ela ganhou a segurança de estar acompanhada o tempo todo. Todos os funcionários são dedicados e é visível que fazem o trabalho dele com amor, muitos dos idosos aqui são melhores tratados por eles do que pelos próprios membros da família”, conta.

Por ser filha única, Andressa cuidou sozinha dos pais a vida inteira. Mesmo depois de casada, ela continuou na casa deles quando a idade chegou, a diferença é que na época, o pai ainda estava vivo e os dois ajudavam um ao outro. Situação que mudou depois da morte dele. Helena não queria depender de ninguém e ainda passou quase 1 ano morando sozinha, só com a idade ela aceitou ir morar com a filha.

Sempre muito ativa e a frente do próprio tempo, uma das coisas que Helena mais preza é a liberdade de ir e vir, o que a idade dificultou muito e passou a tirar a paz da filha, que ia trabalhar e na volta não encontrava a mãe, “muito arteira” em casa. Liberdade que ela acabou por encontrar no lar, com o bônus de ter todas as necessidades atendidas sem precisar ir longe e do convívio social do qual ela tanto sentiu falta.

As visitas são constantes e hoje Andressa diz passar mais tempo de qualidade com a mãe. “Apesar de morarmos juntas na época, estávamos separadas pela rotina”.

Saudade mesmo, Helena só tem do neto, que por estar em semana de provas da escola não acompanhou a mãe dessa vez, mas prometeu vir no domingo, um dos momentos favoritos dela, que conta que ele está tão à vontade que até dorme na cama da avó.

“Optar por um lar de idosos não é um bicho de sete cabeças e precisa ser desmistificado, quem precisa recorrer a essa forma de cuidado é crucificado, mas fiquei muito tempo me perguntando sobre essa decisão, principalmente pela imagem que as pessoas têm. Mas eu sei que foi a decisão certa, apesar de dolorosa, é um ato de amor reconhecer que os idosos precisam de cuidados especiais”, afirma Andressa.

Os nomes citados na reportagem são fictícios para preservar a imagem das fontes, que ainda sofrem com as cobranças sobre a decisão pelo lar de idosos.

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