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Campo Grande, Domingo, 26 de Maio de 2019

10/05/2019 08:33

Suelen morreu por dizer não e família nunca entendeu o porquê de tanto ódio

Quinze anos depois, o assassino foi finalmente preso, mas “a dor não sara", diz pai da vítima

Danielle Valentim
família sabia que ele estava na região de Ponta Grossa, mas já tinha perdido a esperança de localizá-lo. (Foto: Marina Pacheco)família sabia que ele estava na região de Ponta Grossa, mas já tinha perdido a esperança de localizá-lo. (Foto: Marina Pacheco)

O machismo mata e muito antes do crime ser chamado de feminicídio. Na noite do dia 3 de julho de 2004, Suelen Cristaldo foi morta com um tiro nas costas por um desconhecido que se sentiu rejeitado. Com apenas 20 anos, a jovem pagou o preço de um “não” com a própria vida. Foragido desde o crime, Cleberson Proença de Almeida, de 34 anos, é acusado de homicídio qualificado e foi preso há quatro dias em Ponta Grossa-PR. Quase nada mudou em sua fisionomia (fotos na galeria), assim como a dor da família da vítima que esperou 15 anos por justiça e ainda se pergunta: Por que tanto ódio?

A vítima estava acompanhada do namorado em um bar do Bairro Universitário. Assim que o namorado da jovem se ausentou para ir ao banheiro, o acusado tentou investir na jovem, mas foi rejeitado. O namorado de Suelen retornou e uma discussão foi iniciada. Inconformado com a situação, o autor saiu do local, buscou uma arma, perseguiu o casal e matou Suelen.

Ela era a caçula de três irmãos e a única que ainda morava com os pais. A notícia do assassinato levou parte do coração de todos, principalmente da mãe que morreu há 6 anos por complicações de uma doença renal.

Foto da carteira de trabalho de Suelen que havia sido feita pouco tempo antes do crime. (Foto: Marina Pacheco)Foto da carteira de trabalho de Suelen que havia sido feita pouco tempo antes do crime. (Foto: Marina Pacheco)

Cantora, palestrante na escola onde estudou e musicista auditada. É assim que o corretor de seguros Aildo Cristaldo, de 68 anos, lembra orgulhoso da filha. Com lágrimas nos olhos, ele se diz livre e confiante de que a condenação do assassino dará conforto terreno a uma dor que nunca cessa.

“A justiça tem de ser feita. Quem ceifou uma vida foi ele. Ela tocava violão, piano, já tinha cantado com Edson e Hudson e de repente um indivíduo ceifa a vida dela. O desespero e dor são tão grandes que a gente pensa em justiça com as próprias mãos. Às vezes a gente também perde esperanças. Mas hoje estou com a minha filha Evilin, tenho outro filho de 45 anos, e posso ir em qualquer lugar por nunca ter feito nada de errado contra ninguém. Ele [assassino] está encarcerado. A justiça de Deus nunca falha e dos homens está se cumprindo. Também sou muito grato à polícia que nunca deixou de nos apoiar. Mas perdemos a Suelen”, frisa seu Aildo.

A justiça de Deus nunca falha e dos homens está se cumprindo, disse Aildo. (Foto: Marina Pacheco)"A justiça de Deus nunca falha e dos homens está se cumprindo", disse Aildo. (Foto: Marina Pacheco)

A frente de seu tempo. É como Suelen é vista pela irmã Evilin Cristaldo, de 38 anos. A mototaxista ainda se pergunta o que levou Cleberson a cometer tamanha crueldade por causa de uma rejeição em um bar.

“Recebi a notícia da prisão de uma amiga que tem contato com o delegado da Homicídios. Provavelmente, ele já deve ter constituído família e minha sensação é de pena. Ele era muito novo na época e agora como fica? E se ele tem filhos? Como ele vai se sentir? Meu único desejo, que também era o da minha mãe que já faleceu, é perguntar o porquê de tanto ódio. Porque ganhou um não? Naquela época não tinha essa história de feminicídio e ela era a frente de seu tempo, não ia aceitar os assédios de outra pessoa. Eles nunca tiveram nada. Nós fomos criadas na mesma casa e bairro e talvez a única forma que ele conhecia minha irmã era de vista”, pontua a irmã de Suelen.

A mototaxista ainda se pergunta o que levou Cleberson a cometer tamanha crueldade co a imrã.
(Foto: Marina Pacheco)A mototaxista ainda se pergunta o que levou Cleberson a cometer tamanha crueldade co a imrã. (Foto: Marina Pacheco)

A família sabia que ele estava na região de Ponta Grossa, mas já tinha perdido a esperança de localizá-lo. A notícia da prisão foi uma bomba de sentimentos na família que sofre até hoje. Aildo chegou a vender a casa onde a família morava, pois todos sofriam com as lembranças.

O pai entendeu que nada pode trazer a filha de volta. Mas frisa que a Justiça ainda está acontecendo. “O rancor é grande porque eu nunca ceifei a vida de ninguém. Na época eu estava disposto a me vingar. Eram palavras impensadas. Uma coisa que vem de dentro. Mas Deus não deixou eu encontrá-lo. Mas hoje o criminoso é ele. Quem deve é ele. Mas graças a Deus, a justiça dos homens mostrou serviço. Agradeço imensamente a polícia, os amigos, agradeço com o coração partido, porque ele não está mais aqui. Estou feliz, mas não estou contente. Encarar uma morte por doença é aceitável. Agora perder algúem com saúde por assassinato é totalmente diferente”, finalizou.

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