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Diversão

Após pai falecer em Campo Grande, filha só pisou aqui de novo pelo Guns

Ônibus a caminho do autódromo carrega histórias muito além do show

Por Thailla Torres e Ketlen Gomes | 09/04/2026 14:35
Após pai falecer em Campo Grande, filha só pisou aqui de novo pelo Guns
Apesar da imensa saudade do pai, Murial voltou a Campo Grande para viver momento histórico com show do Guns. (Foto: Ketlen Gomes)

O ônibus ainda nem tinha chegado ao Autódromo, mas já carregava histórias que iam muito além do show do Guns N’ Roses. Entre fãs com camisetas pretas, garrafinhas de água e expectativa no olhar, duas trajetórias se cruzavam pelo mesmo motivo: viver de perto um momento que parecia improvável até pouco tempo atrás.

Para a publicitária Muriel Soriano, de 42 anos, voltar a Campo Grande nunca esteve nos planos, pelo menos, não tão cedo. Depois de morar 7 anos na cidade, ela voltou para São Paulo (SP) há cerca de 1 ano, após a morte do pai. Desde então, não tinha pisado novamente na Capital. Até agora.

“Nunca imaginei que eu ia sair daqui, e o Guns ia vir fazer um show justamente em Campo Grande, né? Então foi uma surpresa muito grande, acho que pra cidade é o máximo. Marco, creio que isso vai abrir portas aqui pro estado, pra cidade. E pra mim, pessoalmente, é inenarrável”, conta.

Fã desde os 6 anos, Muriel cresceu ouvindo a banda que, segundo ela, abriu portas para todo o universo do rock. Mas, quando teve condições de pagar por um show, o grupo já não se apresentava mais.

“Quando eu tiver meus 80 anos, eu não vou lembrar do dinheiro que eu gastei, da pouca água que eu tomei, mas da emoção de ver o Slash fazendo seu solo, o Guns, o Axel cantando… se ele cantar em libras eu vou chorar”, diz, rindo.

O ingresso veio como presente de uma amiga, e virou mais um motivo para a viagem ganhar um peso afetivo ainda maior. “Então foi também outra surpresa, porque além de poder ver o Guns, eu vou ver com a companhia de uma pessoa que eu amo muito. Então vai ser um prazer duplo”.

Determinada a viver cada segundo, Muriel montou uma verdadeira estratégia de resistência: café da manhã reforçado, almoço leve, chicletes na bolsa e uma garrafinha de 500 ml que precisa durar o show inteiro.

“Trouxe capa de chuva, chinelinha havaiana, uma canga pra sentar no chão… e muito amor, muita voz para cantar. Vou tentar pegar a grade para ver se vai que cai uma paleta no meu colo do Slash”.

Após pai falecer em Campo Grande, filha só pisou aqui de novo pelo Guns
Matheus ao lado da mãe Zélia, juntos a caminho do show. (Foto: Ketlen Gomes)

A poucos bancos de distância, outra história reforçava o quanto a banda atravessa gerações. A professora Zélia Bezerra, de 45 anos, carrega no corpo a prova desse vínculo: uma tatuagem inspirada em November Rain, considerada por ela não só a favorita da banda, mas da vida.

“November Rain é a minha música preferida do Guns. Na verdade, é a minha música preferida da vida. E a tatuagem eu fiz depois que eu fui no show em Cuiabá. Tem a data aqui do show de Cuiabá”, mostra.

A frase tatuada também tem um significado que vai além da música. “A tradução dela é ‘nada dura para sempre, nem mesmo a chuva fria de novembro’. Então acho que tem um significado pra vida também”.

Ao lado do filho, Matheus Henrique, de 16 anos, ela repete o ritual de fã, agora em família. Os dois já estiveram no show anterior, em Cuiabá, e esperam reviver a mesma energia.

“Ah, eu já fui no outro em Cuiabá também, foi muito bom. Eu espero também. Acho que vai ter a mesma energia que teve”, diz o adolescente.

Sem conseguir chegar cedo o suficiente para disputar espaço na grade, Zélia aposta no improviso: levou lanchinhos na mochila e vai tentar se aproximar o máximo possível do palco.

Após pai falecer em Campo Grande, filha só pisou aqui de novo pelo Guns
Zélia mostrando sua tatuagem em homenagem a banda (Foto: Ketlen Gomes)


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