Gleucineide faz roupinhas de crochê para aquecer cães abandonados
Sem realizar o sonho de cursar veterinária, ela criou projeto para ajudar animais resgatados
O amor pelos animais levou Gleucineide Oliveira a transformar linhas, agulhas e muito carinho em um projeto voltado aos pets. Moradora de Campo Grande, ela criou a marca “Pet Crochê” depois de perceber que, mesmo sem conseguir realizar o sonho de ser veterinária, ainda poderia fazer algo pelos bichinhos.
Hoje, além de produzir roupinhas para cães e gatos, ela também ajuda animais resgatados das ruas com peças feitas de tecido e cobertores para protegê-los do frio. “Meu sonho era ser veterinária, mas a vida acabou levando para outros caminhos. Aí eu pensei que eu precisava fazer alguma coisa voltada ao mundo pet”, conta.
A ideia surgiu antes da pandemia, quando Gleucineide aprendeu os primeiros pontos de crochê com uma colega em Brasília. Depois disso, aperfeiçoou a técnica sozinha, assistindo vídeos na internet.
“Ela me ensinou uma trancinha e o restante eu fui pesquisando e aprendendo no YouTube. Quando a gente tem um sonho e força de vontade, consegue aprender”, comenta.
As primeiras peças foram roupinhas de crochê para pets. Ela também fazia bolas e acessórios para os animais e chegou a vender os produtos pela internet. Porém, durante a pandemia, as vendas diminuíram e o projeto acabou ficando parado por um tempo.
Mesmo assim, a página da marca continuou crescendo nas redes sociais. Hoje, a Pet Crochê soma cerca de 17 mil seguidores no Facebook.
Foi nesse período que Gleucineide começou a se envolver ainda mais com a causa animal. Trabalhando no Bairro Noroeste, ela passou a ajudar cães abandonados nas ruas junto de amigos e protetores independentes. Ela ajudava em resgates, castrações e no contato com o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses).
Uma colega acabou oferecendo um lar temporário para os animais resgatados. O espaço, no entanto, virou praticamente uma moradia fixa para cães e gatos abandonados. “Atualmente temos 10 cachorros e 10 gatinhos. Alguns já idosos”, relata.
Com a dificuldade financeira e o desejo de continuar ajudando os bichinhos, Gleucineide decidiu reativar o projeto, agora com um novo nome: “Pet Crochê Comfort”. A proposta é ampliar a produção e trabalhar também com roupas de tecido, caminhas e futuramente peças pós-cirúrgicas para animais.
Parte da renda das vendas será usada para ajudar os pets resgatados. “Claro que vai me ajudar financeiramente também, mas eu quero converter parte desse dinheiro para ajudar os animais”, explica.
Durante os dias mais frios em Campo Grande, ela e a amiga protetora tiveram a ideia de transformar cobertores em roupinhas para cães resgatados e animais de rua. “A gente começou a fazer roupinhas com cobertas para doar. É para os cachorros dela, para ONGs e para os animais que vivem na rua”, conta.
Ela afirma que muitos cães sofrem com as baixas temperaturas, principalmente os idosos e os de pelo curto. “Eles tremem muito de frio. A gente tenta improvisar caixas para eles ficarem mais aquecidos, mas os cachorros acabam rasgando tudo durante o dia”, diz.
Além da produção das roupinhas, Gleucineide também faz campanha para arrecadar cobertores e tecidos que possam ser reaproveitados na confecção das peças. “Estamos pedindo doação de cobertinhas e panos para fazer roupinhas para os pets que vivem na rua”, reforça.
Apesar de eventuais críticas que às vezes recebe por dedicar tempo aos animais, ela diz não se abalar. “Tem gente que fala que existem pessoas passando necessidade e eu ajudando cachorro. Mas eu acredito que os animais também sentem dor, amor e sofrimento. Eles só não sabem falar.”
A relação dela com os bichinhos também aparece dentro de casa. Gleucineide é tutora de Billy, um cachorro da raça Shih-tzu, e da cadela Inocência, resgatada por ela às margens de uma rodovia durante uma viagem. “Eu desci descalça no meio do mato para pegar ela. Achei que tinham acabado de abandonar a cachorrinha ali”, lembra.
Hoje, as roupinhas produzidas por Gleucineide custam entre R$ 39,99 e R$ 70, dependendo do tamanho e do modelo. Algumas peças têm capuz e são feitas sob medida para os pets.
Mesmo sem ter realizado o sonho de infância, ela diz que encontrou uma forma de se sentir completa ajudando os animais. “É muito gratificante. Parece que eu trabalhei o dia inteiro e recebi meu salário. Fazer o bem para eles me completa”, finaliza.
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