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Chiquinha, Frajola e outros: Campo Grande tem cerca de 590 animais comunitários

Programa da Subea reúne cães e gatos cuidados coletivamente em bairros da Capital

Por Ketlen Gomes e Gabi Cenciarelli | 01/02/2026 15:11
Chiquinha, Frajola e outros: Campo Grande tem cerca de 590 animais comunitários
Gatinhos registrados no programa da Subea 'Animal Comunitário', ativo desde 2022. (Foto: Arquivo Pessoal)

Nos últimos dias, centenas de brasileiros se comoveram com a história de Orelha, o cão comunitário que foi morto por adolescentes na Praia Brava, em Santa Catarina. O choque tem alento na ação de outros cidadãos, preocupados com o bem estar dos pets. Em Campo Grande há, pelo menos, 590 animais comunitários , entre cães e gatos cadastrados na Subea (Superintendência de Bem-Estar Animal).

RESUMO

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O programa de animais comunitários em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, conta atualmente com 64 cadastros oficiais na Superintendência de Bem-Estar Animal (Subea). O serviço oferece assistência veterinária completa, incluindo microchipagem, vacinação e castração para cães e gatos que vivem em espaços públicos sob cuidados compartilhados da comunidade. Entre os casos de sucesso está o gato Frajola, primeiro animal comunitário oficialmente registrado na capital, que vive em um condomínio sob os cuidados de sete famílias. Sua história contribuiu para a regulamentação municipal da lei do animal comunitário, publicada em março de 2022, e inspirou um projeto de lei federal sobre o tema.

No entanto, esse número tende a ser ainda maior, pois há animais com tutela compartilhada por comunidades que não estão cadastrados no programa. Além disso, existem locais registrados pela Subea que atendem mais de um animal.

De acordo com a Subea, em 2025 foram feitos seis novos cadastros, com predominância de felinos em relação a cães. O programa oferece consulta veterinária, microchipagem, vacinação e castração aos animais comunitários registrados. A superintendência informou que não dispõe de um levantamento preciso sobre quantos animais vivem em cada local cadastrado.

Entre os exemplos positivos está a gata Chiquinha, mascote de uma clínica veterinária em Campo Grande. Vítima de maus-tratos ainda filhote, ela chegou ao local em estado grave, precisando de cirurgia e cuidados intensivos. Após tentativas frustradas de adoção, a equipe decidiu mantê-la definitivamente na clínica, onde recebe atenção diária, acompanhamento veterinário e cuidados contínuos.

Chiquinha, Frajola e outros: Campo Grande tem cerca de 590 animais comunitários
Chiquinha, gatinha acolhida e cuidada por trabalhadores de um centro veterinário. (Foto: Reprodução/Instagram)

“A Chiquinha é oficialmente a nossa mascote, mas na prática, ela acaba sendo a ‘gerente’ do centro. Ter ela com a gente é um alívio diário. Existe um sentimento muito forte de saber que, de alguma forma, nós salvamos a vida dela e hoje ela está bem porque recebe cuidados constantes. Ela faz parte da rotina, da equipe e do ambiente. A presença dela traz acolhimento e cria um vínculo afetivo muito forte,” relata a equipe. Apesar de ser cuidada coletivamente, a Chiquinha não é registrada como animal comunitário por viver em ambiente particular e não em espaço público.

No bairro Nova Campo Grande, a servidora pública Luzia Barbosa Teixeira de Mello, de 57 anos, cuida de quatro gatos comunitários: Rajadinho, Frajola, Fumaça e Faísca. Eles começaram a aparecer em 2021 e, desde então, passaram a receber alimentação adequada, vermifugação, vitaminas e atendimento veterinário.

Outros quatro animais que viviam no local já foram doados, todos castrados. Luzia participa do programa da Subea desde 2022, e não tem apoio dos vizinhos para cuidar dos animais, mas eles são considerados comunitários por viverem fora de sua residência e se alimentarem apenas no local. “Algumas pessoas já reclamaram, mas eles não mexem no lixo porque estão sempre bem cuidados. A Subea sempre me atendeu”, afirma.

Outro caso emblemático é o do gato Frajola, reconhecido como o primeiro animal comunitário oficialmente registrado em Campo Grande. Ele vive em um condomínio da Capital e é cuidado por cerca de sete famílias, que se revezam na alimentação e nos cuidados de saúde. O animal tem casinha em área comum, usa coleira com rastreamento e não sai do condomínio. As unhas são mantidas aparadas para evitar danos.

“O animal comunitário não é só comida e água. Tem deveres, como cuidados veterinários e respeito aos moradores”, explica Pablo Chaves, corretor de imóveis e especialista em direito animal.

Chiquinha, Frajola e outros: Campo Grande tem cerca de 590 animais comunitários
Frajola, primeiro animal comunitário de Campo Grande, responsável por regulamentar lei existente. (Foto: Renan Kubota)

Segundo Pablo, o caso do Frajola teve repercussão judicial e ajudou a impulsionar a regulamentação municipal da lei do animal comunitário, que já existia, mas não era aplicada na prática. Após a vitória judicial que garantiu a permanência do gato no condomínio, o tema ganhou visibilidade nacional e inspirou a apresentação de um projeto de lei federal, protocolado em 2023, que busca regulamentar os animais comunitários em todo o país. A proposta, no entanto, não avançou no Congresso.

A regulamentação do Animal Comunitário foi publicada no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) em março de 2022. A iniciativa está prevista na Lei Complementar n° 395, de 1° de setembro de 2020, e regulamentada no Decreto n° 15.147. O objetivo é regularizar a existência de cães e gatos de vida livre, que mantenham uma relação de afeto e dependência com tutores voluntários membros de comunidades.

Os interessados em se cadastrar no programa podem se inscrever através de formulário no site da Subea e enviar para o e-mail gerenciavet.subea@segov.campogrande.ms.gov.br, ou presencialmente na sede do órgão, que fica na Rua Rui Barbosa, 3538, bairro
Vila Alta. Há uma série de critérios e etapas estabelecidas pela pasta para efetivar o cadastro, como ter no mínimo dois tutores obrigatórios para os animais.

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