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Campo Grande, Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

13/03/2017 06:05

Todos os dias, Adroaldo abre as portas da padaria que surgiu na década de 1970

Thailla Torres
O nome existe desde a década de 1970.O nome existe desde a década de 1970.

O cheiro de pão quentinho saindo do forno é uma tradição na esquina da Rua José Antônio com Eduardo Santos Pereira. Ali, desde de 2001, funciona a Padaria Espanhola, que soma 45 anos de história só nas mãos de uma família, sem contar os anos que antecederam a troca de donos. Mesmo com algumas paradas ao longo do tempo, o lugar continua firme na memória de quem acompanhou o crescimento de Campo Grande e frequenta a padaria desde o início, na Rua 14 de Julho. 

O criador é Adroaldo Jacques de Miranda, de 78 anos, que todos os dias ainda abre as portas para a clientela que já é conhecida no bairro São Francisco.

A história começou ao lado do irmão, em 1972, que enxergou no negócio as chances de uma vida melhor. "Fiquei 14 anos fora daqui. Trabalhava como supervisor em outros estados. Já meu irmão nunca saiu daqui e durante uma ligação naquela época, ele me contou que havia achado uma padaria e me chamou para uma sociedade".

Androaldo tem orgulho dos amigos e clientes fiéis cultivados ao longo dos anos. Androaldo tem orgulho dos amigos e clientes fiéis cultivados ao longo dos anos.

Mesmo sem nunca terem feito um pão na vida, o que os irmãos tinham era vontade de trabalhar. "Resolvemos enfrentar. Compramos a padaria que já funcionava na rua 14 de Julho, esquina com a rua Antônio Maria Coelho".

A padaria pertencia a uma família de espanhóis na cidade, que deu origem ao nome Espanhola. "Foi comandada por muitos anos pela família Cubel. É o que a gente sabe", recorda.

Ele e o irmão ficaram no comando do estabelecimento até 1978 quando desfizeram a sociedade e Adroaldo voltou a trabalhar fora do Estado. "Quando venceu o contrato do lugar que era alugado na 14 de Julho, nós mudamos para Avenida Mato Grosso ao lado do Hotel Gaspar, fiquei até 1978, quando depois meu irmão também resolveu vender a padaria", recorda.

Quem assumiu foi Aldoir Pedro Teló, pai do cantor sertanejo Michel Teló. "Meu irmão comprou um novo terreno na Avenida Mato Grosso e construiu a Padaria Dico, também muito conhecida, enquanto isso eu fui fazer outras atividades", lembra. Dez anos depois, o lugar fechava as portas.

Só em 2001 o nome Espanhola passou a ser visto de novo em Campo Grande. "Encontrei essa padaria inexpressiva, o ponto era difícil e o dono não produzia nada. Como eu estava querendo trabalhar eu decidi investir e comprar o ponto. Mas fiz questão de readquirir o nome que compramos lá em 1978".

Camilo é o funcionário mais antigo, trabalhando há 46 anos na panificadora. (Foto: Marcos Ermínio)Camilo é o funcionário mais antigo, trabalhando há 46 anos na panificadora. (Foto: Marcos Ermínio)

Quando os irmãos começaram, ninguém tinha experiência. Ele recorda que na década de 1970 só havia 10 panificadoras por aqui e em pouco tempo a Espanhola cresceu distribuindo pães em bares, hotéis e mercados.

"A gente contratou uma pessoa de São Paulo. No começo, a gente usava 7 sacos de trigo, quando ele chegou passamos a fazer 26 sacos de trigo por dia. Era pão fresquinho por toda Campo Grande", conta.

Hoje, é pela qualidade que Adroaldo quer continuar conquistando clientes. "Minha padaria não é bonita e nem chique, mas do meu produto é de qualidade, eu não tenho medo dele. Tudo é feito no dia. Não tem essa de pão congelado, o padeiro chega aqui de madrugada", garante.

Até os funcionários são veteranos na história da Espanhola. Orgulhoso, a vida profissional de Camilo Medina, 64 anos, começou ali dentro. "Eu entrei aqui com 18 anos. Foi assim que tive amor pela minha profissão que não deixo por nada", diz Camilo, o braço direito do patrão que não poupa elogios ao funcionário.

Juntos há 46 anos, Maud e Adroaldo compartilham o amor pela Padaria Espanhola. (Foto: Marcos Ermínio)Juntos há 46 anos, Maud e Adroaldo compartilham o amor pela Padaria Espanhola. (Foto: Marcos Ermínio)

"Ele entrou de vez para a nossa família e isso é o que faz da padaria um sucesso. Eu largo aqui na mão dele, porque sei que vai cuidar bem, tenho muita tranquilidade com isso".

Ao pensar no passado, o sentimento é de orgulho. "Todos os dias, inegavelmente, aparece alguém aqui perguntando se somos aquela padaria na Avenida Mato Grosso e isso é muito bacana. Muitos se tornaram amigos e nós fizemos desse nome uma tradição no ramo da panificação em Campo Grande", afirma. 

Quem vai ao lugar, não abre mão da chipa e da sopa paraguaia feita todos os dias. "Tudo é muito simples, mas vem gente de outra cidade comer minha chipa e duvido você achar outro produto que seja melhor", garante. 

A panificadora Espanhola fica na Rua José Antônio, 2148, São Francisco. Abre de segunda a sexta, das 6h às 20h e aos sábados até 14h.

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Padaria fica na Rua José Antonio, esquina com Eduardo Santos Pereira. (Foto: Marcos Ermínio)Padaria fica na Rua José Antonio, esquina com Eduardo Santos Pereira. (Foto: Marcos Ermínio)


Lanchei muitas vezes nessa padaria quando era na Mato Grosso. Estudava no colégio Dom Bosco e tínhamos 30 minutos de intervalo. O colégio quase todo descia prá lá. Apetitosos todos os salgados.época muito boa, quando cursei o segundo grau. Lotava nos trinta minutos; era uma guerra para encontrar lugar para sentar. Ficamos tristes quando fechou. Umas das filhas do proprietário era nossa colega de escola.
 
Paulina Ferreira em 13/03/2017 15:54:51
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