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Comportamento

Rebaixado pela 4ª vez, pais vascaínos sofrem para convencer os filhos

Um dos maiores clubes do país sofre com 4º rebaixamneto desde 2008, igualmente pais sofrem para fazer filhos sequigem seus passos

Por Lucas Mamédio | 01/03/2021 07:19
Eduardo e o filho durante festinha temática do Vasco (Foto: Arquivo Pessoal)
Eduardo e o filho durante festinha temática do Vasco (Foto: Arquivo Pessoal)

O faz a a gente torcer para um time de futebol? É o momento do time? Algum atleta específico? A história dele? A cor da camisa? Ou a influência dos pais?

Bom, pode não ser nada disso ou um pouco de tudo, mas que muitas vezes é um mistério, isso é. Porém, repetidas pesquisas mostram que times em ciclos constantes de títulos angariam regularmente mais torcedores, ao passo que aqueles em fase ruim, veem suas torcidas estagnarem ou até diminuírem.

Os vascaínos, coitados, são pura resiliência nesse quesito. O time caiu para a segunda divisão pela 4ª vez desde 2008, uma tragédia para um clube do tamanho dele, um dos quatro grandes do Rio de Janeiro. Tudo isso no ano em que seu maior rival, o Flamengo, é campeão brasileiro.

Orlando veste Vasco desde bebê (Foto: Arquivo Pessoal)
Orlando veste Vasco desde bebê (Foto: Arquivo Pessoal)

Com tantos reveses, como convencer os filhos a serem vascaínos ou como manter a chama do interesse pelo futebol acesa? Tarefa difícil para os papais vascaínos. O Lado B conversou com dois deles.

O procurador federal Eduardo Perdigão é vascaíno doente e pai do pequeno Orlando de três aninhos, também, até agora, torcedor do time carioca. Ele conta que sua paixão pelo Vasco começou por uma certa “rivalidade” com o avô, Flamenguista.

“Assistíamos todos os esportes, especialmente futebol, F-1 e boxe. Mas o nosso “pacto” era sempre apostar um contra o outro. Quando eu ganhava a aposta, ele me dava moedas. Quando eu perdia, eu dava a ele figurinhas de álbuns comprados com essas moeda", conta.

"Pode parecer um paradoxo, mas essa antítese era a nossa forma de demonstrar carinho e compartilhar nossa paixão. No futebol, ele só não permitiu que eu torcesse para times paulistas, os quais ele entedia como os verdadeiros rivais. Naturalmente, escolhi o Vasco, influenciado à época pelo jogador “magico” que era o Dener e comovido por seu falecimento precoce”, acrescenta.

Com o filho, ele acha que tem influência direta sobre o fato dele torcer para o Vasco. “Meu filho é vascaíno por que eu sou vascaíno. Influencio ele diretamente. Seus aniversários foram todos com a temática do Vasco. Compro camisas. Mostro jogos. Ensino o hino. Não vejo a hora de levá-lo ao estádio”.

Pablo, Gustavo e o avô em jogo do Vasco no Maracanã (Foto: Arquivo Pessoal)
Pablo, Gustavo e o avô em jogo do Vasco no Maracanã (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar do trabalho muito bem feito, o medo de Orlando não gostar de futebol ou trocar o Vasco por conta dessa situação é real. “Tenho medo, sim. Se ele não me acompanhar na paixão, é uma pena, visto que perderíamos momentos maravilhosos juntos. Se ele mudar de time, seria trágico. Eu prefiro não sofrer por antecedência”.

Eduardo aposta naquilo que o futebol tem de mais bonito manter o filho vascaíno: a capacidade de unir as pessoas. “O futebol é muito mais que 22 homens atrás de uma bola. É uma instituição como poucas neste país onde não há diferença de classe, cor, gênero, etc. A relação de pai e filho amando e sofrendo pela mesma causa é das coisas mais lindas que existe. Nós amarmos ou sofrermos pelo Vasco é um elo de almas”.

Gustavo Cancio é padrasto/pai de Pablo. Ele conta que o garoto, de 13 anos, se tornou vascaíno justamente na última fase boa do time, entre 2012 e 2013. “Vasco em uma curta fase voltou a conquistar um título nacional e a  participar da competição continental com mais chances de ganhar. Isso facilitou a escolha dele pelo Vasco naquele momento”.

Pablo consolidou sua paixão pelo Vasco na última fase boa, em 2012 (Foto: Arquivo Pessoal)
Pablo consolidou sua paixão pelo Vasco na última fase boa, em 2012 (Foto: Arquivo Pessoal)

 O próprio Gustavo se tornou vascaíno por influência do pai.“Eu me tornei vascaíno aos seis anos por influência do meu pai, que também tinha se tornado vascaíno por conta do meu avô. Então é uma paixão que na minha família tem passado de pai para filho. Na época que passei a torcer pelo Vasco foi uma fase fantástica (entre 1997 e 2000), um momento de vários títulos e relevância do time no cenário nacional e continental”.

Para Gustavo a paixão de torcer para um clube é como “tatuar algo na alma”, torna-se algo para a vida toda. “A fase do time é muito ruim há alguns anos, mas no futebol tudo pode mudar de forma relativamente rápida e há esperança que isso aconteça pelo tamanho do Vasco nacionalmente. É um processo de resiliência e esperança por dias melhores que certamente virão”.

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