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Comportamento

Porque as pessoas perdem tantos cães? Adestrador tem as pistas

Por Ângela Kempfer | 23/02/2012 16:55
Juca é adestrador em Campo Grande. (Foto: Marlon Ganassim).
Juca é adestrador em Campo Grande. (Foto: Marlon Ganassim).

É só abrir o portão e lá vai o cachorro em fuga. Depois, só resta distribuir cartazes pelas redondezas e rezar para que o membro da família volte para casa.

Foi assim há um mês, na casa de Tomy, um poodle de 11 anos desaparecido no bairro Giocondo Orsi. Há 10 anos, quando apareceu na casa de Miguel, ele estava sujo, provavelmente também depois de fugir do antigo dono.

“Distribuímos cartazes por todo o bairro, apareceram mais de 30 pessoas, mas ninguém era dono dele. No dia que resolvemos retirar os cartazes, nosso cachorro morreu e acabamos ficando com o Tomy”.

Depois de muitas idas e vindas, ele acabou sumindo de vez, para dor da família de Miguel. “O coração fica rasgado”, comenta.

A história se repete e, quase sempre, pelo mesmo problema. O descuido na hora de sair de casa, que para muitos é o que provoca a perda, é só um agravante. A causa real é a falta de limites, ensina o adestrador Aldemir Jerônimo, o Juca.

Ao lado do veterinário Ricardo Caffarena, ele ensina como transformar um cachorro fujão em um “lord inglês”. “É como criança, o cão tem de ter limites. Não dá para criar como se fosse um membro da família, senão passa a dominar a casa”, explica.

A relação equilibrada entre dono e animal começa na escolha da raça, adverte. “Não dá para sair comprando cachorro só porque é bonito, tem de avaliar a personalidade do cão”. O poodle, por exemplo, que para muitos parece a opção perfeita sempre, é um grande enganador, diz Juca.

“É uma raça muito inteligente, mas também muito ciumenta e pode ficar agressivo por isso”, justifica. Mesmo assim, até os poodles têm jeito, ensina o adestrador. Independente de idade, o que falta aos animais fujões é comando.

Uma lição importante é não deixar o animal 100% solto em casa. É preciso arrumar um cômodo para ser o canil. O espaço serve para dividir bem os que mandam dos que obedecem.

“Quando o animal faz algo errado tem de olhar para ele e falar: canil. Ele tem de ser repreendido e punido. Vai ficar no canil para apreender. Pode ser qualquer cantinho, desde que seja o canto dele.

”Antes de treinar os cães, Juca treina os donos. Faz consultoria, que inicia com palestra de 1 a 2 horas. Na casa da família, ensina um a um como se comportar. “Tem sempre um que entrega o outro, entrega o que mima demais o cão”.

Para não sair correndo quando o portão abre, o animal também tem de ter hora certa para passeios, alimentação correta, tempo para brincar com os donos, resumindo: atenção.

Tomy desapareceu há um mês;
Tomy desapareceu há um mês;