Muda esquecida virou cultivo de baunilha, uma das mais caras do mundo
Conheça a produção artesanal da baunilha de Miska Thomé em Campo Grande
A artista plástica, musicista e produtora rural Miska Thomé transformou uma única muda de baunilha em um viveiro com 70 plantas. A história começou quando, sem querer, ela teve que cuidar da muda de sua amiga Nelly Martins, que ao voltar para São Paulo esqueceu a planta em um hotel de Campo Grande. A amiga pediu para que Miska a buscasse e cuidasse dela temporariamente.
RESUMO
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A artista plástica e produtora rural Miska Thomé transformou uma única muda de baunilha, deixada por acidente por uma amiga em Campo Grande, em um viveiro com 70 plantas. Implantado em junho de 2024 em um sítio de família, o cultivo já registrou floração expressiva em 2025, com polinização manual e processo artesanal de cura que pode levar até um ano e meio. A produtora comercializa as favas pela marca Vanilla Thomé e planeja ampliar para derivados.
"Eu falei: o que eu vou fazer? Ela respondeu: Planta na sua casa que, quando eu voltar, eu pego uma muda com você. Eu plantei e ela tomou conta de todo o muro", relembra.
A planta se adaptou rapidamente e, como a baunilha é uma orquídea trepadeira, acabou crescendo e cobrindo a lateral do muro da residência. Com o desenvolvimento da planta, Miska começou a produzir mudas em um sítio herdado de sua família, ampliou o cultivo e usa o lucro para auxiliar na manutenção da chácara.

O viveiro foi implantado em junho de 2024, inspirado em um modelo que ela conheceu na Bahia, mas adaptado às condições locais. O trabalho contou com o acompanhamento da engenheira agrônoma Letícia Carolina Oliveira, responsável pelo suporte técnico no preparo do solo, adubação e manejo das plantas.
“ Elas floresceram em setembro de 2024, poucas, mas floresceram. No ano passado, 2025, foi uma floração mais expressiva, eu fiz as polinizações manuais, e depois eu consegui obter uma quantidade ainda não tão expressiva de favas, mas já foi legal para uma primeira floração.”, conta.
Apesar do aroma conhecido por todos, poucos sabem como a baunilha é produzida. A planta floresce apenas uma vez ao ano e cada flor permanece aberta por apenas quatro ou cinco horas. Como não existe, na região, o inseto responsável pela polinização natural da espécie, todo o processo precisa ser feito manualmente, flor por flor.
Se a polinização dá certo, a flor não cai e dá origem à fava, que leva cerca de nove meses para amadurecer. Depois da colheita, começa outra etapa igualmente delicada: a cura.
“Tem o processo de colher e curar, para intensificar o aroma e formar os cristais naturais da baunilha. Então, é mais ou menos um ano e meio entre a polinização e a venda do produto que é totalmente manual e artesanal. Acho que é isso que agrega valor à baunilha.”, explica a produtora.
Formada em Comunicação Visual e conhecida pelo trabalho nas artes, Miska conta que o interesse pelas plantas sempre foi um hobby, que acabou se transformando em mais uma frente de atuação.
“Na minha casa tem muita planta, então eu gosto muito. Na época eu fui lendo algumas coisas, aprendi observando as orquídeas e entendendo o comportamento delas. A planta foi me mostrando o que eu sempre fui: uma pessoa, mesmo artista, que tem muitas frentes de trabalho.”, completa.
Neste primeiro momento, Miska comercializa a fava in natura por meio da marca Vanilla Thomé. A ideia é, futuramente, avaliar a produção de derivados, como extrato, pasta e açúcar aromatizado com baunilha.
Segundo ela, o cultivo ainda está em fase de aprendizado, com troca constante de experiências entre produtores de outros estados, como Bahia e Mato Grosso, onde existem viveiros maiores.
Além da baunilha, ela mantém no sítio uma produção de abacaxi pérola, cana-de-açúcar, pomar e horta, e todas as produções são vendidas e transformadas em lucro. Mesmo com o novo negócio, ela não pretende abandonar a carreira artística nem os demais projetos.
"Vou fazendo um passinho de cada vez. Tem o Casarão Tomé, que é um espaço cultural que eu estou mexendo, a produção rural, as artes... A gente não tem tédio", brinca.
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