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Campo Grande, Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

06/06/2018 08:15

Vídeos da turma do skate na Maracaju recuperam memórias da década de 80

Thailla Torres
Uma das pistas de skate feita de madeira pela meninada na década de 80. Uma das pistas de skate feita de madeira pela meninada na década de 80.

Há quase 30 anos, quando ninguém falava do skate como esporte em Campo Grande, na Rua Maracaju uma loja de esquina já investia no sonho da meninada. Foi no meio da década de 80 que o representante comercial Oswaldo Rodrigues, à época com 22 anos, se tornou o empresário que criou o primeiro campeonato, feito na garra. 

Tinha pista de madeira feita por Oswaldo e outros skatistas da época. Manobras e nomes de atletas que se tornaram conhecidos mundialmente. Décadas de história que hoje são contadas e revividas em vídeos recuperados do acervo do representante, que não trabalha mais com skate, mas leva o esporte no coração até hoje.

Treinos na frente da loja Hot Point. Treinos na frente da loja Hot Point.

Publicado nas redes sociais, as imagens mexeram com a memória de muita gente. Quem viveu aquele tempo, sabe da resistência  quando do skate que era marginalizado nas ruas de Campo Grande. "Era outra identidade, tinha lugar que o skatista entrava e as pessoas não deixavam entrar. Foi uma época muito diferente", lembra Oswaldo.

Desafios que só fortaleceram a cena mais autêntica da cidade na época. Tudo começou quando Oswaldo, viu um skate pela primeira vez e pediu igual para a mãe. As manobras começaram na brincadeira, até que na compra de um acessório e outro, veio a ideia de comercializar o objeto na cidade. "Não tinha uma loja de skatista em Campo Grande. Tudo que eu comprava era de São Paulo e a galera queria comprar os meus skates. Comecei vendendo no porta mala do carro".

Surgiu então em 1987 a Hot Point, a primeira loja com roupas, acessórios e skate pra fazer meninada enlouquecer. Os mais velhos ensinavam os mais novos nas pistas improvisadas pela cidade. "Naquele tempo não tinha pista fácil como tem hoje. As crianças tinham que fazer, usar madeira e prego pra brincar. Só naquele ano foi construída uma primeira pista no bairro Santa Fé"

Os vídeos sobre manobras ainda eram inacessíveis na época. "Muitos eram dos Estados Unidos. Então eu comprava e exibia de graça na loja para a gurizada aprender. Porque a gente só aprende olhando o outro fazer. Não tem outro segredo para o skate".

As fotos, na época, tinham qualidade muito baixa. Foram reveladas e perdendo pigmentação com o tempo. Mas até hoje transforma tudo em saudade. "Foi um tempo muito bonito e ao mesmo transformador. A turma daquela época conseguiu fortalecer o skate na cidade, principalmente, como esporte. Mudou a vida de muita gente".

Turma de 1988 andando de skate no Dom Bosco. Turma de 1988 andando de skate no Dom Bosco.
Oswaldo em 1987. Oswaldo em 1987.
Campeonato no estacionamento do Extra.Campeonato no estacionamento do Extra.

Oswaldo guarda centenas de fotografias e para nada se perder com o tempo, ele filmava cada campeonato. Neste ano, ele entregou parte do acervo ao amigo Múcio Marinho que conseguiu digitalizar todos os registros que já estavam sendo danificados por conta do tempo. "Uma época em que a galera construía rampa em terreno baldio, a gente inventava pistas e era um esforço maior para poder se divertir. Valeu recuperar digitalizar este registro, merece ser lembrado", diz Múcio, de 46 anos.

Ele também andava de skate na época e foi vencedor no primeiro campeonato realizado por Oswaldo na cidade. Embora a modalidade não fosse comum naquela década, a saudade que fica era da liberdade nas calçadas e avenidas. "A turma descia pela Mato Grosso e em outras avenidas da cidade, era muito divertido", recorda.

A Hot Point fechou as portas em 1997 para Oswaldo seguir na profissão de representante comercial. Mas o que ficou foi o sentimento de dever cumprido. "Eu fazia tudo por paixão, porque ganhar dinheiro eu não ganhava, skate era hobby e continua sendo até hoje. Mas ali tivemos grandes nomes como Elton Oshiro que é de Campo Grande e se tornou um grande destaque".

Hoje, aos 56 anos, Oswaldo ainda anda de skate, mas na brincadeira. "Nunca parei de andar, mas agora sem grandes manobras. A mente sabe o que tem que fazer, mas o corpo não obedece mais".

No vídeo recuperado em um dos campeonatos feito por Oswaldo, está por exemplo a performance do paulistano Rui Muleque, um dos grandes representantes do street skate Brasileiro de 1980 e campeão Brasileiro na modalidade.

Assista abaixo o vídeo recuperado do campeonato de 1987.



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