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Lado Rural

Com custos e desafio de trocar eucalipto por soja, fazenda tem dia de campo

“O gasto foi de R$ 10 mil por hectare para voltar a ter solo fértil”, diz Giroto

Por Aline dos Santos | 24/02/2026 14:51
Com custos e desafio de trocar eucalipto por soja, fazenda tem dia de campo
Cultivo de soja, com plantação de eucalipto ao fundo, às margens da BR-262 (Foto: Osmar Veiga)

Com custo de R$ 10 mil por hectare para trocar eucalipto por soja, a Fazenda Pastinho, a 20 km de Campo Grande, teve um dia de campo nesta terça-feira (24) para exibição de cultivares do grão, um dos principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul.

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A Fazenda Pastinho, localizada a 20 km de Campo Grande, realizou um dia de campo para apresentar cultivares de soja após converter área de eucalipto para agricultura. O processo de transformação custou R$ 10 mil por hectare e envolveu a remoção de tocos das árvores para recuperar a fertilidade do solo. Com 980 hectares cultiváveis, a propriedade arrendada por Edson Giroto já dedica 600 hectares à soja. A expectativa de produtividade é de 75 sacas por hectare, superando a média estadual de 52,82 sacas. O evento contou com a participação de empresas como Bayer, Syngenta e Embrapa, que apresentaram diferentes variedades do grão.

Na saída para Três Lagoas, depois da linha férrea, já se avistava da BR-262, entre as densas nuvens prometendo chuva, as 12 tendas montadas para o evento do agronegócio.

A fazenda foi arrendada por Edson Giroto (PL), ex-secretário estadual de Obras e ex-deputado federal, e se prepara para a terceira colheita de soja. Dono de fazenda de gado, ele conta que foi um desafio transformar a área da silvicultura para a agricultura.

Com custos e desafio de trocar eucalipto por soja, fazenda tem dia de campo
Giroto discursa durante abertura do dia de campo na Fazenda Pastinho. (Foto: Osmar Veiga)

“É a primeira área que está fazendo o processo reverso, do eucalipto para a soja. Estamos num desafio, aprendendo o que o eucalipto tira de nutrientes do solo, o custo que é você reverter a área de silvicultura para a agricultura. O custo foi de R$ 10 mil por hectare para voltar a ter solo fértil”, diz Giroto.

Após o corte do eucalipto, sobram os tocos, que são removidos com maquinário, estocados e enterrados.

Com custos e desafio de trocar eucalipto por soja, fazenda tem dia de campo
Fazenda fez a conversão da silvicultura para a agricultura. (Foto: Osmar Veiga)

A Pastinho tem 1.300 hectares. Excluída a área de reserva, sobram 980 hectares para o cultivo. Deste total, o grão já se espalha por 600 hectares. A soja foi plantada em novembro para aproveitar a chuva e deve ser colhida nos próximos dias.

A expectativa é de 75 sacas por hectare. Enquanto que a previsão em Mato Grosso do Sul é de média de 52,82 sacas por hectare.

Para o dia de campo, a Sementes Agroeste, braço da Bayer, levou três cultivares da soja, batizados de “3790”, “3720” e “3640”.

Com custos e desafio de trocar eucalipto por soja, fazenda tem dia de campo
Segundo Diego, a Sementes Agroeste, braço da Bayer, levou três cultivares da soja. (Foto: Osmar Veiga)

“O diferencial delas é que são resistentes a macrophomina, uma doença que tem no solo. E a ‘3720’, que é lançamento nosso para esse ano, tem tolerância à ferrugem”, afirma Diego Arriero Rodrigues, representante comercial. Cada cultivar tem ciclo diferente entre o plantio e a colheita, com prazos de 115 dias a 145 dias.

A Golden Harvest, da Syngenta, levou três variedades de soja para o evento. “São duas de ciclo mais curto e uma de ciclo médio. A Golden Harvest produz genética e passa para os multiplicadores. O nosso papel aqui hoje é fomentar esses materiais para que os multiplicadores tenham demanda”, afirma Rodrigo Rodrigues, representante técnico de vendas.

O ciclo curto, de 123 dias, se adapta melhor de Campo Grande para o Sul do Estado, devido a questões climáticas.

Com custos e desafio de trocar eucalipto por soja, fazenda tem dia de campo
 Alfred mostra linhagem pré-comercial, ainda em fase de testes. (Foto: Osmar Veiga)

A Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa, multiplicadora de sementes da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), colocou em exposição uma cultivar e uma linhagem, que ainda faz parte de programa de melhoramento.

“Ela é pré-comercial. São analisadas produtividade, ciclo de maturação, rusticidade, como se comporta numa região de estresse hídrico. Todos esses fatores são avaliados para prosseguir. São vários anos para desenvolver uma cultivar”, afirma Alfred Werner Loosli, agente técnico de desenvolvimento de mercado.

Com custos e desafio de trocar eucalipto por soja, fazenda tem dia de campo
A BRS-1064 é uma variedade de soja estabelecida no mercado. (Foto: Osmar Veiga)

Já a BRS-1064 é uma variedade estabelecida no mercado. “Ela é de ampla adaptação. Plantada desde o Rio Grande do Sul até o Mato Grosso. Sendo bastante estável em todas essas regiões”.

Conselheiro aposentado do TCE (Tribunal de Contas do Estado) e ex-deputado estadual, Jerson Domingos (sem partido) acompanhou o dia de campo.

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 Rodrigo conta que a Golden Harvest, da Syngenta, levou sojas de diferentes ciclos. (Foto: Osmar Veiga)

“Na região onde tenho propriedade, na margem do Pantanal, a vocação é só pecuária mesmo. Por questão de umidade, de altitude. Mas vir aqui hoje é extremamente importante para o conhecimento, o que Mato Grosso do Sul produz. Não posso me limitar somente aos conhecimentos da pecuária”.

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Conselheiro aposentado do TCE, Jerson Domingos acompanhou evento . (Foto: Osmar Veiga)

As cultivares são apresentadas para mostrar como elas de adaptam ao solo e ao clima da região. Os produtores escolhem a soja que melhor desempenho pode alcançar na próxima safra.

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