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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020

25/10/2019 07:40

Sob sol forte, chapéu é proteção de Gladyson em maratona para vender água

A cada buzina uma corrida; paranaense optou por se fixar no ponto e fidelizar clientes que já o conhecem

Danielle Valentim
Maratona começa às 8h e segue até às 15h horário de fluxo intenso. (Foto: Kísie Ainoã)Maratona começa às 8h e segue até às 15h horário de fluxo intenso. (Foto: Kísie Ainoã)

É debaixo do sol forte, que há oito anos, o fluxo entre as ruas Marquês de Pombal, Pôr do Sol, Joaquim Murtinho e Avenida Ministro João Arinos é ponto certo para se encontrar Gladyson de Oliveira, de 45 anos. Mesmo com as limitações causadas por um acidente, o vendedor de água ficou famoso na região pela “correria” entre uma buzina e outra.

Gladyson nasceu no Paraná e chegou por aqui, em 1974, no antigo Mato Grosso. Antes de chegar a Campo Grande, morou em Ribas do Rio Pardo e na Vila Juti, atualmente município de Juti, na divisa com o Paraguai.

Com um chapéu sobre a cabeça, Gladyson chega a região às 6h30 e só volta para casa depois das 15h.(Foto: Kísie Ainoã)Com um chapéu sobre a cabeça, Gladyson chega a região às 6h30 e só volta para casa depois das 15h.(Foto: Kísie Ainoã)

Aos 7 anos, quando ainda morava em Ribas, o vendedor caiu de um carro em movimento e um traumatismo craniano gerou uma lesão no cérebro causando dificuldade na fala e movimentos aleatórios, como tremores nas mãos. Apesar da dificuldade, o vendedor enfrenta uma maratona, só vendo para crer.

“Deu coágulo de sangue e depois de três anos e 7 meses internado eu fui desenganado para morrer em casa. Mas temos um Deus, o médico dos médicos e por Ele estou aqui hoje”, conta.

Com um chapéu sobre a cabeça, Gladyson chega a região às 6h30 e só volta para casa depois das 15h. Com café numa garrafa plástico e a marmita na bolsa, ele faz as refeições na rua, para não precisar deixar o local.

Ele corre entre uma parada e outra de semáforo e precisa ser rápido, afinal, não dá para perde venda.(Foto: Kísie Ainoã)Ele corre entre uma parada e outra de semáforo e precisa ser rápido, afinal, não dá para perde venda.(Foto: Kísie Ainoã)
(Foto: Kísie Ainoã)(Foto: Kísie Ainoã)

Gladyson mora de aluguel no Tiradentes, em uma casa de dois cômodos. Pagando R$ 400 pela moradia, aguarda por um sorteio de casa populares. “Mesmo com prioridade, ainda não saiu. Mas estou esperando. Enquanto isso, estou aí, tentando uma renda extra. Eu recebo um benefício, mas como vivo de aluguel, preciso dar meu jeito”, frisa.

Ele corre entre uma parada e outra de semáforo e precisa ser rápido, afinal, não dá para perde venda. Cada garrafa sai a R$ 2. Como não é ambulante, Gladyson paga o MEI (Microempreendedor Individual) e recebe uma autorização para comercializar água.

“Eu não tenho um ponto fixo, posso parar em qualquer lugar, mas preferi se fixar aqui, para fidelizar os clientes e garantir a venda”, explica.

Todos os dias, antes de voltar para casa, Gladyson se reabastece com um fardo de água de 27 garrafas para chegar com o produto gelado no dia seguinte.

O vendedor não é casado, não tem filhos, mas tem sua mãe que mora em Campo Grande. “Eu tenho meu padrasto também. Mas não tenho muito contato com a família”, explica.

Cada garrafa sai a R$ 2. (Foto: Kísie Ainoã)Cada garrafa sai a R$ 2. (Foto: Kísie Ainoã)
Ele aproveita as paradas. (Foto: Kísie Ainoã)Ele aproveita as paradas. (Foto: Kísie Ainoã)
Mas corre a cada buzina. (Foto: Kísie Ainoã)Mas corre a cada buzina. (Foto: Kísie Ainoã)
Gladyson leva até um cafézinho na garrafa, para ficar na ativa. (Foto: Kísie Ainoã)Gladyson leva até um cafézinho na garrafa, para ficar na ativa. (Foto: Kísie Ainoã)
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